
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
O brasileiro no divã
Tornou-se
comum procurar
na psicoterapia soluções para
os problemas do dia-a-dia

Rosana Zakabi
Antonio Milena
 |
| Luiz
Nunes com a psicóloga Cleide Partel: em busca de qualidade de vida
|

Veja também |
|
|
|
Um novo compromisso
entrou para a agenda dos brasileiros: consultar o psicoterapeuta. Atualmente
600.000 pessoas dedicam pelo menos uma hora por semana a contar suas angústias
ao psicólogo ou ao psicanalista, um aumento de 70% nos últimos
quatro anos. Ao contrário do que acontecia no passado, quando só
procurava terapia quem passava por uma séria crise emocional ou
era portador de doença mental, a maioria busca agora a ajuda para
resolver pendências do dia-a-dia, como briga com a esposa, stress
no trabalho, medo de ser assaltado e até a angústia na hora
de decidir que faculdade cursar. "Antes, a pessoa escondia dos colegas
que fazia terapia, temendo ser discriminada no ambiente de trabalho",
diz Ari Rehfeld, supervisor da clínica de psicologia da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo. "Agora, isso é
assunto em mesa de bar."
O número
de psicólogos também dobrou nos últimos dez anos.
Atualmente são 120.000, segundo dados do Conselho Federal de Psicologia.
A maioria está em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Juntam-se a esse contingente 15.000 psicanalistas. A diferença
está na forma de conduzir o tratamento e no fato de o psicanalista
fazer um curso de especialização de quatro anos. A popularidade
da terapia deve-se a um conjunto de fatores. Um deles é a maior
facilidade de acesso. É possível encontrar atendimento gratuito
ou com preços simbólicos em postos de saúde, hospitais
públicos e clínicas universitárias. Por sua vez,
o tratamento particular pode ser caro - uma sessão de uma hora
em consultório dificilmente custa menos de 150 reais, despesa que
quase nunca é coberta por convênios médicos.
O segundo
fator são as atribulações da vida moderna. Problemas
econômicos e profissionais estão, por exemplo, na raiz de
muitas crises de depressão. Somam-se a isso mudanças de
comportamento. A idéia de que homem não chora nem deve demonstrar
suas fraquezas perdeu importância. Hoje, são valorizados
aqueles que mostram sensibilidade, não se envergonham de exteriorizar
as emoções nem se constrangem em buscar ajuda psicológica.
As mulheres angustiam-se porque têm de administrar carreira, marido,
filhos e tarefas da casa, tudo ao mesmo tempo. "As pessoas se sentem
desamparadas porque não sabem lidar com essas novas situações",
diz Sonia Eva Tucherman, presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise
do Rio de Janeiro.
É
aí que entra o papel do psicoterapeuta. "O objetivo da terapia
é fazer com que o paciente consiga lidar melhor com as frustrações
do dia-a-dia e tenha mais qualidade de vida", explica a psicóloga
paulista Cleide Heloisa Partel, que atende em média oito pacientes
por dia. Um deles, o empresário Luiz Nunes, de 34 anos, procurou
a psicóloga seis meses atrás. Sentia-se sufocado com o excesso
de trabalho. "Eu não tinha vida pessoal e me questionava se
os caminhos que escolhera haviam valido a pena", conta ele. Com a
terapia, deixou para trás algumas inseguranças, principalmente
na hora de tomar decisões. "Agora saio para jantar com freqüência,
o que não acontecia antes", diz.

|
|
 |
|
 |

|
 |