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Edição 1 764 - 14 de agosto de 2002
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O brasileiro no divã

Tornou-se comum procurar
na psicoterapia soluções para
os problemas do dia-a-dia

Rosana Zakabi

 

Antonio Milena
Luiz Nunes com a psicóloga Cleide Partel: em busca de qualidade de vida


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Perfil do psicólogo brasileiro

Um novo compromisso entrou para a agenda dos brasileiros: consultar o psicoterapeuta. Atualmente 600.000 pessoas dedicam pelo menos uma hora por semana a contar suas angústias ao psicólogo ou ao psicanalista, um aumento de 70% nos últimos quatro anos. Ao contrário do que acontecia no passado, quando só procurava terapia quem passava por uma séria crise emocional ou era portador de doença mental, a maioria busca agora a ajuda para resolver pendências do dia-a-dia, como briga com a esposa, stress no trabalho, medo de ser assaltado e até a angústia na hora de decidir que faculdade cursar. "Antes, a pessoa escondia dos colegas que fazia terapia, temendo ser discriminada no ambiente de trabalho", diz Ari Rehfeld, supervisor da clínica de psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. "Agora, isso é assunto em mesa de bar."

O número de psicólogos também dobrou nos últimos dez anos. Atualmente são 120.000, segundo dados do Conselho Federal de Psicologia. A maioria está em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Juntam-se a esse contingente 15.000 psicanalistas. A diferença está na forma de conduzir o tratamento e no fato de o psicanalista fazer um curso de especialização de quatro anos. A popularidade da terapia deve-se a um conjunto de fatores. Um deles é a maior facilidade de acesso. É possível encontrar atendimento gratuito ou com preços simbólicos em postos de saúde, hospitais públicos e clínicas universitárias. Por sua vez, o tratamento particular pode ser caro - uma sessão de uma hora em consultório dificilmente custa menos de 150 reais, despesa que quase nunca é coberta por convênios médicos.

O segundo fator são as atribulações da vida moderna. Problemas econômicos e profissionais estão, por exemplo, na raiz de muitas crises de depressão. Somam-se a isso mudanças de comportamento. A idéia de que homem não chora nem deve demonstrar suas fraquezas perdeu importância. Hoje, são valorizados aqueles que mostram sensibilidade, não se envergonham de exteriorizar as emoções nem se constrangem em buscar ajuda psicológica. As mulheres angustiam-se porque têm de administrar carreira, marido, filhos e tarefas da casa, tudo ao mesmo tempo. "As pessoas se sentem desamparadas porque não sabem lidar com essas novas situações", diz Sonia Eva Tucherman, presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro.

É aí que entra o papel do psicoterapeuta. "O objetivo da terapia é fazer com que o paciente consiga lidar melhor com as frustrações do dia-a-dia e tenha mais qualidade de vida", explica a psicóloga paulista Cleide Heloisa Partel, que atende em média oito pacientes por dia. Um deles, o empresário Luiz Nunes, de 34 anos, procurou a psicóloga seis meses atrás. Sentia-se sufocado com o excesso de trabalho. "Eu não tinha vida pessoal e me questionava se os caminhos que escolhera haviam valido a pena", conta ele. Com a terapia, deixou para trás algumas inseguranças, principalmente na hora de tomar decisões. "Agora saio para jantar com freqüência, o que não acontecia antes", diz.




   
 
   
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