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Com o pé no futuroFabricantes de tênis recorrem à ciência
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O tênis está morrendo, viva o tênis. Depois de quase duas décadas de crescimento vertiginoso, a indústria de calçados esportivos amargou três anos consecutivos de queda em suas vendas. Os consumidores, que geralmente usam tênis mais no dia-a-dia do que para praticar esportes, andaram trocando os modelos de tecnologia sofisticada por calçados mais confortáveis, mais coloridos e principalmente mais baratos. Agora, essa indústria, que só nos Estados Unidos fatura 8 bilhões de dólares por ano, está reagindo com mais inovações tecnológicas, novos materiais e design futurista. O novo modelo de tênis de basquete da Nike, a campeã mundial de material esportivo, mais parece uma peça da indumentária de um personagem da série Jornada nas Estrelas do que parte do uniforme de Michael Jordan, o ex-astro do basquete americano e seu principal garoto-propaganda. Sem cadarços para amarrar, com cores metalizadas pouco usuais, o novo produto, batizado de Air Flightposite, soma avançadas técnicas e materiais dos calçados de alta performance a um visual revolucionário. E um preço igualmente extraterrestre. Quando chegar às lojas dos Estados Unidos nos próximos dias, o Air Flightposite estará custando 160 dólares (290 reais). "Parece sapato de super-herói", diz Michael Wilskey, vice-presidente de marketing da Nike nos Estados Unidos. A idéia de criar esse tênis surgiu quando um executivo da empresa observou um carro de Fórmula 1 da equipe BAR, pintado com as cores de patrocinadores diferentes de cada lado. Dependendo do ângulo de visão, o mesmo carro parece ser outro veículo. O calçado metalizado da Nike também adquire matizes diversos dependendo da posição em que é observado. É um tênis que não parece tênis. Nada tem a ver com os calçados repletos de formas, bolhas, cores e curvas que fizeram a glória e a fortuna da Nike e de Michael Jordan, aposentado no início deste ano. O novo produto é fino e leve como uma sapatilha de balé. Seu lançamento no Brasil ainda não está previsto. "A cada quatro meses a Nike lança cerca de 900 tênis no mundo inteiro e é normal que modelos de uma determinada região não sejam comercializados em outra", explica Alex Pinedo, diretor comercial da empresa no Brasil. O Air Flightposite é a mais ousada tentativa dos grandes fabricantes de tênis para reverter a crise mundial do setor, iniciada em 1996. No ano passado, as vendas nos Estados Unidos caíram 10%. No Brasil, onde faltam números oficiais, acredita-se que houve um tombo semelhante. É um desastre para uma atividade que cresceu sem parar durante mais de vinte anos, desde que deixou de ser um artigo exclusivo das quadras esportivas para se incorporar à indumentária social dos jovens. Junto com a Nike, outras duas gigantes do setor, a Reebok e a Adidas, viram suas vendas desabar. As perdas foram compensadas com o crescimento das vendas de calçados esportivos com menos tecnologia, que se destacam mais no conforto e na aparência do que no desempenho atlético. Agora, os grandes fabricantes pretendem recuperar o terreno perdido. A Adidas desenvolveu um equipamento capaz de analisar a forma como as pessoas pisam no chão e com ele criar produtos quase personalizados. A Nike já está vendendo no Brasil um tênis de corrida com o sistema de amortecimento adaptável ao peso do usuário. Pesquisas mostraram que uma corredora que calça 36 geralmente pesa 54 quilos e que um corredor de pé 42 tem um peso médio de 73 quilos. Com base nessa constatação, o modelo Air Tuned Max tem uma versão feminina e duas masculinas, uma para números até 43 e outra para pés maiores. Já nas prateleiras das lojas brasileiras, o tênis da Nike custa 290 reais, mesmo preço de uma televisão de 14 polegadas.
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