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Internet
Finalmente decolou
Oferecendo preços menores e muita comodidade,
o comércio on-line começa
a conquistar os brasileiros

Rosana Zakabi
Nelio Rodrigues/1º Plano
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| Ana (acima): "Compro produtos
que não existem na minha cidade". Santos: "Virou
um hábito" |
André Penner
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Quando os primeiros sites de comércio
eletrônico surgiram no Brasil, no fim da década de
90, mesmo quem já navegava pela internet os encarava com
um misto de espanto e desconfiança. Parecia arriscado colocar
na rede um número de cartão de crédito e expô-lo
aos hackers. E era estranho pagar ainda por cima adiantado
por mercadorias que não se podiam tocar com as mãos.
Tudo isso mudou. Primeiro, os brasileiros começaram a arriscar
compras virtuais de produtos de valor relativamente pequeno, como
livros e CDs. Hoje, no Brasil, vende-se e compra-se de tudo pela
internet, desde televisão e geladeira até passagens
aéreas e jóias. O comércio de eletrodomésticos
on-line cresceu 30% nos últimos doze meses, segundo a consultoria
e-bit, especializada no chamado e-commerce. No mesmo período,
a venda de telefones celulares pela rede aumentou 94% e a de cosméticos,
118%. A empresa aérea Gol, que revolucionou o mercado em
que atua, vende 74% de suas passagens por meio de seu site. Do total
de reservas feitas nas maiores redes hoteleiras do Brasil, 7% ocorrem
via internet, um aumento de 250% em dois anos.
O e-commerce cresce muito mais que o próprio
comércio varejista em geral as vendas via computador
aumentaram 46% no primeiro trimestre de 2004 em relação
ao mesmo período do ano passado, enquanto o varejo cresceu
apenas 7,5%. Esse crescimento exponencial se explica pelo fato de
que o comércio eletrônico é um território
novo e com grande potencial para crescer, o que não ocorre
com o comércio convencional. Neste, só há grandes
saltos quando a situação econômica do Brasil
atravessa momentos particularmente favoráveis, como no início
do Plano Real. "Na internet consigo comprar roupas e tênis
que não são vendidos nas lojas de Belo Horizonte",
diz Ana Gutierrez, de 29 anos, dona de uma academia de ginástica
na capital mineira. Além da possibilidade de adquirir produtos
que só existem em outros mercados, o comércio eletrônico
oferece outra grande vantagem: preços menores. Os produtos
vendidos na rede costumam ser mais baratos porque as companhias
gastam menos com a contratação de empregados e encargos
como o aluguel de espaço físico. Um único funcionário
do comércio eletrônico dá conta do trabalho
de outros cinco de uma loja de verdade.
Aos poucos, as empresas pontocom foram se
aperfeiçoando e começaram a criar mecanismos para
ganhar a simpatia dos consumidores. A pontualidade de entrega entre
as principais lojas on-line é de 95%. "Como muita gente tinha
receio de usar cartão de crédito, uma das estratégias
foi fechar parceria com bancos para que o cliente pudesse pagar
as contas por boleto bancário", diz Pedro Guasti, diretor-geral
da e-bit. As vendas pela internet aumentaram na mesma proporção
em que as pessoas passaram a confiar mais no comércio eletrônico.
"Depois que me acostumei a comprar pela internet, não parei
mais, virou um hábito", comenta o engenheiro paulista José
Natalino dos Santos, de 48 anos, que há dois adquiria CDs
e livros e hoje compra também eletroeletrônicos.
Essa mudança de comportamento do consumidor,
que passou a adquirir produtos mais caros, fez com que nos últimos
meses as grandes empresas de e-commerce conseguissem equilibrar
as contas e operar no azul. "O que mais vendemos são CDs,
livros e DVDs, mas 70% de nosso faturamento vem de produtos de maior
valor, como equipamentos de informática, eletrodomésticos
e eletroeletrônicos", observa André Shinohara, diretor
comercial e de marketing do site Submarino. Na rede Ponto Frio ocorre
fenômeno semelhante. Sua loja virtual é a que mais
fatura entre as 320 da companhia. "A explicação para
isso é que os clientes da internet são das classes
A e B e compram produtos mais caros que os clientes de nossas lojas
reais", diz Ike Zarmati, diretor executivo do Ponto Frio.
O comércio eletrônico também
começou a se consolidar no mercado de veículos. O
site Carsale, um dos maiores desse setor, vende 100 automóveis
zero-quilômetro por mês, quase o dobro de dois anos
atrás. Comprar um carro pela internet sai 2% mais barato
que nas concessionárias justamente porque as empresas pontocom
têm menos gastos com o negócio que as lojas de verdade.
Recentemente, a nova vedete do comércio eletrônico
brasileiro tem sido o setor de jóias. No fim de maio passado,
a três semanas do Dia dos Namorados, elas se tornaram o item
mais comercializado do site Submarino. Só mesmo a internet
permite que, sem sair de casa ou do escritório, se possa
escolher um mimo para alguém de quem se gosta, comprá-lo,
dividir o pagamento em parcelas e fazê-lo chegar às
mãos da pessoa no dia seguinte ou dois dias, se o
presenteado morar num sítio no meio do mato.
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