Edição 1862 . 14 de julho de 2004

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Mídia
Um negócio pioneiro

A Abril é o primeiro grupo de mídia do
Brasil a atrair investimento estrangeiro

Carol Carquejeiro/Valor/Ag. Globo
Roberto Civita (à dir.) e Maurizio Mauro: novo impulso


O Grupo Abril, que publica VEJA, tornou-se, na semana passada, o primeiro conglomerado de mídia brasileiro a atrair investimento estrangeiro com base na emenda constitucional aprovada há dois anos pelo Congresso Nacional e que viabilizou esse tipo de transação. A Capital International, Inc., do Capital Group, o terceiro maior administrador de fundos americano, associou-se à Abril em um negócio que injetou no grupo brasileiro 150 milhões de reais e equivale a 13,8% de seu capital. Como estabelece a norma legal, o sócio estrangeiro terá assento no Conselho de Administração, mas o controle da empresa e de seu conteúdo editorial permanece sob o comando de seu presidente, Roberto Civita, e de sua família. Com sete das dez revistas mais lidas no Brasil, a Editora Abril lidera amplamente o mercado, produzindo mais de 200 publicações que falam com 26 milhões de leitores. A Abril é também líder no setor de livros didáticos. As editoras Ática e Scipione, pertencentes ao grupo, publicam 40 milhões de livros por ano. Adicionalmente, a Abril controla a TVA, a primeira televisão por assinatura lançada no Brasil, e tem participação de 70% na MTV. O Capital Group administra cerca de 800 bilhões de dólares, e seu braço destinado a investimentos em empresas privadas fora dos Estados Unidos tem aplicações totais de 870 milhões de dólares.

Aportes de capital passaram a ser vitais para os grupos de mídia brasileiros, que, para poder investir nas novas tecnologias, como televisão a cabo, telefonia celular e internet nos anos 90, se endividaram pesadamente em moeda estrangeira. Com a desvalorização do real em 1999, a frustração dos empreendimentos de internet e a diminuição no ritmo de crescimento da economia brasileira, as dívidas tornaram-se uma enorme dor de cabeça. A associação entre a Abril e o Capital tem diversos significados positivos. Em primeiro lugar, a transação sinaliza a retomada do interesse dos investidores estrangeiros por empresas brasileiras. Isso reflete ao mesmo tempo a estabilização da economia, graças ao saneamento crescente das finanças públicas do Brasil, e a racionalização de métodos e gestão nas próprias empresas. Para a Abril, o investimento do Capital Group significa a recomposição do capital de giro e o abatimento de parte da dívida, o que aumenta sua capacidade de continuar crescendo.

"Essa operação também abre caminho para uma futura abertura de capital da Abril, idéia que vimos acalentando há algumas décadas", disse Roberto Civita. Concluída depois de um ano de intensas negociações, a injeção de capital estrangeiro na Abril premia os esforços da empresa para arrumar a casa e se gerir por princípios administrativos reconhecidos como eficientes pelos rigorosos investidores estrangeiros. "Graças ao modelo de governança corporativa que adotamos e aos ganhos de produtividade obtidos, o Grupo Abril ficou ainda mais atrativo aos investidores", disse Maurizio Mauro, presidente executivo da Abril.

 
 
 
 
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