Edição 1862 . 14 de julho de 2004

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"Essa fantástica reportagem nos enche de esperança. Um dia, os criminosos serão punidos e a corrupção será apenas uma lembrança ruim."
Jorge Jossi Wagner
Ribeirão Preto, SP

Corrupção

Parabéns a VEJA pela publicação da reportagem "As vitórias parciais contra a corrupção" (7 de julho), em que destaca o salto de qualidade das investigações e o descompasso do processo penal brasileiro, a permitir que manobras legais sejam levadas a efeito para manter os corruptos fora da cadeia, quase inatingíveis. Entretanto, essa constatação não chega a causar espécie num país tão acostumado às desigualdades, ao favorecimento do rico, do poderoso, que se serve, à vontade, do mecanismo do Estado, como se estivesse num "self-service" dos favores, da ocasião e da oportunidade. O único recurso do impotente cidadão brasileiro tem sido a mídia, que vem revelando as mazelas da injustiça, da inércia e da omissão estatal.
Denise Ladeira Costa Ferreira
Procuradora do Distrito Federal
Brasília, DF

A reportagem "As vitórias parciais contra a corrupção" faz duas afirmações que merecem ser refletidas e refutadas. A primeira, quando cita, em três oportunidades, que o trabalho do advogado criminal é protelar o processo. Na verdade, o criminalista atua para garantir a defesa à luz da Constituição, de forma que a pena não extrapole a culpa do acusado ou busque sua absolvição, caso seja inocente. É fundamental quebrar o mito sobre os "poderes mágicos" do advogado criminal ou de seu envolvimento com o crime, a ponto de defender a impunidade. Se há demora no processo, não é em razão do recurso do advogado, mas do tempo que a Justiça leva para decidir. Um exemplo dessa morosidade está no volume de 550.000 processos em grau de recurso, parados nos tribunais de São Paulo, que demoram de quatro a cinco anos para voltar a tramitar. A morosidade da Justiça é contrária aos interesses da advocacia e do cliente, porque eterniza a angústia do réu. A segunda afirmativa da reportagem que merece uma rediscussão está contida no boxe "Caçadores de corruptos". A OAB-SP tem profundo respeito pelo Ministério Público e pelo papel que exerce como titular da ação penal, objetivando a condenação do réu. Todavia, esse papel difere da investigação, que deve ser exercida por um braço isento do Estado, vocacionado e treinado para esse fim: a polícia judiciária, na esfera estadual e federal. Ao recolher as provas e desvendar o crime, encaminhando o inquérito ao MP, a polícia mantém o equilíbrio que se busca para uma decisão imparcial, uma vez que o Ministério Público é parte do processo.
Luiz Flávio Borges D'Urso
Advogado criminal, mestre e doutor em direito penal pela USP
Presidente da OAB-SP
São Paulo, SP

Sobre a reportagem de capa da edição 1 861 de VEJA, cabe destacar que, dos trinta processos penais abertos contra minha pessoa, já fui absolvido em 25. Exerci por cinco anos e meio os cargos públicos de deputado distrital e senador, não sofrendo nenhuma acusação de corrupção. Inexplicável a inclusão de meu nome na citada matéria, já que não sou réu em acusação de corrupção e fui inocentado no processo do TRT sobre o qual, inclusive, a revista VEJA deveria se atualizar, visto que as perícias judiciais concluídas no processo desmentiram a fantasiosa história, criada pelo MP, do desvio de 169 milhões de reais.
Luiz Estevão
Brasília, DF

A reportagem relata justamente o que ocorre na realidade. É importante conscientizar os leitores das verdadeiras causas da impunidade no Brasil: o excesso de recursos no decorrer do processo penal, os curtos prazos de prescrição no Brasil e o inchaço dos tribunais superiores, o STJ e o STF. Infelizmente, tais problemas ainda não foram enfrentados de forma corajosa por nossos legisladores. A reforma do Judiciário que está em trâmite não prestigia esses temas e por isso não acabará com a morosidade dos processos judiciais no Brasil.
Ryanna Pala Veras
Procuradora da República
Santo André, SP

A reportagem de capa da última semana serviu não só para refrescar a memória como, sobretudo, para nos despertar o senso de cidadania adormecido ultimamente. Quem ainda lembra o que fizeram Jorgina, Lalau, Luiz Estevão, Jader, João Alves? Na minha visão, o próprio sistema de leis vigente (anacrônico e obsoleto) e a progressiva mercantilização do acesso à Justiça é que geram a sensação de impunidade e a idéia de que o crime – sobretudo o de colarinho branco – compensa. Somem-se a isso a corrupção e a ignorância e está pronta a receita predileta das aves de rapina. Felizmente, para não cairmos de vez no breu da anarquia, existem publicações sérias como VEJA, cuja coragem desafia a arrogância das elites e a caneta dos poderosos, sem medo das conseqüências. Valeu. É para ler e guardar.
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
Recife, PE

 

Aliança política

Não me surpreendem mais as alianças políticas. Tudo isso mostra que eles se preocupam apenas com seus interesses pessoais, colocando-os bem acima dos interesses da população. E o povo? O povo que fique à mercê da própria sorte! Mas acredito que o brasileiro está aprendendo a votar e a identificar esses parasitas, que terão a resposta nas urnas ("É a geléia geral", 7 de julho)!
Hélder Fábio Cabral Barbosa
Gravatá, PE

 

Vereadores

Apesar de todos os problemas pelos quais passa a maioria dos brasileiros, com um famigerado salário mínimo, juros estapafúrdios, corrupção, violência, educação precária etc. etc., ainda assim acredito neste país. Ler a matéria "Fim da farra" (7 de julho) foi um alívio. Afinal de contas, quem ainda acredita que o Brasil vai piorar com menos vereadores?
Paulo Reckziegel
Pato Branco, PR

 

Evangélicos

Temos uma boa notícia em meio a tantas tragédias. A fé está mudando a vida de pessoas que antes trilhavam os becos do crime e agora caminham no desígnio do Criador. O que podemos esperar é que a fé dos evangélicos sirva de exemplo como instrumento apaziguador. O papel da religião não é criar preconceitos e diferenças que levam à guerra, mas, sim, unir e harmonizar ("A fé de resultados", 7 de julho).
Micheli Rueda Pinto
São Paulo, SP

Nos corredores da Febem percebem-se claramente os resultados do trabalho desenvolvido pelos pastores na recuperação de menores infratores. Esse mesmo resultado tem ocorrido no interior paulista, na parceria entre aquela instituição e as igrejas evangélicas. Esses homens simplesmente estão seguindo os passos do mestre Jesus Cristo. Ah, se todos seguissem...!
Renê Humberto Muniz Pereira
Jales, SP

 

PT

A reportagem "O PT marchou rumo às vagas no governo..." (7 de julho) contém, sobre o BNDES, erros de informação que necessitam ser reparados. O principal deles é o de que o BNDES cobra taxa de risco maior dos bons pagadores do que dos inadimplentes. Não existe tal prática nas relações do banco com seus mutuários. Aparentemente, a revista se baseia em declaração atribuída ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para a saraivada de críticas à diretoria do BNDES presidida pelo professor Carlos Lessa. De qualquer forma, o ex-presidente seria o brasileiro menos qualificado para opinar sobre o BNDES. Foi durante seus oito anos de governo que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social se transformou em banco de investimento, simples corretor de ativos preexistentes, que vendia bens públicos sem se importar com os interesses nacionais e nem mesmo com a qualidade bancária das transações. A equipe de técnicos, todos de carreira e concursados, que hoje ocupa as superintendências do BNDES – aliás, eram 27 no governo de FHC e hoje são treze – é, no mínimo, tão competente quanto a anterior.
Paulo Totti
Assessor de imprensa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
Rio de Janeiro, RJ

Louve-se o esforço de VEJA na sua luta contra a ingerência da política partidária em organizações como a Embrapa. Fui diretor e presidente da Embrapa e da Codevasf, ao todo dezessete anos. Sei quão forte é a pressão da política partidária e quão danoso pode ser o curvar-se aos seus caprichos. Ressalto, contudo, que a Embrapa criou mecanismo de escolha dos dirigentes de suas unidades que representa um grande avanço. O presidente Clayton cuida de proteger a Embrapa nos limites do possível. O ponto fraco do mecanismo existente é que inexiste uma lei do Congresso Nacional que o ponha a salvo do poder maior. Ou seja, ele pode ser revogado ou desrespeitado a qualquer momento por aquele poder. Ainda, o mecanismo não cobre a escolha da diretoria executiva da Embrapa. Por que o Congresso Nacional não cria uma lei que discipline a escolha de dirigentes, a exemplo do que se fez nos países desenvolvidos? VEJA não acerta na crítica à morosidade das licitações. Essa morosidade é ditada pelo contingenciamento dos recursos. Se continuar como está, orçamento minguado e contingenciamento de recursos, o governo Lula passará à história por ter matado a jóia da coroa, como é conhecida a Embrapa.
Eliseu Roberto de Andrade Alves
Pesquisador e ex-presidente da Embrapa e da Codevasf
Brasília, DF

A reportagem revela a fórmula matemático-financeira que constitui o fundamento da governabilidade petista: cargos em comissão + titulares petistas e/ou simpatizantes = dízimos para o PT. Essa contribuição tributária não tem controle externo, é óbvio. Resta aguardar a esperada mudança. Pois, se a situação vigente é um bem, não há bem que nunca acabe; se é um mal, não há mal que sempre dure.
Pedro Luís de Campos Vergueiro
São Paulo, SP

Não há preenchimento de cargos sem critério técnico na Embrapa. Os chefes dos centros de pesquisa têm mandato de dois anos, podendo ser reconduzido por mais dois. As substituições realizadas obedeceram a esse critério. A seleção, que é pública, a partir de 2003 inclui análise de perfil gerencial e ficou ainda mais rígida com relação à formação científica, pois, dos 28 chefes designados (e não dezenove, como afirma VEJA), 26 têm doutorado, freqüência maior em comparação aos que deixaram o cargo, dos quais 23 tinham doutorado. Continua a ser exigida experiência de dez anos e diploma de mestrado, no mínimo.
Paola Andrea Ligasacchi
Chefe da Assessoria de Comunicação Social – Embrapa
Brasília, DF

O diretor regional de Mato Grosso do Sul é o único carteiro do país a ocupar tal posição e possui curso superior completo pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Os carteiros que trabalham nos Correios representam 50% do efetivo da empresa, e uma grande parte possui nível superior ou está cursando alguma faculdade; por isso, não entendemos a discriminação "inclusive por carteiros". O destino das empresas públicas não pode estar limitado às mãos de uma pequena minoria, o que, nos Correios, com as amarras existentes anteriormente, representava 5% do efetivo, em um universo de 100 000 trabalhadores. Temos muitas pessoas qualificadas e capacitadas em nosso quadro de empregados que necessitam apenas de oportunidades para que possam comprovar isso.
João Rocha
Diretor regional – DR/MS
Campo Grande, MS

 

Diogo Mainardi

Lula "e seus partidários" posicionaram-se contrariamente à invasão do Iraque. Pronta razão, portanto, para Diogo Mainardi aderir à barbárie americana no Golfo Pérsico. A obsessão do colunista em contrapor-se ao presidente "e aos seus partidários" leva-o inclusive a justificar os atos de Bush no Iraque ("uma necessidade iraquiana"), condenados por segmentos bem díspares do pensamento mundial, aí incluída a metade da opinião pública dos EUA. Patético o "menino prodígio" de VEJA ("Bush não é um Saddam", 7 de julho).
Nivaldo da Costa Pereira
Cuiabá, MT

Há anos, VEJA oferece informação, cultura e lazer. Diogo Mainardi ensina que a revista pode, também, ajudar a formar críticos. A crítica é o resultado que se tem quando se decide questionar. E questionar é fundamental!
Allan Robert Paula de Jesus
Piacenza, Itália

 

Law Kin Chong

Refuto, com veemência, as inverdades a mim atribuídas por reportagem publicada na edição de VEJA de 7 de julho de 2004. Em nome da verdade, informo que sou sócia majoritária da empresa Marketing Consulting Ltda., que tem por objetivo a divulgação dos empreendimentos de meu marido, Law Kin Chong. Informo ainda que minha empresa jamais esteve envolvida em nenhuma atividade ilegal ou irregular. Reafirmo que eu e meu marido nunca participamos de nenhuma atividade ilegal. Considero levianas, mentirosas, injuriosas e caluniosas as afirmações feitas na referida reportagem, atribuídas a pessoas que se mantêm de forma covarde e ilegal no anonimato.
Hwu Su Chiu Law
São Paulo, SP

 

Correção: A Estação Finlândia fica em São Petersburgo, e não em Moscou, como informou a reportagem "Rumo à 'Estação INSS'" (7 de julho).

 

 
AS NOTAS E AS ACADEMIAS

VEJA tem publicado análises das melhores academias de ginástica em algumas capitais, em suas edições especiais regionais Viver Melhor. Com critérios definidos por especialistas, são atribuídas notas em diversos quesitos para cada academia. Na edição que circulou em Salvador (junho de 2004), a academia Hangar 45 acabou injustiçada na apresentação das informações sobre seus equipamentos e sua estrutura. Diferentemente do publicado, a Hangar 45 tem 31 bicicletas de spinning, e não oito, e dezesseis boxes nos vestiários, e não doze, além de oferecer loja de roupas e acessórios. Isso altera o total de pontos conquistados pela academia no ranking geral – de 3,7 para 3,9 – e faz da Hangar 45 a nona colocada.

 

UM BILHÃO DE GIGABYTES


Fabiano Silvestri, estudante de ciência da computação em São Paulo, leu a matéria "Uma prévia do futuro" (7 de julho) e, assim como outros cinco leitores, fez uma importante observação: "Um exabyte, sem 'h', realmente corresponde a 1 bilhão de gigabytes (mais precisamente 1 073 741 824 gigabytes). Um bilhão de gigabytes, porém, corresponde a 1 152 921 504 606 846 976 bytes (próximo ao quintilhão de bytes), e não a 1 bilhão de bytes, como está escrito no texto". Silvestri apresentou ainda uma tabela com algumas unidades de informática. Acompanhe:

1 byte = 8 bits
1 kilobyte = 1 024 bytes
1 megabyte = 1 024 kilobytes
1 gigabyte = 1 024 megabytes
1 terabyte = 1 024 gigabytes
1 petabyte = 1 024 terabytes
1 exabyte = 1 024 petabytes
1 zettabyte = 1 024 exabytes
1 yottabyte = 1 024 zettabytes

 
 
 
 
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