Edição 1960 . 14 de junho de 2006

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CINEMA

O Samurai do Entardecer (Tasogare Seibei, Japão, 2002. Em cartaz no Rio de Janeiro e breve em São Paulo) – Em meados do século XIX, Seibei Iguchi (o maravilhoso Hiroyuki Sanada), samurai do terceiro escalão, perde a mulher, endivida-se com o funeral e vai se descuidando até o ponto de incomodar os colegas com seus quimonos sujos e cabelos desgrenhados. Secretamente, porém, Seibei está feliz: viver para suas filhas, de 5 e 10 anos, é como ver flores desabrochando, diz ele. Se há um tema raro no cinema japonês é esse, o do afeto masculino – ainda mais tratado com a maestria do veteraníssimo diretor Yoji Yamada. Um dos casos infreqüentes em que a Academia acertou em cheio numa indicação ao Oscar de filme estrangeiro.

Amigo É para Essas Coisas (Zim & Co., França, 2005. Estréia nesta sexta-feira em São Paulo) – Filho de pai polonês e mãe francesa, 20 anos, Zim sofre um acidente com sua lambreta, é levado à delegacia e, por causa de um cigarro de maconha, se vê com apenas duas alternativas: arrumar um emprego com carteira assinada ou ir para a cadeia. Zim, que se desdobra em três bicos, tem de parar tudo para tentar se tornar um trabalhador registrado. Apesar da ajuda dos amigos Arthur, filho de africanos, e Cheb e Safia, argelinos, sua tentativa de virar um cidadão "honesto" o obrigará a cometer crimes bem mais graves. O diretor Pierre Jolivet – pai do protagonista, Adrien Jolivet – lança um olhar oportuno sobre o impasse que os jovens vivem na França de hoje.

 

LIVROS

Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mário de Carvalho (Companhia das Letras; 320 páginas; 45 reais) – Em romances como Era Bom que Trocássemos umas Idéias sobre o Assunto, o português Mário de Carvalho vem traçando retratos satíricos do Portugal contemporâneo. Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, porém, faz um recuo para o tempo em que Portugal ainda era Lusitânia, uma província romana. A história se passa no século II d.C., na cidade fictícia de Tarcisis, onde o magistrado romano Lúcio Valério Quíncio vive um amargo exílio. Em suas memórias, Lúcio retrata um momento crítico do Império Romano, acossado por bárbaros e pela ascensão de uma nova religião monoteísta – o cristianismo. Leia trecho.

 
AFP
Bertolt Brecht: contos de ironia filosófica  

Histórias do Sr. Keuner, de Bertolt Brecht (tradução de Paulo César de Souza; Editora 34; 144 páginas; 29 reais) – Um dos dramaturgos mais influentes do século XX, o alemão Bertolt Brecht (1898-1956) também é o criador de um misterioso personagem que figura em vários contos escritos ao longo de trinta anos: o senhor Keuner. Em textos curtos (são raros os que ultrapassam uma página), esse sábio pouco convencional destila uma filosofia irônica. Keuner às vezes é referido apenas pela inicial K., como o protagonista de O Castelo, de Kafka – e há mesmo qualquer coisa de kafkiano no personagem. A presente edição traz quinze contos até há pouco inéditos, descobertos em 2002, na Suíça, entre papéis de Brecht. Leia trecho.

 

DVD

Johnny Vai à Guerra (Johnny Got His Gun, Estados Unidos, 1971. Aurora) – Definitivamente, o único trabalho na direção do roteirista Dalton Trumbo não é para quem está à procura de diversão amena. Joe (Timothy Bottoms) é mortalmente ferido numa trincheira da I Guerra. Mas não morre: sem pernas, braços, rosto nem meios de mostrar que ainda há alguém ali dentro, ele sobrevive, e por muito mais tempo do que seria justo. Autor também do romance em que o filme se baseia, Trumbo passou quase duas décadas na lista negra do macarthismo, assinando seus scripts com pseudônimos. Ao fim desses anos de chumbo, deu o troco à perseguição com esse libelo rascante contra a vocação do militarismo para esconder seus erros mais medonhos.

 

DISCOS

 

Divulgação
Wolfmother: uma versão atualizada do Black Sabbath  

Wolfmother (Universal) – É cada vez mais comum roqueiros da nova geração buscarem referências nos anos 70. O duo White Stripes, por exemplo, inspira-se na sonoridade do Led Zeppelin. O trio australiano Wolfmother busca um molde mais sombrio: Andrew Stockdale (guitarra, vocais), Chris Ross (baixo, vocais) e Miles Heskett (bateria) formam uma versão atualizada do Black Sabbath, com vocal anasalado como o de Ozzy Osbourne e letras místicas. O disco tem pancadaria de primeira, como Witchcraft, The White Unicorn e Where Eagles Have Been. Nas duas últimas, a impressão é que os meninos pensaram em homenagear a saga O Senhor dos Anéis, mas desistiram da leitura no primeiro volume. A diversão, porém, é garantida.

 

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Cassandra Wilson: música eletrônica sem obviedades  

Thunderbird, Cassandra Wilson (EMI) – Desta cantora americana espera-se qualquer coisa, menos obviedade. Cassandra Wilson já adaptou para o jazz canções de Neil Young e do U2, gravou um disco influenciado pelos ritmos de Nova Orleans e transformou Only a Dream in Rio, uma das piores composições de James Taylor, em algo palatável. Em seu novo CD, ela investe na música eletrônica, com intervenções que passam longe do pancadão. O produtor T Bone Burnett se limitou a acrescentar samples e efeitos de bateria, além de convocar jazzistas acostumados às novidades do mundo pop – como o guitarrista Marc Ribot, que tocou até em discos de Marisa Monte. A receita rende momentos sublimes, como a levada funk de Going to Mexico.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel; Rio: Travessa, Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; Campo Grande: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Fnac, Sodiler, Submarino.
 
 
 
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