|
|
VEJA Recomenda
CINEMA O Samurai do Entardecer (Tasogare
Seibei, Japão, 2002. Em cartaz no Rio de Janeiro e breve em São
Paulo) Em meados do século XIX, Seibei Iguchi (o maravilhoso Hiroyuki
Sanada), samurai do terceiro escalão, perde a mulher, endivida-se com o
funeral e vai se descuidando até o ponto de incomodar os colegas com seus
quimonos sujos e cabelos desgrenhados. Secretamente, porém, Seibei está
feliz: viver para suas filhas, de 5 e 10 anos, é como ver flores desabrochando,
diz ele. Se há um tema raro no cinema japonês é esse, o do
afeto masculino ainda mais tratado com a maestria do veteraníssimo
diretor Yoji Yamada. Um dos casos infreqüentes em que a Academia acertou
em cheio numa indicação ao Oscar de filme estrangeiro. Amigo
É para Essas Coisas (Zim & Co., França, 2005.
Estréia nesta sexta-feira em São Paulo) Filho de pai polonês
e mãe francesa, 20 anos, Zim sofre um acidente com sua lambreta, é
levado à delegacia e, por causa de um cigarro de maconha, se vê com
apenas duas alternativas: arrumar um emprego com carteira assinada ou ir para
a cadeia. Zim, que se desdobra em três bicos, tem de parar tudo para tentar
se tornar um trabalhador registrado. Apesar da ajuda dos amigos Arthur, filho
de africanos, e Cheb e Safia, argelinos, sua tentativa de virar um cidadão
"honesto" o obrigará a cometer crimes bem mais graves. O diretor Pierre
Jolivet pai do protagonista, Adrien Jolivet lança um olhar
oportuno sobre o impasse que os jovens vivem na França de hoje.
LIVROS Um
Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mário de Carvalho (Companhia
das Letras; 320 páginas; 45 reais) Em romances como Era Bom que
Trocássemos umas Idéias sobre o Assunto, o português Mário
de Carvalho vem traçando retratos satíricos do Portugal contemporâneo.
Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, porém, faz um recuo para
o tempo em que Portugal ainda era Lusitânia, uma província romana.
A história se passa no século II d.C., na cidade fictícia
de Tarcisis, onde o magistrado romano Lúcio Valério Quíncio
vive um amargo exílio. Em suas memórias, Lúcio retrata um
momento crítico do Império Romano, acossado por bárbaros
e pela ascensão de uma nova religião monoteísta o
cristianismo. Leia
trecho. AFP
 |  | | Bertolt
Brecht: contos de ironia filosófica | |
Histórias
do Sr. Keuner, de Bertolt Brecht (tradução de Paulo César
de Souza; Editora 34; 144 páginas; 29 reais) Um dos dramaturgos
mais influentes do século XX, o alemão Bertolt Brecht (1898-1956)
também é o criador de um misterioso personagem que figura em vários
contos escritos ao longo de trinta anos: o senhor Keuner. Em textos curtos (são
raros os que ultrapassam uma página), esse sábio pouco convencional
destila uma filosofia irônica. Keuner às vezes é referido
apenas pela inicial K., como o protagonista de O Castelo, de Kafka
e há mesmo qualquer coisa de kafkiano no personagem. A presente edição
traz quinze contos até há pouco inéditos, descobertos em
2002, na Suíça, entre papéis de Brecht. Leia
trecho. DVD Johnny
Vai à Guerra (Johnny Got His Gun, Estados Unidos, 1971.
Aurora) Definitivamente, o único trabalho na direção
do roteirista Dalton Trumbo não é para quem está à
procura de diversão amena. Joe (Timothy Bottoms) é mortalmente ferido
numa trincheira da I Guerra. Mas não morre: sem pernas, braços,
rosto nem meios de mostrar que ainda há alguém ali dentro, ele sobrevive,
e por muito mais tempo do que seria justo. Autor também do romance em que
o filme se baseia, Trumbo passou quase duas décadas na lista negra do macarthismo,
assinando seus scripts com pseudônimos. Ao fim desses anos de chumbo, deu
o troco à perseguição com esse libelo rascante contra a vocação
do militarismo para esconder seus erros mais medonhos. DISCOS
Divulgação
 |  | | Wolfmother:
uma versão atualizada do Black Sabbath | |
Wolfmother
(Universal) É cada vez mais comum roqueiros da nova geração
buscarem referências nos anos 70. O duo White Stripes, por exemplo, inspira-se
na sonoridade do Led Zeppelin. O trio australiano Wolfmother busca um molde mais
sombrio: Andrew Stockdale (guitarra, vocais), Chris Ross (baixo, vocais) e Miles
Heskett (bateria) formam uma versão atualizada do Black Sabbath, com vocal
anasalado como o de Ozzy Osbourne e letras místicas. O disco tem pancadaria
de primeira, como Witchcraft, The White Unicorn e Where Eagles
Have Been. Nas duas últimas, a impressão é que os meninos
pensaram em homenagear a saga O Senhor dos Anéis, mas desistiram
da leitura no primeiro volume. A diversão, porém, é garantida.
Divulgação
 |  | |
Cassandra Wilson: música eletrônica sem obviedades | |
Thunderbird, Cassandra Wilson (EMI) Desta
cantora americana espera-se qualquer coisa, menos obviedade. Cassandra Wilson
já adaptou para o jazz canções de Neil Young e do U2, gravou
um disco influenciado pelos ritmos de Nova Orleans e transformou Only a Dream
in Rio, uma das piores composições de James Taylor, em algo
palatável. Em seu novo CD, ela investe na música eletrônica,
com intervenções que passam longe do pancadão. O produtor
T Bone Burnett se limitou a acrescentar samples e efeitos de bateria, além
de convocar jazzistas acostumados às novidades do mundo pop como
o guitarrista Marc Ribot, que tocou até em discos de Marisa Monte. A receita
rende momentos sublimes, como a levada funk de Going to Mexico. |