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Cinema Trash
não é lixo Depois de um
trauma, nada como um terror barato  Isabela
Boscov
Divulgação
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Seres: o pior já passou |
Numa
espécie de prelúdio para o lançamento, em agosto, de um dos
filmes mais aguardados do ano Serpentes a Bordo, que trata, bem,
de cobras num avião , estréia nesta sexta-feira no país
outra pérola da literalidade e do trash: Seres Rastejantes (Slither,
Estados Unidos/Canadá, 2006). Ele fala, evidentemente, de criaturas que
se arrastam. E elas, como de praxe, vêm do espaço, começam
inofensivas e logo põem em xeque o futuro da humanidade. Não que,
na visão do diretor James Gunn, a espécie ou seu futuro fossem lá
grande coisa: descontado o par central, formado pelos simpáticos Nathan
Fillion e Elizabeth Banks, os moradores da cidade em que se passa a história
parecem a terceira geração de um acidente nuclear, tal a feiúra
à mostra. Quando esse pessoal vira parte de um mesmo e viscoso organismo,
nem dá para notar que eles pioraram. É difícil estimar a
importância de filmes como Seres Rastejantes ou o ainda inédito
Serpentes a Bordo. Sintomáticos de períodos que se seguem
a traumas no caso, o 11 de Setembro e a disseminação do terrorismo
, eles ao mesmo tempo mostram que o pior do choque já foi absorvido
e sugerem novas maneiras de lidar com inquietações latentes: por
meio do humor, da paródia e, por que não, do exagero. Educado num
dos santuários do terror ultrabarato, o estúdio Troma, o diretor
Gunn sabe que o trash não é brincadeira. É um sacerdócio.
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