Edição 1960 . 14 de junho de 2006

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Cinema
Trash não é lixo

Depois de um trauma, nada
como um terror barato


Isabela Boscov

 

Divulgação

Seres: o pior já passou

Numa espécie de prelúdio para o lançamento, em agosto, de um dos filmes mais aguardados do ano – Serpentes a Bordo, que trata, bem, de cobras num avião –, estréia nesta sexta-feira no país outra pérola da literalidade e do trash: Seres Rastejantes (Slither, Estados Unidos/Canadá, 2006). Ele fala, evidentemente, de criaturas que se arrastam. E elas, como de praxe, vêm do espaço, começam inofensivas e logo põem em xeque o futuro da humanidade. Não que, na visão do diretor James Gunn, a espécie ou seu futuro fossem lá grande coisa: descontado o par central, formado pelos simpáticos Nathan Fillion e Elizabeth Banks, os moradores da cidade em que se passa a história parecem a terceira geração de um acidente nuclear, tal a feiúra à mostra. Quando esse pessoal vira parte de um mesmo e viscoso organismo, nem dá para notar que eles pioraram. É difícil estimar a importância de filmes como Seres Rastejantes ou o ainda inédito Serpentes a Bordo. Sintomáticos de períodos que se seguem a traumas – no caso, o 11 de Setembro e a disseminação do terrorismo –, eles ao mesmo tempo mostram que o pior do choque já foi absorvido e sugerem novas maneiras de lidar com inquietações latentes: por meio do humor, da paródia e, por que não, do exagero. Educado num dos santuários do terror ultrabarato, o estúdio Troma, o diretor Gunn sabe que o trash não é brincadeira. É um sacerdócio.

 
 
 
 
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