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Comportamento Uma
questão de opção
Vencida a desconfiança inicial, mulheres aderem à vida sem menstruação
 Laura
Ming
Carol
Carqueiro
 | | Maíra,
que usa implante: "Dor igual à de piercing" |
Menstruar
já foi transtorno inevitável na vida das mulheres, daqueles com
que se aprendia a conviver, já que não havia outro jeito, visto
que não menstruar, salvo em períodos de gravidez, era pior
sinal de problema na certa. A chegada ao mercado de uma nova geração
de anticoncepcionais de duração mais prolongada, na virada desta
década, acenou pela primeira vez com a possibilidade ampla e irrestrita
de a mulher driblar a menstruação e a concepção, por
meio de injeções, implantes subcutâneos e um tipo de DIU,
todos à base de progesterona (veja
quadro), por meses, até anos. No começo, houve certa
desconfiança. Aos poucos, porém, elas foram experimentando, aprendendo
a confiar e aceitando. "Comparada com a de cinco anos atrás, a demanda
pelo anticoncepcional de longa duração dobrou", afirma o ginecologista
Eduardo Zlotnik, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Segundo os
especialistas, as maiores interessadas são mulheres entre 20 e 30 anos.
"Elas estão entrando no mercado de trabalho e não querem o incômodo
da menstruação. Hoje, metade das minhas pacientes nessa faixa etária
pede para não menstruar", diz o ginecologista Fernando de Paula, da Universidade
Estadual de Londrina. O tratamento também é bastante procurado por
mulheres que já tiveram filhos, não querem mais engravidar e aprenderam
a aliar anticoncepcional a conforto.
A própria pílula comum, em cartelas de 21 dias, mudou de propósito:
antes, ao chegar ao fim da cartela, a mulher parava, menstruava e só depois
retomava o tratamento; agora, simplesmente emenda uma na outra, podendo a pílula
ser de estrógeno e progesterona ou só de progesterona. Vanessa França,
psicóloga de 25 anos, toma pílula de progesterona há três
anos. "Eu tinha TPM muito forte, ficava muito irritada. Parar de menstruar só
me trouxe benefícios. Como não fico mais ansiosa, não como
tanto chocolate e emagreci. Até minha unha melhorou", elogia Vanessa, que,
se tudo correr como planeja, só vai suspender o tratamento quando resolver
engravidar e voltará rapidamente a ele depois. Os médicos
recomendam um mínimo de cinco anos após a primeira menstruação,
fase ainda de crescimento e outras transformações hormonais, antes
de a mulher decidir por sua supressão pura e simples. A estudante de artes
cênicas Maíra Maya, 20 anos, cumpriu o prazo e nem mais um dia antes
de implantar no braço um bastonete de progesterona, eficaz por três
anos. "A dor da aplicação é muito tolerável, como
a de um piercing", compara Maíra, que tem um brinco no nariz e já
fez tatuagem. A paciente que opta por não menstruar em geral não
sofre nenhuma resistência de seu médico; a maioria não vê
problema na supressão da menstruação por períodos
prolongados. "Não há evidência de que faça mal e é
uma maneira de melhorar a qualidade de vida", afirma Zlotnik.
Sem intervalo
Os produtos mais usados para eliminar a menstruação da vida
das mulheres são:
Ana
Fassone
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Pílula
O que é: anticoncepcional comum, composto de estrógeno
e progesterona, ingerido sem pausa, emendando uma cartela na outra. Para as mulheres
que não reagem bem ao estrógeno ou estão amamentando, existem
pílulas de progesterona, também tomadas sem interrupção
Preço: de 20 a 25 reais a cartela
Injeção de progesterona O
que é: uma dose única do hormônio que fica depositada
no tecido subcutâneo e vai sendo liberada aos poucos no organismo. Deve
ser repetida a cada três meses. Preço médio: 20
reais a aplicação
Implante O que é: um bastonete
do tamanho de um palito de fósforo é introduzido no braço,
na altura do cotovelo, liberando progesterona, aos poucos, durante três
anos Preço médio: 1 200 reais a aplicação
Divulgação
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DIU O
que é: dispositivo em formato de T, introduzido no útero, que
libera pequenas doses de progesterona ao longo de cinco anos. Ao contrário
dos outros, tem ação apenas local Preço médio:
1 500 reais
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