Edição 1960 . 14 de junho de 2006

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Copa
O maior espetáculo da Terra

Um bom jogo e uma bela festa abrem
o mais grandioso dos eventos globais


Carlos Maranhão, de Frankfurt

 

Michael Steele/Getty Images

Alemanha no ataque: recorde no primeiro jogo

Está no ar o maior espetáculo da Terra. Na sexta-feira passada, em Munique, no mais impressionante dos doze grandiosos estádios que a Alemanha construiu ou reformou para se transformar durante 31 dias no centro das atenções do globo, foi dada a saída do único evento esportivo capaz de prender a respiração e disparar os corações da humanidade quase completa. A 18ª Copa do Mundo começou na sexta-feira como se esperava, com uma vitória dos donos da casa. Diante da modesta Costa Rica, participante de seu terceiro Mundial, a sempre temida seleção alemã, que já foi campeã mundial três vezes e vice em quatro ocasiões, ganhou por 4 a 2. Jamais um jogo de abertura de Copa, que em geral termina com um placar magro, teve tantos gols. Não pelo previsível resultado, mas por ser a anfitriã, pelo retrospecto e pela qualidade de craques como Michael Ballack, que se lesionou na panturrilha direita e acabou não jogando, a Alemanha está entre os favoritos da competição. Na festa que antecedeu o jogo, como sempre não faltou Pelé, que, com um estranho paletó de fraque e uma camisa anil, ergueu a taça ao lado de uma das glórias dos donos da casa, a übermodel Claudia Schiffer.

A partir de agora, nações diminutas como Trinidad e Tobago, anônimo ponto do Caribe com população de 1,3 milhão de pessoas, e superpotências da economia e da bola, em um arco que vai dos Estados Unidos ao Brasil ou do Japão à Argentina, levam o mundo a praticamente parar em intervalos de noventa minutos. Estima-se que, na maioria dos 32 países participantes, 95% dos televisores ficarão ligados durante a transmissão dos jogos de suas seleções. Juntos, eles têm cerca de 1,4 bilhão de habitantes, mas a Copa do Mundo envolveu 194 seleções na fase eliminatória. Ou seja, virtualmente o mundo inteiro. Mais de 200 países receberão as imagens. Numa projeção megalômana, impossível de ser medida, a Fifa, que desde 1904 controla o futebol internacional, acredita que a audiência acumulada final, na qual se considera que todos os seres humanos acompanharão na média cinco partidas, alcançará o inacreditável total de 30 bilhões de pessoas.

Embora pareça um exagero, as cifras envolvidas na Copa refletem suas colossais dimensões. A organização custou à Fifa 2,8 bilhões de reais. Uma parte do dinheiro vai para as seleções. Elas receberão no mínimo 11 milhões de reais, se não passarem da primeira fase. O pagamento aumentará nas fases seguintes, e quem for campeão colocará 45 milhões de reais no cofre. Esse investimento foi recuperado antes mesmo que o árbitro argentino Horacio Elizondo soprasse seu apito em Munique. Só a venda dos direitos de transmissão, comprados por cerca de 300 emissoras de TV, rendeu mais que isso: 3 bilhões de reais.

Na outra fatia gorda dessa máquina de multiplicar dólares, euros e francos suíços, entraram na caixa-forte da sede da Fifa, em Zurique, 1,8 bilhão de reais de 21 patrocinadores e fornecedores. Cada um deles, desde gigantes multinacionais, como Coca-Cola, Budweiser, Gillette, McDonald's e Philips, até poderosas empresas alemãs, paga entre 100 milhões e 110 milhões de reais para poder associar sua marca ao evento. Os valores vão se multiplicar nas próximas duas Copas, em 2010, na África do Sul, e em 2014, possivelmente na América do Sul (a CBF está empenhada em realizá-la no Brasil). "Em alguns casos, as cifras vão dobrar e em seguida dobrar de novo", disse a VEJA o argentino Julio Grondona, presidente do comitê de finanças da Fifa. "Um dos contratos já está acertado", acrescenta, referindo-se à entrada em cena da Visa, que substituirá a Mastercard como administradora do cartão de crédito associado ao Mundial. Para tanto, a Visa pagará 430 milhões de reais até 2014. A Mastercard, porém, entrou com uma ação contra a Fifa, na Justiça americana, reivindicando a renovação do patrocínio.

A Alemanha, sozinha, gastou 4,3 bilhões de reais para erguer três estádios e reconstruir oito, entre os quais o de Berlim, palco da histórica Olimpíada de 1936, quando Adolf Hitler abandonou irritado a tribuna de honra para não entregar uma medalha de ouro ao atleta negro americano Jesse Owens. Lá também, em 1974, foram disputados jogos da Copa do Mundo promovida pela então Alemanha Ocidental. Nos estádios de 2006 cabem, confortavelmente sentadas, 623.200 pessoas. Três milhões de bilhetes foram postos à venda. Para comprar um deles, o preço é alto. Os ingressos mais baratos, há muito esgotados, eram oferecidos a 100 reais. Os mais caros, na decisão, custam 1.700 reais. Mas alguns saem por muito mais. Uma empresa suíça credenciada pela Fifa oferece pacotes vip que incluem serviço de bufê com lagosta e champanhe. O mais extravagante deles é um camarote nos seis jogos de Berlim, com espaço para 22 torcedores. Está à venda: 445.000 reais.

 
 
 
 
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