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Economia e Negócios Vai
arremeter? O futuro da Varig poderá ser decidido
nesta semana, sem que o governo pague a conta  Ronaldo
França
Gustavo
Miranda/Ag. O Globo
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O
Brasil que pode dar certo mostrou sua face na semana passada. Apesar de toda a
comoção que cercou o leilão de venda da Varig, o governo
manteve prudente distância da confusão. Durante o pregão,
somente um grupo de funcionários se habilitou a comprar a companhia
e, ainda assim, por apenas metade do lance mínimo. Há dúvidas
sobre de onde viria o dinheiro para pagar a primeira parte dos 450 milhões
de dólares oferecidos. Os funcionários não revelaram quem
seriam seus financiadores e havia desconfiança se estes de fato existiriam.
Coube então ao juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial do
Rio de Janeiro, julgar se a proposta era viável. Reside aí o maior
ganho para o país, independentemente de qual for o seu julgamento, adiado
para esta semana. O destino da maior empresa aérea brasileira está
entregue à Lei de Recuperação Judicial, o mecanismo institucional
adequado. Longe, portanto, do discurso nacionalista que durante muito tempo premiou
a incompetência local com favores desmedidos.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) avisou que,
caso venha a financiar parte da aquisição, não abrirá
mão de suas normas. Não se poderá, como aconteceu no passado,
lançar mão do dinheiro público para fazer mais largo o sorriso
privado. É um avanço e tanto. Durante muito tempo a empresa trocou
favores com o governo e tinha uma flagrante sensação de que, mesmo
ineficiente, jamais ficaria ao relento. A crise no setor aéreo, agravada
com o baque econômico provocado pelo atentado de 11 de setembro de 2001,
nos Estados Unidos, só tornou mais difícil um ambiente já
há muito prejudicado. Os sucessivos planos econômicos causaram prejuízos
a todo o setor, devido principalmente ao congelamento de tarifas, que ainda está
sendo discutido na Justiça. Mas uma boa parte dos problemas da Varig se
deve à forma como a própria empresa vem sendo gerida, com atávica
resistência a adotar práticas empresariais mais saudáveis.
Para continuar operando, a companhia precisa saldar imediatamente dívidas
de 110 milhões de dólares. Terá ainda pela frente outros
8 bilhões de dólares a quitar com seus credores. Existem mais dúvidas
do que certezas sobre as chances de sucesso do empreendimento, caso a Justiça
referende o resultado do leilão. Uma das principais é se o grupo
de funcionários que pretende comprar a Varig será capaz de modernizar
uma estrutura que seus representantes, no comando da empresa, mantiveram arcaica.
Nada disso significa que a operação esteja condenada a inevitável
fracasso. Dividir o risco da salvação com todos os brasileiros é
que seria um fracasso.
A
última chance
Com a falência batendo à
porta da Varig, seus funcionários tentam a última cartada para manter
a companhia no ar. Os números mostram a dificuldade da tarefa
A empresa precisa, imediatamente, de 110 milhões de dólares
para continuar operando
As dívidas somam 8 bilhões de reais
A oferta no leilão foi de 450 milhões de dólares.
O lance mínimo estipulado era de 860 milhões de dólares
Sua participação no mercado doméstico reduziu-se
de 38% para 16,5% nos últimos três anos
A participação nas linhas internacionais, que já foi
de 100%, hoje é de 66%
Tem 60 aeronaves, 14 delas em manutenção. Tinha 82
em 2002 | | |