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Internacional O
beijo da morte de Chávez A eleição
de Alan García, no Peru, mostra que o apoio do presidente da Venezuela
nem sempre ajuda e pode até atrapalhar um candidato  Diogo
Schelp
Rodrigo
Buendia/AFP
 | | García:
ele se elegeu com a promessa de um governo bem diferente do de Chávez |
O
psiquiatra venezuelano Edmundo Chirinos analisou da seguinte maneira a personalidade
de seu amigo Hugo Chávez, presidente da Venezuela: "Chávez prefere
abraçar sonhos que pareçam impossíveis a se confrontar com
a dura realidade da vida". Em política externa, a ambição
de Chávez é colocar clones no maior número possível
de países latino-americanos. A dura realidade é que o presidente
venezuelano se tornou, em alguns casos, um apoio inconveniente. Na Bolívia,
o dinheiro e a torcida efusiva de Chávez ajudaram a eleger Evo Morales.
Em alguns lugares, ao contrário, a ligação com o venezuelano
tem feito mais mal do que bem a seus amigos. Isso se tornou evidente na semana
passada, com a eleição em segundo turno de Alan García no
Peru. Os peruanos não votaram em García por convicção
de estar escolhendo um bom governante uniram-se em torno de seu nome para
escapar ao populista Ollanta Humala, o candidato de Chávez. O empenho era
de tal ordem que o coronel ameaçou romper relações diplomáticas
caso Humala perdesse. Alan García
admite que deve sua vitória à oposição que lhe fez
o venezuelano. Como presidente, entre 1985 e 1990, ele foi um desastre. A bordo
de uma plataforma populista, García nacionalizou os bancos, deu calote
na dívida externa, empurrou a economia para a hiperinflação
e perdeu o controle do interior para os ensandecidos guerrilheiros do Sendero
Luminoso. Tão fartos estavam os peruanos do discurso populista de esquerda
que elegeram Alberto Fujimori, um empresário que prometia fazer tudo ao
contrário e acabou fugindo do país para não ser preso por
corrupção. Durante a campanha eleitoral, García garantiu
governar desta vez com responsabilidade fiscal e sem medidas populistas. O que
disse, sobretudo, foi que não seria um novo Chávez.
Uma pesquisa de opinião divulgada um mês antes da votação
mostrou que 61% dos peruanos têm uma imagem negativa de Chávez. "O
país deu uma mensagem de soberania e independência nacional e derrotou
a tentativa do senhor Chávez de nos incorporar à sua estratégia
expansionista", afirmou o vitorioso García. Foi a segunda derrota de Chávez
em poucas semanas. A primeira foi a reeleição de Álvaro Uribe,
na Colômbia. Nesse caso, os eleitores endossaram uma política antichavista
por excelência: o primeiro mandato de Uribe foi marcado pela aproximação
com os Estados Unidos, pela atração de investimentos externos e
por atritos diretos com o vizinho venezuelano.
A maldição eleitoral de Chávez agora ameaça Andrés
Manuel López Obrador, no México. Obrador, político com vocação
populista, liderou durante seis meses as pesquisas de intenção de
voto para as eleições presidenciais que acontecem em 2 de julho.
Nesse período, teve a sorte de Chávez ter se mantido relativamente
alheio à disputa mexicana. Em abril, a campanha do adversário, Felipe
Calderón, colocou um anúncio na televisão que mostrava duas
imagens parecidas: Obrador e Chávez surgem, em momentos diferentes, mandando
o presidente mexicano Vicente Fox calar a boca. A semelhança entre os dois
políticos foi o suficiente para assustar os mexicanos. Obrador desabou
nas pesquisas e empatou com Calderón.
Na Nicarágua, o apoio de Chávez ao sandinista Daniel Ortega, o preferido
nas pesquisas para as eleições presidenciais de 5 de novembro, inclui
a entrega de combustível venezuelano, a preços camaradas, para as
prefeituras dominadas pelos sandinistas. Os adversários de Ortega consideram
isso um financiamento disfarçado da campanha eleitoral o que é
a pura verdade. Trata-se de estratégia recorrente de Chávez. Desde
1999, quando assumiu o poder, ele já gastou 25 bilhões de dólares
provenientes da renda do petróleo (a Venezuela é o quinto maior
exportador mundial do produto) para comprar influência em países
vizinhos. Um dos perigos da petrodiplomacia de Chávez é não
reconhecer derrotas eleitorais. Onde o presidente venezuelano não consegue
influir nas decisões governamentais como vem fazendo na Bolívia,
inspirando mudanças na Constituição e definindo a política
de expropriação do gás natural , ele investe numa diplomacia
paralela, financiando desordeiros e golpistas. Antes de ser eleito presidente
da Bolívia, Evo Morales, com apoio financeiro de Chávez, liderou
protestos que derrubaram dois presidentes. O governo do Equador já acusou
Chávez de incentivar, por baixo dos panos, manifestações
violentas contra o acordo de livre-comércio que o país negociava
com os Estados Unidos. Esses antecedentes representam uma má notícia
para Alan García: é bem provável que o presidente venezuelano
não desista de influir na política interna do Peru. Por bom motivo:
o partido do pupilo Humala elegeu para o Congresso nove deputados a mais que o
Apra de García.
UM APOIO QUE ATRAPALHA
Tudo ia bem para Humala até Chávez trocar ofensas com García,
do Peru. A associação com Chávez também é ruim
para as campanhas de Ortega, da Nicarágua, e Obrador, do México.
PERU OLLANTA HUMALA
NICARÁGUA DANIEL ORTEGA
MÉXICO ANDRÉS OBRADOR | |
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