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Diogo
Mainardi A última sobre Dantas
"Dantas
perguntou ao empreiteiro Sérgio Andrade qual era o papel de Lula
no esquema do mensalão. Andrade, que é amigo de Lula, respondeu
que o presidente não apenas sabia de tudo, como comandava o esquema"
Daniel Dantas já enjoou. Eu
sei. Esta é minha última coluna sobre ele. Não quero virar
um Mino Carta. Volto ao assunto apenas porque preciso me livrar de todo o material
que acumulei nos últimos meses e que agora, com o acordo entre Daniel Dantas
e Lula, perdeu a validade. Nada do que eu disser terá efeito prático.
Dane-se. O que me interessa é esclarecer alguns pontos que ainda permanecem
no ar. Meu primeiro contato com Daniel
Dantas e seus homens ocorreu em setembro do ano passado, depois que publiquei
duas colunas acusando-o de ter financiado o mensalão. De lá para
cá, foram muitos outros encontros, que me permitiram reconstruir suas idas
e vindas com o governo. O que Daniel Dantas e seus homens me contaram confidencialmente
foi o seguinte: Em meados de
2002, Naji Nahas informou a Daniel Dantas que o presidente da Telemar, Carlos
Jereissati, tinha assinado um acordo com o PT, em troca de dinheiro para a campanha
eleitoral. Pelo acordo, o governo tomaria a Brasil Telecom de Daniel Dantas e
a entregaria à Telemar.
Daniel Dantas reagiu da única maneira que conhece, oferecendo ele também
dinheiro para a campanha de Lula. Em 30 de setembro de 2002, depois de tratar
com Delúbio Soares e Antonio Palocci, um de seus homens entregou-lhes 2
milhões de dólares, num hotel em São Paulo.
Quando Lula foi eleito, o presidente do Banco do Brasil,
Cássio Casseb, assumiu o comando da trama lulista para tomar a Brasil Telecom.
Daniel Dantas me mostrou uma carta de Casseb à diretoria do Citigroup.
Na carta, Casseb afirmava que Lula odiava Daniel Dantas e que faria de tudo para
tirá-lo da Brasil Telecom.
Daniel Dantas teve acesso também a um documento que relata o encontro entre
a diretoria internacional do Citigroup e Lula. O principal assunto do encontro
era a retirada de Daniel Dantas da Brasil Telecom. Lula alega que nunca soube
da bandalheira que ocorria à sua volta, mas o fato é que ele interferiu
pessoalmente numa disputa comercial, pressionando um banco estrangeiro a favorecer
um grupo privado que o financiava em detrimento de outro.
Daniel Dantas perguntou ao empreiteiro Sérgio
Andrade, da Andrade Gutierrez, qual era o papel de Lula no esquema do mensalão.
Sérgio Andrade, que é amigo de Lula, respondeu que o presidente
não apenas sabia de tudo, como comandava o esquema.
O resto da história já foi contado aqui e em outras matérias
de VEJA, do achaque de 50 milhões de dólares praticado por Delúbio
Soares à ajuda prestada por Daniel Dantas para acobertar o superfaturamento
da empresa do filho de Lula. O único ponto que resta em aberto é
a Kroll. Daniel Dantas conta que contratou a empresa para investigar um suposto
desvio de dinheiro do presidente da Telecom Italia, Roberto Colaninno, na compra
da CRT. Quando o caso de espionagem veio à tona, Daniel Dantas temeu ser
preso. Um agente da Kroll foi contratado então para descobrir os dados
bancários de Lula e de seus ministros no exterior. A lista que ele apresentou
é aquela que está em poder do procurador-geral da República.
Daniel Dantas tratou de desmerecer publicamente o trabalho do agente da Kroll,
considerando seus achados inverossímeis. Em particular, ele e seus homens
são muito menos céticos. Eles acreditam no agente da Kroll. Eu também.
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