Edição 1960 . 14 de junho de 2006

Índice
Millôr
Lya Luft
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja.com
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"Apesar dos 250 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza,
o sentimento que temos ao visitar
a Índia é de conforto e segurança."
Wilson Melo Lima Júnior
Belo Horizonte, MG

Índia

Finalmente li uma reportagem condizente com o que a Índia é realmente ("Índia – Avanço, mas não de tigre. De elefante", 7 de junho). Estive nesse país em março passado e me decepcionei com a pobreza e a falta de infra-estrutura. Esperava encontrar um país muito melhor, pois essa é a imagem que as reportagens das revistas econômicas passam para as pessoas. A analogia comparando a Índia a um elefante foi perfeita. Um país que está se desenvolvendo mas carregando um peso enorme junto.
Nelson Barão Freire
Ilhéus, BA

O mais impressionante é que com tantos problemas, principalmente devido ao gigantesco contingente populacional, a Índia está há anos obtendo esse expressivo índice de crescimento. Isso serve de exemplo para nós, que somos do eterno "país do futuro".
Marcos César De Rosa
Joinville, SC

As contradições advindas do confronto entre o velho e o novo na Índia estão por toda parte, desde a tecnológica Mumbai até a miserável Bodhgaya. Causa espanto a precariedade do sistema de águas e saneamento, ainda que o país lance satélites ao espaço e possua tecnologia nuclear.
Maria das Graças Targino
Teresina, PI

O crescimento econômico de um povo é o reflexo de seu desenvolvimento moral e espiritual. O maior empecilho ao avanço dessas novas potências é o crescimento da fé cega e do fundamentalismo. O fundamentalismo e o terrorismo são os maiores obstáculos ao desenvolvimento de um mundo global, sem fronteiras, sem religiões separadas e exclusivistas, sem discriminação, sem guerras. Espero sinceramente que a Índia consiga superar sua miséria e seus antigos e complexos problemas.
Adriano de Jesus Batista
Salvador, BA

Como membro da sociedade indiana em São Paulo, eu gostaria de cumprimentá-los pela reportagem maravilhosa e verdadeira. Estamos no Brasil há trinta anos e visitamos a Índia anualmente. Sentíamos muita falta de ler uma reportagem tão fiel à realidade, e não queríamos perder a oportunidade de lhes dizer isso. Parabéns.
Lakhi Daswani
São Paulo, SP

 

Geraldo Alckmin

Tem razão o senhor Geraldo Alckmin (Amarelas, 7 de junho) quando diz que o povo está indignado. E muito. Porém, ele não está conseguindo se posicionar firmemente contra os muitos erros do governo Lula. Utiliza um linguajar distante do povo, muito acadêmico. Não se apresenta com firmeza. Não desperta atenção nem interesse. Se continuar assim, não eletrizará a campanha e será derrotado.
Waldemar Baggio
Curitiba, PR

Excelente a entrevista com o ex-governador Geraldo Alckmin. Durante todo o tempo ele mostrou preparo e coerência. Concordo plenamente com ele quando fala das intenções de voto no presidente Luiz Inácio "Nunca Sei de Nada" Lula da Silva. Psicologicamente, ele está derrotado.
Julio Cesar de Oliveira Alvarez
Hamamatsu-shi, Shizuoka-ken, Japão

Alckmin conseguiu resumir a desenvoltura intrigante de Luiz Inácio Lula da Silva numa frase: nosso presidente "é cara-de-pau"! E, lamentavelmente, parece que tem muita gente a fim de dar um belo lustro nela.
Leila Maria Taveira Monteiro
Niterói, RJ

A pergunta que fica é se Geraldo Alckmin consegue virar o jogo sendo tão ético quanto Mário Covas. Será necessário colar na testa do presidente de má memória todas as chagas de sua administração, caso contrário teremos não um mensalão, mas um "quadrienão", num nefasto segundo mandato no qual nossos vizinhos poderão pedir a revisão do Tratado de Tordesilhas.
Paulo Cesar Lage Barbosa
Por e-mail

É necessária uma renovação geral no quadro político brasileiro, que anda viciado com esse sistema pré-histórico. Alckmin, em seu discurso, transmite um tom de reforma, confirmado nessa excelente entrevista.
Felipe Melo de Barros Souto
Recife, PE

 

Heloísa Helena

Num país com mais da metade do eleitorado do sexo feminino, já está mais do que na hora de termos uma candidata à Presidência. Independentemente do tamanho do machismo brasileiro, o direito de poder escolher se queremos ou não votar numa candidata já me parece um progresso. Boa sorte e muita força, candidata ("Candidata arretada", 7 de junho)!
Graça de Oliveira Berger
Amsterdã, Holanda  

As mulheres estão muito mal representadas dentro da política brasileira. São governadoras, prefeitas, deputadas e vereadoras sendo sempre "dirigidas" por "garotinhos" de duvidosas intenções. Felizmente, como toda regra tem sua exceção, está aí para as próximas eleições presidenciais o calcanhar-de-aquiles do presidente Lula: a senadora Heloísa Helena.
Mirna Machado
Atibaia, SP  

Nunca tive nenhuma simpatia pelo PT, mas, desde que Heloísa Helena foi expulsa do partido por defender até o fim o que julgava coerente e não ceder àqueles que hoje nos envergonham, passei a admirá-la. Como pessoa, como brasileira, como política, como mulher. Quiçá nosso Congresso fosse ocupado por pessoas como Heloísa Helena, que não esmorece diante do primeiro obstáculo e, por que não dizer, do primeiro mensalão!
Juliana Fanchini
Itu, SP

 

Oposição light

Parece que as autoridades brasileiras perderam o senso de ética e responsabilidade que deve nortear as atitudes dos representantes do povo. Favorecimentos pessoais, desvios e arbitrariedades passaram a ser acontecimentos comuns no processo democrático. Apesar de a corrupção ser um fato inescapável de nossa realidade política, devemos cobrar atitudes do governo que está aí para nos representar de forma correta. Cumprimento VEJA pela excelente reportagem "Oposição de faz-de-conta" (7 de junho), sempre nos mantendo informados sobre a corrupção que assola nosso país.
Jaqueline Guimarães Rodrigues
Petrolina, PE  

Um finge que bate, o outro finge que apanha. É assim que funciona. Nesse esquema em que todo mundo tem seu preço, até a "oposição" se torna aliada. O palco está montado, a orquestra perfeitamente afinada e uma platéia que não tem para quem ou por que bater palmas.
Gustavo Guimarães Simões
São Paulo, SP  

Pacto da mediocridade, esse é o nome que se dá nas universidades quando um professor faz de conta que ensina e uma turma faz de conta que aprende. Serve bem para denominar o que está acontecendo entre oposição e governo. Infelizmente, todos perderemos no fim.
Odilon do Socorro Coelho Barra
Cametá, PA  

Concordo com Boris Fausto quando ele diz que o cansaço não vem dos escândalos, mas da impunidade. Talvez nunca tenha havido tantos casos de corrupção quanto os que vêm ocorrendo no atual governo.
Carlos Alberto Pereira de Souza
Teresina, PI

 

VEJA Especial Lisboa

Com os melhores cumprimentos, dou boas-vindas a VEJA Especial Lisboa (junho de 2006). Tenho certeza de que será o maior sucesso e que muito contribuirá para o melhor conhecimento da cidade, que guarda o seu charme em cada recanto e é uma das mais bonitas e modernas capitais européias.
Lélia Pereira da Silva Nunes
Florianópolis, SC  

Parabéns a vocês pela iniciativa de publicar um especial sobre essa linda cidade. Fora do Brasil há mais de dezoito anos, moro há quinze em Lisboa e concordo plenamente que o Aya é o melhor restaurante japonês daqui. Há sempre boas surpresas por lá!
Jeny Chen
Lisboa, Portugal

 

Veja essa

Decepcionou-me a declaração do cantor e compositor Ed Motta (Veja essa, 7 de junho). Era sua fã, mandava seus discos para minha filha que mora em Barcelona. Um artista como ele deveria ter o bom senso de não falar mal do país que o fez famoso. Pessoas com sua influência deveriam colaborar na luta para tornar este querido Brasil um país melhor.
Maria Lucia Pedrozo Balieiro
São Paulo, SP

Ed Motta foi infeliz. Se não está feliz aqui, cara, deveria ser convidado a se retirar. Vai para fora lutar pelo teu pão. Assim, talvez você seja feliz e emagreça um pouco!
Yara Martins
Chapecó, SC

 

Índia 2

A afirmação de que Vasco da Gama aportou em Goa em 1498 merece correção. Vasco da Gama não concluiu sua epopéia em Goa, mas em Calicute, cerca de 500 quilômetros ao sul daquela cidade, que viria a ser a capital do império português no Oriente. Goa foi conquistada para Portugal por Afonso de Albuquerque em 25 de novembro de 1510 e somente em outubro de 1524, na sua terceira e última viagem à Índia, é que Vasco da Gama, como vice-rei, conheceria a cidade, seguindo depois para Cochim, onde morreria, dois meses depois.
Ronaldo Gomes de Souza
Brasília, DF

 

Millôr

"Coitado do Lula, é dependente de ignorância!" Essa frase do Millôr ("Um atleta no país do futebol", 7 de junho) sintetiza o momento atual e preconiza o resultado das eleições presidenciais deste ano. Genial!
Paulo Guilherme Mendes Santos
Rio de Janeiro, RJ

 

Gabriel Chalita

Certa vez, encontrei o senhor Chalita correndo na Avenida Atlântica, no Rio. Na mesma época, quando ele exercia o cargo de secretário de Estado, via-o freqüentemente fazendo ginástica na academia da qual sou cliente, em São Paulo. Abria o jornal e lá estava o onipresente secretário nas colunas sociais. Com 37 anos de idade, o senhor Chalita escreveu 39 livros. Sei também que possui alguns títulos de mestre e doutor. E agora um CD? Era só o que faltava! Enquanto isso, um intelectual de verdade, o jornalista Ivan Lessa, diz que não escreve porque não quer aborrecer ninguém. Seria tão bom se fosse o contrário ("Gritem, macaquinhos", 7 de junho)!
Oscar Roberto Jr.
São Paulo, SP

 

Religião

Ao espanto contido na indagação de Bento XVI quero contrapor minha certeza de que o Deus que procuro não é o mesmo que ele conhece. O Deus que procuro não foi criado à imagem e semelhança do homem, contrariando a proposta original da criação. O meu Deus, magnânimo e justo, fala ao homem por meio de suas leis, expressas em tudo o que Ele criou. Bento XVI parece ignorar o que Homero intuiu há 3.000 anos: as desventuras que ininterruptamente assolam a humanidade são conseqüência dos nossos próprios erros, de faltas e imprudências que cometemos ("Onde estava Deus?", 7 de junho).
Edelves Medeiros Correa da Cunha
Belo Horizonte, MG  

O papa Bento XVI certamente não vacilou na fé em sua visita ao antigo campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. Na verdade, foi uma bela manifestação de sua humildade e humanidade, ao citar em tradução livre o Salmo 22:1 ­ "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" Essas palavras também foram usadas por Jesus quando de seu sofrimento na cruz, ao carregar os pecados de toda a humanidade (Mateus 27:46). Como qualquer ser humano, o papa Bento se indigna diante de um fato histórico tão hediondo, como foi o holocausto, e diante das injustiças do dia-a-dia. Longa vida para Bento XVI.
Julio Arthur Marques Nepomuceno
Pastor
Amparo, SP  

A pergunta do pontífice em sua visita ao campo de concentração na Polônia não me causou espanto. Deus não poderia fazer nada. Quem nunca existiu não pode em momento algum dar sua contribuição. Já o homem, sim, poderia, e muito, evitar uma das maiores barbáries de nossa história.
Marcelo Holtz
Avaré, SP

 

Corpo

A reportagem "A medicina alternativa agora é oficial" (Guia, 31 de maio) incorre em erro conceitual quando diz que as práticas integrativas complementares (acupuntura, homeopatia e fitoterapia) podem ou devem ser exercidas somente por médicos. A Portaria nº 971, de 3 de maio de 2006, disponibiliza no SUS as práticas integrativas complementares, garantindo que esse direito de caráter multiprofissional seja exercido por fisioterapeutas, enfermeiros, biomédicos, farmacêuticos, médicos e fonoaudiólogos, que devem corretamente ser denominados "profissionais de saúde" e não "profissionais médicos". Especialistas em acupuntura existem em todas essas profissões descritas anteriormente.
Jean Luís de Souza
Presidente da Sociedade Brasileira
de Fisioterapeutas Acupunturistas
Uberlândia, MG

 

Socialites na cadeia

Na qualidade de advogado do escritório do arquiteto Ruy Ohtake e tendo em vista a reportagem intitulada "Arte e luxo em Guarulhos" (7 de julho), cumpre-me informar que meu cliente, embora tenha efetivamente prestado os serviços consistentes nos projetos arquitetônicos da residência a que a matéria se refere, não é arquiteto pessoal de ninguém, nem de longe recebeu parcela infinitesimal das fantasiosas cifras mencionadas, sendo que os serviços, as faturas e as respectivas notas fiscais relativos ao pagamento do preço contratado encontram-se na mais rigorosa ordem, foram devidamente contabilizados e estão à inteira disposição das autoridades competentes, se requisitados na forma da lei.
José Octaviano Inglez de Souza
São Paulo, SP

 

Ministro Márcio Thomaz Bastos

Causou-me surpresa a reportagem "O escudo de Lula" (31 de maio). Não houve o diálogo relatado. Não houve ameaça nem dedo em riste. Informo ainda que votei a favor da convocação do senhor Daniel Dantas pela CPI dos Bingos, bem como dos dirigentes do Citibank – instituição sistematicamente defendida pelo governo (que antes a combatia) e por alguns órgãos de imprensa. Desde o início defendi a proposta de que todos os lados fossem ouvidos para que, acima das versões, prevalecesse a verdade.
Heráclito Fortes
Senador
Brasília, DF

 

NOTA DA REDAÇÃO: VEJA mantém o que foi publicado na reportagem.

 

VEJA

Escrevo apenas para registrar que VEJA realmente faz jus ao nome. Há muitos anos transformou a palavra que originalmente era apenas um verbo da língua portuguesa em marca de uma das melhores publicações nacionais. Ao pronunciarmos VEJA, pensamos hoje em mídia impressa, nem lembramos do verbo que deu origem a esse nome. Poderíamos pensar melhor e lembrar de olhe, observe, enxergue... sinônimos do verbo "ver" em sua forma transitiva direta. Obrigado por traduzir tão bem a marca que carrega na capa e fazer nosso país se ver... cada vez melhor!
Sandro Nunes Candeo
Criciúma, SC

 

CORREÇÃO: Dorany Sampaio figurou na seção Cartas (7 de junho) como "leitora do Recife". Na realidade, Dorany Sampaio é um leitor e conhecido homem público pernambucano.

 

 

A PROSTITUIÇÃO RECONHECIDA?

A leitora A.S.E.R. acaba de chegar da Europa e não quer se identificar. Pesquisando no site do Ministério do Trabalho (http://www.mte.gov.br), ela deparou com a Classificação Brasileira de Ocupações (http:// www.mtecbo.gov.br) e ficou curiosa com o item Profissional do sexo (5198-05), em que "é possível encontrar uma bem detalhada cartilha que ensina, a quem quiser, o ofício de prostituta", diz ela. O texto, na verdade, define esse tipo de ocupação: "Garota de programa, Garoto de programa, Meretriz, Messalina, Michê, Mulher da vida, Prostituta, Puta, Quenga, Rapariga, Trabalhador do sexo, Transexual (profissionais do sexo), Travesti". E faz uma descrição da profissão: "Batalham programas sexuais em locais privados, vias públicas e garimpos; atendem e acompanham clientes homens e mulheres, de orientações sexuais diversas (...)".

 

OS ALCKMISTAS

Djota, cartunista e professor da PUC de Campinas, leu a entrevista com o ex-governador Geraldo Alckmin em VEJA (7 de junho) e enviou uma charge em que demonstra a dificuldade do candidato tucano à Presidência em decolar nas pesquisas:

 
 
 
 
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