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Carta ao leitor O
boné é a carapuça Ricardo
Stuckert/PR
 | | Lula
veste o boné do MST: condenação protocolar |
A invasão do Congresso por um destacamento do Movimento de Libertação
dos Sem-Terra (MLST) vem sendo classificada de vandalismo. É um erro. A
operação foi uma ação violenta, planejada e executada
com desvelo em seu objetivo de desmoralizar a democracia representativa. Era de
esperar que, como a mais alta figura na hierarquia política do país,
o presidente Lula fosse eloqüente na condenação do episódio.
Outro erro. Sua assessoria se limitou a emitir uma nota sem convicção.
Durante uma de suas viagens eleitorais, Lula fez uso de sua sintaxe peculiar em
uma declaração vaga que ficou muito aquém da gravidade do
ataque. Nem Lula nem seu partido, o PT, pareceram preocupados com a essência
deletéria do episódio sobre o frágil tecido político
sobre o qual se assentam as instituições democráticas no
Brasil. Em um ano eleitoral, limitaram-se a salvar as aparências.
Compreende-se o motivo: o presidente e seu partido são os tratadores dos
pit bulls ideológicos que lideraram a agressão ao Congresso. Os
fatos demonstram que, quando Lula coloca o boné dos sem-terra, ele não
está sendo apenas demagogo, afagando o espectro mais radical de seu arco
de alianças composto, reconheça-se, também de ingênuos
sociais-democratas. Não. O boné no caso de Lula é uma carapuça.
Se não, vejamos. O Ministério do
Desenvolvimento Agrário e o Incra foram entregues a agitadores comprometidos
até a medula com o MST, de cuja costela nasceu o MLST. O financiamento
governamental a ambos os grupos radicais cresceu exponencialmente durante a administração
petista. Somente o MST recebeu mais de 25 milhões de reais entre 2003 e
2005. O atual governo simplesmente ignorou a medida provisória, com força
de lei, que proíbe a desapropriação, para fins de reforma
agrária, de terras invadidas. Com o empurrão do Planalto, as invasões
triplicaram ao longo do mandato de Lula. O chefão do MLST é Bruno
Maranhão. Ele é um dos integrantes da Executiva Nacional do PT e
secretário do partido encarregado dos movimentos sociais. O termo é
um eufemismo. Ele designa as organizações que, a pretexto de defender
causas justas, sentem-se livres para cometer crimes e adiantar sua declarada agenda
revolucionária marxista. Está passando da hora de essa gente ser
informada de que está no século errado. |