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TELEVISÃO
Victor Sokolowicz
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Gore
Vidal: presidentes na mira
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A Presidência Americana Segundo Gore Vidal
(segunda, terça e quarta às 20h e 0h, no GNT)
A trajetória dos presidentes dos Estados Unidos
ao longo da História, de George Washington a Bill
Clinton, é o assunto desta série documental
em três capítulos. Aula enfadonha de história?
Nada disso. Graças à narrativa sarcástica
do escritor Gore Vidal, especialista no tema, a vida dos
governantes da nação mais poderosa do planeta
é vista sob ângulos inusitados, para dizer
o mínimo. Entre inúmeras curiosidades, ele
mostra como George Washington o primeiro a ocupar o cargo,
no final do século XVIII usava uma anti-higiênica
dentadura de madeira e conseguiu fazer fortuna à
custa de seus casamentos. Outro aspecto interessante é
que, no século XIX, alguns presidentes se mostravam
mais preocupados em jogar golfe e curtir as regalias do
poder do que em governar. A série tem uma única
limitação: como é de 1996, não
inclui os escândalos sexuais de Bill Clinton. Com
a língua ferina de Vidal, seria sem dúvida
um dos pontos altos.
DISCO
XTRMNTR,
Primal Scream (Sony Music) - Não se intimide com
o amontoado de consoantes que dá nome a este CD.
Há uma explicação singela: o disco
deveria chamar-se Exterminator,
mas o vocalista da banda resolveu abolir as vogais simplesmente
por não gostar delas... Graças a tiradas infames
como esta, o britânico Bobby Gillespie, líder
do Primal Scream, tornou-se mestre na arte de fazer gênero.
Ele seria apenas mais um roqueiro chatóide se não
fosse capaz de operar um milagre: desde o final dos anos
80, seu grupo vem se superando em qualidade a cada disco
que lança. A rapaziada conseguiu evoluir do pop psicodélico
à batida tecno ultradançante, mantendo o vigor
e a identidade. Em XTRMNTR,
eles não só comprovam isso como também
investem na variedade musical. Tem rock pesado (Accelerator),
uma balada triste (Keep Your
Dreams), um hit de arrasar
nas pistas (Swastika Eyes)
e outras ótimas surpresas.
Pop de primeira.
LIVROS
Marcos Rosa
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Galbraith: os
bastidores do
poder mundial
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Contando Vantagem,
de John Kenneth Galbraith (tradução de Flávia
Villas-Boas; Record; 206 páginas; 25 reais) Lenda
viva do pensamento econômico liberal, John Kenneth
Galbraith, nascido no Canadá em 1908, rompeu a barreira
dos 90 anos perfeitamente lúcido. Este livro é
um testemunho saboroso disso. O autor relata, em tom de
conversa, o relacionamento mantido por ele com líderes
mundiais e outros notáveis. Entre as pérolas
do volume estão os capítulos dedicados aos
presidentes americanos Franklin Roosevelt e John Kennedy
(e também às suas mulheres, Eleanor e Jacqueline).
Atenção ainda para o polêmico perfil
do nazista Albert Speer segundo Galbraith, o único
"inimigo digno" entre os ex-colaboradores de Hitler.
O
Cão de Terracota,
de Andrea Camilleri (tradução de Joana Angélica
d'Ávila Melo; Record; 255 páginas; 27 reais)
Quem é fã dos grandes detetives da literatura,
como Sherlock Holmes ou Philip Marlowe, deve abrir espaço
nessa galeria para um recém-chegado: Salvo Montalbano.
O leitor brasileiro já havia tido contato com esse
investigador siciliano no livro A
Forma da Água, mas
o novo romance de Andrea Camilleri confirma que Montalbano
é um herói e tanto. Brilhante, galanteador
e amante dos vinhos, desta vez ele captura um chefão
da Máfia, além de investigar assassinatos
cometidos há cinqüenta anos.
FILME
Divulgação
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Entre as
Pernas: cenas picantes
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Entre as Pernas (Entre
las Piernas, Espanha/França,
1999. Estréia nesta sexta-feira em São Paulo
e Rio de Janeiro) Se você ainda tem alguma
dúvida sobre o vigor do novo cinema espanhol, experimente
conferir este suspense estrelado pelos excelentes Javier
Bardem e Victoria Abril ambos figurinhas conhecidas
das produções de Pedro Almodóvar. Entre
as Pernas parece um filme
de Alfred Hitchcock à moda latina. O casal protagonista
se conhece num grupo de ajuda para viciados em sexo. Seguem-se
traições, assassinatos e cenas picantes, tudo
com aquele tempero melodramático tipicamente espanhol.
Surpreendente até o fim.
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OS
MAIS VENDIDOS Crítica
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No mercado editorial, o conto
é o primo pobre e o romance, o primo rico.
Por algum motivo obscuro, as pessoas relutam em comprar
coletâneas de narrativas curtas. Pena. No decorrer
da História, foi nos contos que o talento literário
brasileiro se manifestou com mais constância
e generosidade. Quase todos os grandes escritores
do país fizeram contos primorosos. Pois bem,
leitor: nunca é tarde para mudar de hábitos.
E uma ótima oportunidade está no livro
Os Cem Melhores Contos
Brasileiros do Século (Objetiva;
620 páginas; 49,90 reais), que aparece nesta
semana na lista de mais vendidos de VEJA.
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O escritor
mineiro
Guimarães
Rosa:
ausente do
volume
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A coletânea foi organizada
pelo professor carioca Italo Moriconi. Apesar de suas
credenciais universitárias, Moriconi fez uma
seleção guiada pelo prazer da leitura,
e não por considerações acadêmicas.
Em outras palavras, o livro é para o leitor
comum. E funciona. As únicas considerações
"teóricas" do organizador estão na introdução
e em seis brevíssimas notas, que dividem o
volume em seções. No mais, é
desfrutar as obras de autores que vão de Machado
de Assis a Clarice Lispector, de Carlos Drummond de
Andrade a Rubem Fonseca. O único problema grave
do livro é a ausência de Guimarães
Rosa. A editora Objetiva não obteve autorização
para reproduzir textos dele. A sugestão é
que o leitor transforme os "100 melhores contos brasileiros"
em 102. E procure por si mesmo as duas obras-primas
do escritor mineiro: A Terceira Margem do Rio e
A Hora e a Vez de Augusto Matraga.
Carlos Graieb
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