Alice Granato
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Marido apaixonado desconfia que a mulher, linda, o trai
com um amigo. A mulher é honesta, o amigo é
sincero, mas o marido só enxerga à sua volta
indícios da traição inexistente. Por
fim, transtornado, mata a mulher e se mata. A tragédia,
no seu cruel desenrolar, é velha como o mundo. Assim
foi descrita magistralmente por William Shakespeare, no
século XVII, no texto em que Otelo, o general mouro,
mata a doce Desdêmona. Antes dele e depois dele, homens
e mulheres mataram (e matam) pelo mesmo motivo: o ciúme,
um sentimento insano, paranóico, doente, insuportável
para quem sente e doído, perigoso, para quem é
alvo dele. A morte é uma atitude extrema, mas as
tragédias clássicas acabam sendo a melhor
tradução para a força destruidora e
devastadora desse sentimento. A realidade, o verniz civilizatório
ou, simplesmente, a sobrevivência do bom senso mesmo
que o cotovelo doa colocam freios em boa parte das pessoas
que dele sofrem por isso, e só por isso, as
ruas não estão coalhadas de corpos de adúlteros
ou apaixonados desprezados. Em uma escala muitos graus abaixo
do sentimento intenso e violento de Otelo, paira outro tipo
de ciúme, incômodo mas aceitável por
quem sente e até estimulante para quem é alvo
dele. É o sentimento "normal", que atinge a maioria
das pessoas e faz parte do cotidiano. O que intriga os estudiosos,
e sobretudo os amantes, é a dificuldade em definir
a linha difusa entre os dois extremos. Ficar do lado certo
é o único modo de sobreviver, administrar
e tirar proveito desse vulcão do qual ninguém
está a salvo.
Antonio Milena
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| Daniela e William na academia onde
trabalham: acordo de casal para evitar cair em tentação
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Haverá realmente um componente positivo no furor
emocional que Shakespeare chamou de "o monstro de olhos
verdes"? É crescente entre os especialistas a idéia
de que em sua manifestação corriqueira se
trata de um sentimento importante, até imprescindível,
para o bom andamento de um relacionamento amoroso. "Um ciumezinho
eventual é um bom parâmetro para ver como anda
a relação. Se nunca aparece, algo vai mal",
avalia o psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos, do Hospital
das Clínicas de São Paulo, que lançou
no mês passado Ciúme, o Lado Amargo do Amor,
seu segundo livro sobre o assunto. "Mas é preciso
diferenciar ciúme, que só faz sofrer, de se
sentir enciumado, que é perfeitamente normal." A
constatação de Ferreira-Santos combina com
a percepção da maioria das pessoas. Pesquisa
realizada pela Universidade da Califórnia em Berkeley
mostra que oito em cada dez entrevistados acham que o ciúme
é uma excelente oportunidade para reexaminar o relacionamento.
A principal lição seria ensinar a valorizar
o parceiro. Quatro em dez vêem o ciúme como
uma prova de amor. Os números são contundentes
para demonstrar que, para muitas pessoas, o demônio
dos olhos verdes tem lá seu charme.
Por
mais natural que seja, e por mais tretorne a
relação, o ciúme é, convenhamos,
uma coisa desagradável para quem o sente. Até
porque anda sempre de mãos dadas com outros sentimentos
desconfortáveis: insegurança (própria),
ameaça (ao parceiro), inveja (do outro) sem
falar na esmagadora humilhação de se ver traído,
inevitável se e quando as desconfianças se
confirmam. A pessoa enciumada, ainda que seu ciúme
seja aquele "do bem", tem de saber como lidar com ele e
não se deixar consumir por suas dúvidas
e a regra vale inclusive para quem é linda, alta,
loira e elegante. Cindy, de 26 anos e até pouco tempo
atrás modelo profissional, é tudo isso e também
casada com o fotógrafo de moda André Schiliró,
36 anos. Ocorre que André (simpático e gentil)
é o queridinho das modelos mais famosas do Brasil.
Passa o dia fotografando beldades seminuas. Já clicou
Gisele Bündchen num ensaio sensualíssimo. A
apresentadora Xuxa não fotografa com outro. Para
a mulher desse fotógrafo que encanta modelos, não
é nada fácil. "Claro que eu tenho ciúme.
Ele sai de casa todo cheiroso, arrumado, e sei que vai passar
o dia com mulheres lindas", desabafa Cindy. "Mas procuro
dispersar meu pensamento. Fico de olho, lógico, mas
sem ser neurótica." Até por falta de opção,
ela considera que a concorrência é estimulante.
"Eu estou sempre me cuidando, porque meu marido sabe o que
é bom."
Dizer que um pouquinho de ciúme faz bem seria repetir
o óbvio, não estivesse o sentimento passando
por uma revisão conceitual. "Há um preconceito
contra o ciúme. Ele é tido como maléfico,
mas isso não resume a questão", diz Ailton
Amélio da Silva, professor de relacionamentos amorosos
da Universidade de São Paulo. Uma relação
na qual se desconfia de tudo o tempo todo não sobrevive,
é certo. Mas deve-se também ficar em alerta
quando não há nenhuma sombra de ciúme
entre namorados ou cônjuges. Isso pode indicar que
a relação está se diluindo aos poucos.
Guardadas as proporções, é mais ou
menos como acontece com o medo. Muito é ruim. Em
dose moderada, ajuda as pessoas a ficar atentas a situações
de risco. "O ciúme é um sentimento bem-vindo
como protetor do compromisso, do vínculo e da família.
O que se combate são os excessos", afirma o professor
Silva. Aí mora o perigo, pois se está falando,
por definição, num excesso. Ferreira-Santos,
cujo livro recém-lançado é uma espécie
de manual prático para conviver com o ciúme,
diz que ele pode manifestar-se de duas formas. A primeira,
emocional, é intensa e de curta duração.
Vem acompanhada de componentes somáticos, como taquicardia,
falta de ar, excesso de salivação ou boca
seca, aperto no peito e até dores físicas.
Quando a esposa dá atenção excessiva
a um bonitão numa festa, o marido fica enciumado.
É emoção. Pode explodir com resultados
desastrosos, mas passa. Se o marido desconfia da mulher
a ponto de impedi-la de ir à festa, a coisa atingiu
um grau bem mais preocupante. Nessa situação,
o ciúme não passa, mesmo que se consiga provar
que as suspeitas são fantasiosas e infundadas. Os
psiquiatras comparam esse tipo agudo de ciúme a um
delírio, e os ingleses o chamam de "síndrome
de Otelo".
Claudio Rossi
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| Cindy e seu marido, André,
o fotógrafo de moda: "Ele sai de casa todo cheiroso
e passa o dia com mulheres lindas" |
A devastação emocional causada pelo ciúme
e pela rejeição é um dos sentimentos
mais terríveis experimentados pela alma humana. Na
mitologia grega que os estudiosos acreditam conter
os arquétipos do comportamento emocional humano
os próprios deuses são ciumentos entre si.
A divina Hera sobe nas tamancas com as escapulidas do marido,
Zeus. Enlouquecida de ciúme, a feiticeira Medéia
mata os próprios filhos depois de o herói
Jasão tê-la trocado por uma beldade mais jovem.
O Deus do Velho Testamento é cioso de sua exclusividade.
O primeiro mandamento diz: "Amarás teu Deus sobre
todas as coisas". O nono determina que não se deseje
a mulher do próximo e o décimo, que não
se cobicem as coisas alheias. Numa tese instigante, expressa
no livro The Dangerous Passion (A Paixão Perigosa),
que causa furor nos Estados Unidos, o psicólogo David
Buss sustenta que o sentimento não é apenas
natural e inevitável, como está impresso no
nosso código genético. A tese desse professor
da Universidade do Texas é que os ancestrais do homem
temiam que suas fêmeas tivessem filhotes com outros
machos, e aí estaria a origem biológica do
ciúme: cuidar de crias alheias pensando que se está
protegendo e alimentando os próprios filhos. Esse
ciúme primordial, cuja utilidade prática se
esgotou há muito tempo, continua a condicionar o
comportamento das pessoas no século XXI.
David Buss é um dos defensores da psicologia evolucionária,
a vertente moderninha que definiu o estupro como uma adaptação
evolucionária aos desafios da Pré-História.
O próprio Buss é autor da tese de que o inconsciente
da mulher moderna a induz a escolher como parceiro o sujeito
mais rico e bem-sucedido, pois sua alma primitiva clama
por um bom provedor. A porção primata do homem,
por sua vez, leva-o a preferir aquela que pareça
ter melhores condições de procriar. Por causa
de teses como essas, que soam desagradáveis aos ouvidos
politicamente corretos da atualidade, a psicologia evolutiva
é vista com enormes reservas, especialmente no meio
acadêmico dos Estados Unidos. No terreno do ciúme,
a pesquisa de Buss perguntou a 10.041
homens e mulheres de 37 países o que os incomodava
mais: imaginar o parceiro tendo relações sexuais
ou se envolvendo emocionalmente com outra pessoa. A maioria
esmagadora das mulheres optou pela segunda resposta não
suporta a idéia de o marido se apaixonar por outra.
Já os homens tremem muito mais diante da traição
puramente, por assim dizer, sexual. A explicação
dele para isso é que todo homem, dada a chance, torna-se
um Bentinho, o personagem do romance Dom Casmurro,
de Machado de Assis, atormentado pela dúvida crucial
sobre se é ou não o pai do filho de Capitu.
Daí tremerem diante da traição feminina
puramente (se se pode dizer assim) sexual. "O ciúme
do homem é mais ligado ao sexo e o das mulheres,
ao afeto", concorda o professor Silva. Há nisso igualmente
uma sabedoria nascida no cotidiano e que tem mais a ver
com cultura do que com a evolução das espécies.
Homens e mulheres costumam encarar de modo diferente uma
relação extraconjugal. O marido tende a considerar
a própria infidelidade como apenas sexo, mas sofre
calafrios com a idéia de que a mulher irá
apaixonar-se por outro se encontrar maior prazer na cama
fora de casa.
A
tolerância feminina com a infidelidade é bastante
mais elástica que a masculina e a maioria
das pessoas acha natural que a mulher traída perdoe
e mantenha o casamento. O psiquiatra Ferreira-Santos nota
que não existe na linguagem popular uma "corna mansa".
O homem corneado, ao contrário, é um personagem
que a sociedade despreza, assunto de risadas, cuja auto-estima
chega ao nível mais baixo. A primeira-dama Hillary
Clinton fez o que milhões de mulheres fazem quando
não querem passar o atestado de coitadinha: fechou
a cara, deixou claro que estava furiosa, recusou-se a comentar
o assunto e esperou a poeira baixar. Está certo que,
depois, pôs a culpa dos casos extraconjugais do marido
nos problemas de infância do pobre Bill Clinton. Mas
aí já estava concorrendo ao Senado, e em campanha
vale tudo. Esposas de gerações mais antigas
até preferiam que o marido tivesse amantes com casa
montada, desde que seu lar e sua vidinha fossem preservados.
O ciúme masculino tem um caráter de nítida
competição e extrema intolerância. Mais
que simplesmente perder a mulher, o homem teme perder status,
a posse, a honra.
O direito de o homem lavar a honra com o sangue da adúltera
é reconhecido em muitos países e serve de
atenuante nos julgamentos. Já foi assim no Brasil,
até os anos 70. Lavar a honra? Os machões
com comichão no dedo do gatilho devem meditar sobre
a opinião do pai da psicanálise, Sigmund Freud,
a respeito disso. Freud acreditava que o ciúme decorre
sobretudo do impulso homossexual. Disse com todas as letras
que o homem projeta na mulher o seu desejo pela figura masculina.
Em miúdos, significa que ele não sente propriamente
ciúme, mas inveja de não estar no lugar dela
na cama com outro macho. Outra razão para ciúme
é a pouca confiança no próprio taco.
Um estudo inglês de 36 casos clínicos da síndrome
de Otelo (ciúme patológico) encontrou problemas
sexuais na origem de dezenove deles. Um caso estudado era
o de um homem de 68 anos cujo casamento foi harmonioso até
ele sofrer de uma doença que o deixou impotente.
No início do século, a psicanálise
tirou o ciúme dos folhetins românticos e o
colocou no cerne da vida inconsciente. A visão atual
do ciúme é que ele representa uma enorme encrenca
mental, se é experimentando em sua forma mais intensa
e doentia. O primeiro conflito ocorreria quando a criança
sente ciúme da própria mãe, evidentemente
monopolizada pelo pai é o famoso complexo de Édipo.
Os irmãos são ciumentos um em relação
ao outro, como sabem todos que têm filhos. O pai não
se dá conta, mas fica enciumado com a dedicação
que a mulher passa a dispensar aos filhos.
A dor da alma (como a definiu o filósofo Socrátes)
é um sentimento universal perene um dos que
atravessaram o tempo sem se deixar civilizar inteiramente
em seus impulsos mais obscuros. Todos os ciumentos se parecem.
O que muda é a forma com que dão vazão
a sua ira e angústia. O que mais espanta é
o clamor por vingança que às vezes se torna
a única razão de ser do ciumento. Logo que
Felipe II pai de Alexandre, o Grande morreu,
sua viúva, Olímpias, queimou viva a mais jovem
e querida concubina do marido. O próprio rei da Macedônia
foi vítima do amor, assassinado por um amante desprezado.
Como era comum na aristocracia grega há 2.300
anos, Felipe era bissexual. Seria interessante saber se
Olimpias odiava com igual intensidade os homens que compartilhavam
a cama do rei mas isso a história não
registra. Sabe-se apenas que a rainha, mulher de grande
religiosidade, participava de orgias em honra ao deus Baco.
Vinte e três séculos depois, o vulcão
que levou Nicéa Pitta a implodir a carreira do marido,
o prefeito de São Paulo Celso Pitta, foi, suspeita-se,
o aparecimento de uma loira extraconjugal. Tivesse o poder
de uma rainha macedônia, Nicéa talvez a tivesse
queimado numa grelha de churrasco.
Ricardo Benichio
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| Alessandra Müller edita um
site de modelos na internet e enfrenta cenas de ciúme
todos os dias: "Por pressão dos namorados, elas
pedem para tirar as fotos do ar" |
Os terapeutas de casal estão convencidos de que há
um "ciúme do bem", aquele que estimula o casal a
rever e melhorar o relacionamento. Nem sempre é de
administração fácil. Quando o sucesso
com o sexo oposto é mútuo, por exemplo, o
cuidado para não deixar o "ciúme do bem" descambar
em troca de acusações e brigas constantes
tem de ser redobrado. O casal paulistano William Amadei,
de 35 anos, e Daniela Theobaldo, de 26, decidiu em comum
acordo que só sai de casa à noite, para se
divertir, se os dois forem juntos. "Achamos que sair separados
é facilitar demais, criar oportunidades", explica
Daniela. Ambos são professores de ginástica
e personal trainers. Ele, até pouco tempo atrás,
cuidava da boa forma de Suzana Alves, a Tiazinha, e chegou
também a treinar a loira Joana Prado, a Feiticeira.
Na academia, vive cercado de lindas alunas. E Daniela, de
lindos alunos. O ciúme interfere no casamento? Interfere,
claro. "Às vezes atrapalha, desgasta, a gente briga,
ficamos com raiva um do outro. Mas acho que tudo isso é
manifestação de interesse. Se não houvesse,
não sei se ainda estaríamos juntos", diz ela,
que na academia onde dão aula tem fama de durona.
"Às vezes ele folga. Brinca demais com as alunas,
e eu não gosto", confessa. Mas são só
os homens que aprontam? De jeito nenhum. Tirando as companheiras
dos ciumentos crônicos, não há mulher
que não tenha, em alguma ocasião, se vestido
e se portado de forma a deliberadamente deixar seu parceiro
enciumado. Com pleno sucesso, diga-se. "Funciona em 100%
das vezes", atesta Ferreira-Santos. Ele explica que, feito
lá de vez em quando, quase em tom de brincadeira,
não faz mal algum. Mas, quando se torna um hábito,
acaba com o relacionamento.
Para Cindy, Daniela e todos os homens e mulheres que se
consideram em situação de risco, a psicóloga
e terapeuta de casais Aparecida Favorêto, de São
Paulo, faz um alerta: preocupar-se demais com ameaças
externas é meio caminho andado para o desastre. "O
zelo maior tem de ser com o parceiro e com a relação
do casal", ensina. "O perigo não está fora
de casa. Está dentro." Fácil de entender,
mas difícil de lembrar quando seu marido passa o
dia cercado de mulheres lindas, ou sua mulher vive em viagens
de negócios com colegas interessantes. A modelo paulista
Alessandra Müller, 29 anos, já sentiu na pele
a tentativa de controle de um namorado muito ciumento e
não quer repetir a dose. "Meu namorado ficou enlouquecido
numa ocasião em que posei para uma foto beijando
outro modelo", conta. "Sou superfiel, e não é
uma fotografia que vai mudar isso." Alessandra tem uma agravante,
em se tratando de namorados ciumentos: edita o site Morango,
que coloca na internet modelos lindíssimas em fotos
ultra-sensuais. "É uma saia-justa. Às vezes
elas me ligam e pedem para tirar as fotos, tamanho o ciúme
deles." Alessandra está hoje solteira e diz que ela
mesma vai posar para o site. "As fotos que faço são
provocantes, mas é o meu trabalho, e não vou
deixar que ninguém mude isso", diz.
Mulheres não falavam assim até algum tempo
atrás, ou, se falavam, ninguém lhes dava atenção.
Mas o mundo mudou, e o machismo, comportamento mais nefasto
ainda quando misturado ao ciúme, também. Até
três décadas atrás, o homem que matava
por ciúme, mesmo sem prova da traição,
era absolvido no Brasil por legítima defesa da honra.
Um dos marcos da mudança de comportamento do brasileiro
foi o julgamento do paulista Doca Street, em 1976. Depois
de fuzilar a mulher, a mineira Angela Diniz, num acesso
de ciúme, Street foi absolvido em primeira instância,
mas condenado na segunda. "Hoje, atitudes como essa são
inadmissíveis para a sociedade", diz o psiquiatra
Ferreira-Santos. "Se o agressor disser que agiu tomado por
ciúme, ele pode, inclusive, agravar sua situação."