Força holandesa
Vasco reforça seu time de natação
com Inge
de Bruijn, uma recordista que causa polêmica
Marcelo Carneiro
AP
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| Inge em ação: suas
marcas fantásticas levantam dúvidas |
A competição entre os clubes brasileiros ficou
tão acirrada que todos os anos eles gastam parte
de seu orçamento contratando astros da natação
internacional para representá-los nos campeonatos
mais importantes. Eles vêm, vestem a camisa de um
clube e vão embora. Nessa esteira, contratada pelo
Vasco da Gama, passou pelo Rio de Janeiro para disputar
o Troféu José Finkel a maior estrela da natação
feminina atual. Trata-se da holandesa Inge de Bruijn, 26
anos, detentora de seis recordes mundiais em quatro provas
diferentes: 50 e 100 metros livre, 50 e 100 metros borboleta.
Além da admiração suscitada pelos grandes
campeões, Inge chegou acompanhada das dúvidas
que sua performance levantou no mundo da natação.
Com efeito, é pouco comum que nadadores comecem a
bater recordes mundiais com a idade de Inge.
"Não sei como consegui isso", disse Inge ao se
tornar a primeira mulher a nadar os 100 metros borboleta
em menos de 57 segundos. "Nem eu", afirma Scott Volkers,
técnico australiano. "É quase impossível
uma mulher nadar tão rápido." O americano
Lenny Krayzelburg, recordista mundial dos 100 e 200 metros
costas, é da mesma opinião. "A Inge é
uma nadadora muito boa, mas não acredito que ela
possa ser tão rápida." Como sempre nessas
circunstâncias, as suspeitas que ninguém gosta
de assumir são a respeito do uso de drogas proibidas.
Mas há quem a defenda. Mark Spitz, que em 1967 se
tornou o primeiro homem a nadar os mesmos 100 metros borboleta
em menos de 57 segundos, não vê motivos para
duvidar de sua capacidade.
A carreira de Inge de Bruijn começou a mudar em
1997, quando iniciou seus treinos com o americano Paul Bergen.
Até então, ela tinha uma trajetória
instável, entremeada de problemas pessoais. Aos 19
anos, Inge participou das Olimpíadas de Barcelona
e o máximo que conseguiu foi um sétimo lugar.
"Eu era uma deslumbrada. Nunca tinha visto tanta gente junta
e me descuidei", disse Inge a VEJA na quarta-feira passada.
Quatro anos depois, nova decepção: uma briga
com um namorado ciumento a impediu de ir a Atlanta. Foi
nessa época que conheceu Paul Bergen, um treinador
obcecado pela preparação física de
seus atletas.
Em um dia de treino comum, nas piscinas da cidade de Portland,
no Oregon, Inge passa quase três horas nadando 9 quilômetros.
Depois inicia o chamado "treino seco". A nadadora sobe e
desce duas vezes, sem o auxílio dos pés, uma
corda de 4 metros de altura. Para encerrar, encara cinco
séries consecutivas de exercícios, com cinqüenta
flexões e cinqüenta abdominais cada uma. Inge
ainda tem sessões de treino na Holanda com o técnico
Jacco Verheren, seu atual namorado. "Inge sempre foi uma
nadadora de classe internacional, mas nunca de primeira
linha. Seu desempenho muda de patamar quando ela passa a
encarar a natação seriamente e começa
a treinar com Bergen", diz John Leonard, diretor da Associação
Mundial de Treinadores de Natação.
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