Edição 1 653 -14/6/2000

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Força holandesa

Vasco reforça seu time de natação com Inge
de Bruijn, uma recordista que causa polêmica

Marcelo Carneiro


AP
Inge em ação: suas marcas fantásticas levantam dúvidas


A competição entre os clubes brasileiros ficou tão acirrada que todos os anos eles gastam parte de seu orçamento contratando astros da natação internacional para representá-los nos campeonatos mais importantes. Eles vêm, vestem a camisa de um clube e vão embora. Nessa esteira, contratada pelo Vasco da Gama, passou pelo Rio de Janeiro para disputar o Troféu José Finkel a maior estrela da natação feminina atual. Trata-se da holandesa Inge de Bruijn, 26 anos, detentora de seis recordes mundiais em quatro provas diferentes: 50 e 100 metros livre, 50 e 100 metros borboleta. Além da admiração suscitada pelos grandes campeões, Inge chegou acompanhada das dúvidas que sua performance levantou no mundo da natação. Com efeito, é pouco comum que nadadores comecem a bater recordes mundiais com a idade de Inge.

"Não sei como consegui isso", disse Inge ao se tornar a primeira mulher a nadar os 100 metros borboleta em menos de 57 segundos. "Nem eu", afirma Scott Volkers, técnico australiano. "É quase impossível uma mulher nadar tão rápido." O americano Lenny Krayzelburg, recordista mundial dos 100 e 200 metros costas, é da mesma opinião. "A Inge é uma nadadora muito boa, mas não acredito que ela possa ser tão rápida." Como sempre nessas circunstâncias, as suspeitas que ninguém gosta de assumir são a respeito do uso de drogas proibidas. Mas há quem a defenda. Mark Spitz, que em 1967 se tornou o primeiro homem a nadar os mesmos 100 metros borboleta em menos de 57 segundos, não vê motivos para duvidar de sua capacidade.

A carreira de Inge de Bruijn começou a mudar em 1997, quando iniciou seus treinos com o americano Paul Bergen. Até então, ela tinha uma trajetória instável, entremeada de problemas pessoais. Aos 19 anos, Inge participou das Olimpíadas de Barcelona e o máximo que conseguiu foi um sétimo lugar. "Eu era uma deslumbrada. Nunca tinha visto tanta gente junta e me descuidei", disse Inge a VEJA na quarta-feira passada. Quatro anos depois, nova decepção: uma briga com um namorado ciumento a impediu de ir a Atlanta. Foi nessa época que conheceu Paul Bergen, um treinador obcecado pela preparação física de seus atletas.

Em um dia de treino comum, nas piscinas da cidade de Portland, no Oregon, Inge passa quase três horas nadando 9 quilômetros. Depois inicia o chamado "treino seco". A nadadora sobe e desce duas vezes, sem o auxílio dos pés, uma corda de 4 metros de altura. Para encerrar, encara cinco séries consecutivas de exercícios, com cinqüenta flexões e cinqüenta abdominais cada uma. Inge ainda tem sessões de treino na Holanda com o técnico Jacco Verheren, seu atual namorado. "Inge sempre foi uma nadadora de classe internacional, mas nunca de primeira linha. Seu desempenho muda de patamar quando ela passa a encarar a natação seriamente e começa a treinar com Bergen", diz John Leonard, diretor da Associação Mundial de Treinadores de Natação.

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