Edição 1 653 -14/6/2000

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Cheiro de briga

Perfumados e incomodados entram em
guerra no Canadá. De que lado você ficaria?



Montagem sobre foto de Luiz Roberto Pereira


A moça entra na sala e todo mundo repara no seu perfume. Nem sempre com prazer. Para as pessoas que sofrem de rinite e asma (cerca de 30% da população mundial), inalar qualquer perfume é sinônimo de problema. Somem-se a essa turma as inúmeras pessoas que simplesmente não gostam de fragrâncias artificiais e pronto: está armado o cenário da guerra silenciosa entre perfumados e incomodados. Silenciosa? Nem tanto. A prefeitura de Halifax, cidade de 114.000 habitantes no sudeste do Canadá, anda estimulando a proibição do uso de perfume em locais públicos, como escolas, bibliotecas, hospitais, tribunais e até ônibus. Por causa da caça às bruxas perfumadas, alunos já foram suspensos por usar gel cheiroso no cabelo e funcionários de repartições viram-se convidados a tomar banho em casa, com o devido desconto das horas não trabalhadas.

Trata-se de um exagero, claro, e parte da população de Halifax está mobilizada contra a campanha. Inclusive porque vetar perfumes não resolve o desconforto dos alérgicos. "É preciso evitar os outros agentes irritantes, como a fumaça e a poeira", diz o chefe do ambulatório de alergia do Hospital Universitário da Universidade de Brasília, Celso Eduardo Sant'Anna. Depois, há o fato inegável de que perfume muitas vezes é bom e, sabendo usar, está longe de ser um inimigo público. Quem gosta tem de se ater a algumas regras básicas (veja quadro). A primeira é não se perfumar para ir a locais apertados, cheios de gente. Outra, fundamental, é restringir os aromas fortes e doces aos encontros a dois – e ter certeza de que o parceiro aprecia odores do gênero. Fragrâncias cítricas e florais, mais suaves, agridem menos os narizes sensíveis. Qualquer que seja o perfume, uma borrifada nos pulsos é suficiente. Dica importante: evite aplicá-lo atrás da orelha, pois ele exalará justamente na altura do nariz alheio. "O perfume não pode chegar muito antes nem ir embora muito depois da pessoa", recomenda a consultora de moda Gloria Kalil.

No Brasil, a proibição ao uso de perfumes causaria, além de polêmica, um baque econômico. O país é o sexto maior consumidor mundial. Entre 1998 e 1999, o faturamento do setor foi de 440 milhões de dólares (cerca de 15% relativos a marcas importadas), um aumento de 13,7% em relação ao ano anterior. Detalhe: no segmento masculino, em franca expansão, o aumento foi de quase 23%. Mesmo alto, o total brasileiro é uma gota d'água num mercado que movimenta 8 bilhões de dólares por ano, a maior parte nos Estados Unidos, França e Itália.

 

Regras do bem-cheirar

Evite perfume em ambientes pequenos e fechados

No dia-a-dia, dê preferência a fragrâncias suaves

Aplique o perfume em quantidades moderadas

Perfume-se uma vez por dia. Não "retoque" e não misture marcas