Cheiro de briga
Perfumados e incomodados entram em
guerra no Canadá. De que lado você ficaria?
Montagem sobre foto de Luiz Roberto
Pereira
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A moça entra na sala e todo mundo repara no seu perfume.
Nem sempre com prazer. Para as pessoas que sofrem de rinite
e asma (cerca de 30% da população mundial),
inalar qualquer perfume é sinônimo de problema.
Somem-se a essa turma as inúmeras pessoas que simplesmente
não gostam de fragrâncias artificiais e pronto:
está armado o cenário da guerra silenciosa
entre perfumados e incomodados. Silenciosa? Nem tanto. A
prefeitura de Halifax, cidade de 114.000
habitantes no sudeste do Canadá, anda estimulando
a proibição do uso de perfume em locais públicos,
como escolas, bibliotecas, hospitais, tribunais e até
ônibus. Por causa da caça às bruxas
perfumadas, alunos já foram suspensos por usar gel
cheiroso no cabelo e funcionários de repartições
viram-se convidados a tomar banho em casa, com o devido
desconto das horas não trabalhadas.
Trata-se de um exagero, claro, e parte da população
de Halifax está mobilizada contra a campanha. Inclusive
porque vetar perfumes não resolve o desconforto dos
alérgicos. "É preciso evitar os outros agentes
irritantes, como a fumaça e a poeira", diz o chefe
do ambulatório de alergia do Hospital Universitário
da Universidade de Brasília, Celso Eduardo Sant'Anna.
Depois, há o fato inegável de que perfume
muitas vezes é bom e, sabendo usar, está longe
de ser um inimigo público. Quem gosta tem de se ater
a algumas regras básicas (veja quadro).
A primeira é não se perfumar para ir a locais
apertados, cheios de gente. Outra, fundamental, é
restringir os aromas fortes e doces aos encontros a dois
e ter certeza de que o parceiro aprecia odores do
gênero. Fragrâncias cítricas e florais,
mais suaves, agridem menos os narizes sensíveis.
Qualquer que seja o perfume, uma borrifada nos pulsos é
suficiente. Dica importante: evite aplicá-lo atrás
da orelha, pois ele exalará justamente na altura
do nariz alheio. "O perfume não pode chegar muito
antes nem ir embora muito depois da pessoa", recomenda a
consultora de moda Gloria Kalil.
No Brasil, a proibição ao uso de perfumes
causaria, além de polêmica, um baque econômico.
O país é o sexto maior consumidor mundial.
Entre 1998 e 1999, o faturamento do setor foi de 440 milhões
de dólares (cerca de 15% relativos a marcas importadas),
um aumento de 13,7% em relação ao ano anterior.
Detalhe: no segmento masculino, em franca expansão,
o aumento foi de quase 23%. Mesmo alto, o total brasileiro
é uma gota d'água num mercado que movimenta
8 bilhões de dólares por ano, a maior parte
nos Estados Unidos, França e Itália.
Regras
do bem-cheirar
Evite perfume em ambientes pequenos e fechados
No dia-a-dia, dê preferência a fragrâncias
suaves
Aplique o perfume em quantidades moderadas
Perfume-se uma vez por dia. Não "retoque"
e não misture marcas
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