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14 de maio de 2008
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Televisão
Amarrado ao divã

Sem sair do consultório, Em Terapia, da HBO,
transforma sessões de análise em entretenimento


Marcelo Marthe

Logo em sua primeira sessão de análise, um militar que transborda arrogância apresenta uma demanda ao doutor Paul Weston (Gabriel Byrne): como ele é o cliente ali, espera que a consulta siga os rumos que gostaria. Ao que o psicoterapeuta observa: "Nesse negócio, infelizmente, o cliente nunca tem razão". Nem o próprio Weston, frise-se, tem imunidade. É o que se verifica na série Em Terapia, que estréia nesta segunda no canal pago HBO. Para retratar a rotina do psicoterapeuta, o programa se vale de um formato inusitado. A ação se passa dentro do consultório e se resume à interação entre Weston e seus pacientes. A proposta, em suma, é reproduzir as sessões de análise como na vida real. São cinco episódios semanais de meia hora (no total, serão nove semanas de programa). Em cada um dos quatro primeiros, Weston se vê às voltas com um caso diferente. Num dia, atende uma jovem que se diz apaixonada por todo homem de que se aproxima – inclusive o terapeuta. Em outro, trata do militar arrogante, que o procura depois de sofrer um trauma numa missão no Iraque. Há ainda uma adolescente com tendências suicidas e um casal dividido em relação a um aborto. No quinto episódio da semana, Weston vai para o outro lado do balcão: é ele quem se submete a sessões com uma analista (Dianne Wiest). Aí se descobre que, por trás de sua frieza e contenção, há um sujeito não menos conflituoso.

Do suspense Vestida para Matar (1980), do diretor Brian De Palma, à comédia Máfia no Divã (1999), com Robert De Niro, a psicoterapia demonstrou ter mil e uma utilidades no cinema. Mas foi mesmo na TV que ganhou sua representação mais antológica. Em Família Soprano, o chefão mafioso vivido por James Gandolfini expunha à analista suas inquietações existenciais (e outros segredos comprometedores). A mesma HBO que produziu a série agora volta a apostar no tema – só que num registro um tanto experimental. Baseada num sucesso da TV israelense (e adaptada por Rodrigo García, filho do escritor colombiano Gabriel García Márquez), Em Terapia tem um roteiro engenhoso, em que a tensão cresce a cada revelação dos personagens. Beneficia-se também do elenco de primeira – a começar pelo irlandês Byrne (de Spider), que parece ter nascido para ser psicoterapeuta. Seu personagem despertou amor e ódio entre os profissionais da classe nos Estados Unidos, já que a série escancara seus dilemas éticos. Weston enfrenta uma crise conjugal e é atraído por Laura (Melissa George), a paciente apaixonada por ele. É mais uma vítima daquilo que Freud chamava de transferência.



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