BUSCA

Revistas
Notícias
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2060

14 de maio de 2008
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Diogo Mainardi
Gustavo Ioschpe
J.R. Guzzo
Lya Luft
Millôr
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 

Televisão
É o Trash Brasil

Como um canal devotado ao cinema nacional
virou o paraíso dos talk-shows esdrúxulos


Marcelo Marthe

Fotos Divulgação
Zé do Caixão (à esq.) e Pereio, à esquerda na foto com o convidado Silvio Tendler: entre o horror e o cochilo

Surgido há dez anos com a proposta de ser um bastião do cinema nacional na TV paga, o Canal Brasil aos poucos encontrou outra vocação: a de ser uma referência de programação trash. Ao longo das 24 horas do dia, pode-se ver ali um cardápio que inclui filmes antigos e atuais, documentários, making of, e por aí afora. Mas sua audiência se deve a dois itens em particular. Um deles são as pornochanchadas. Levadas ao ar nas madrugadas, pérolas do lixo como A Noite das Taras (1980) fazem com que o Canal Brasil seja mais visto nesse horário que em qualquer outro. A outra peça de resistência são os talk-shows – e, também aí, o esdrúxulo dá o tom. No ar desde 2004, o Sem Frescura tem como âncora o ator Paulo César Pereio, veterano de mais de uma centena de filmes que atualmente faz barulho com uma campanha maluca em prol da destruição do Cristo Redentor. Seu programa é um exemplo de como desperdiçar tempo na TV: não se oferecem propriamente entrevistas, e sim conversas fiadas entre Pereio e seus convidados. Há um mês, ele ganhou uma companhia à altura. Em O Estranho Mundo de Zé do Caixão, o ator e diretor José Mojica Marins encarna uma variação à la Jô Soares do personagem que lhe deu fama. Num cenário com poltronas de veludo vermelho e um caixão de defunto, Mojica sabatina famosos de diversos escalões sobre suas experiências sobrenaturais.

Controlado por um grupo de cartolas do cinema nacional (como Luiz Carlos Barreto, o Barretão), o Canal Brasil apostou nos talk-shows para livrar-se da imagem de vitrine de filmes embolorados. O canal se renovou, é fato – mas também é inegável que isso se deu graças ao humor involuntário. De tão estapafúrdio, o Sem Frescura acaba sendo engraçado. Qualquer cenário está valendo. Idem para os convidados, não raro amigos do apresentador. Mas o melhor são as caretas de tédio de Pereio, que traem quanto aquilo tudo é um porre. Num programa com o artista plástico Ivald Granato, Pereio chegou a puxar um ronco. "Tudo bem, não somos um canal convencional. E gravar depois do almoço é complicado", diz Paulo Mendonça, diretor do Canal Brasil. Outra que comandava um talk-show bagaceira na casa era a cantora Angela Ro Ro. Mas o programa saiu do ar – suas oscilações de humor eram demais até para os padrões do canal.

Perto do Sem Frescura, o programa de Zé do Caixão tem ares de superprodução. A atração tem efeitos especiais, vinhetas moderninhas e quadros variados. Mas seria muito esperar requinte de alguém com o DNA trash de diretor de filmes de "terrir" (o terror que faz rir) e sexo explícito. O português de Mojica é um espanto – para ele, problema é "pobrema" e revólver vira "revólvi". Ao final de cada programa, ele roga uma praga do tipo: "Que a sua língua se transforme em cobra e devore seu intestino". A interação com os entrevistados também é um horror. O cantor Lobão falou de seu amor por exus e pombagiras e de como improvisou um batuque no caixão de sua mãe. O estilista Ronaldo Esper, que já foi preso sob a acusação de furtar vasos num cemitério paulistano, recontou sua versão da história e discorreu sobre sua coleção de máscaras mortuárias. Em programas que ainda irão ao ar, a atriz Bruna Lombardi falará de sua crença em discos voadores. E o cantor Guilherme Arantes narrará uma certa viagem mística numa praia baiana. "No meu programa, as pessoas podem falar sobre suas experiências sem medo de ser ridicularizadas", diz Mojica.



Publicidade

 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |