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Edição 2060

14 de maio de 2008
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Saúde
Elas são para sempre

Dieta, redução de estômago, nada adianta: a quantidade
de células de gordura não diminui depois dos 20 anos.
O máximo que você pode fazer é murchá-las


Adriana Dias Lopes

Montagem com fotos de Dr. Fred Hossler/Getty Images, Stone/Getty Images

Um artigo publicado na revista científica Nature traz a mais fascinante explicação para um dos maiores tormentos das pessoas – a dificuldade de emagrecer e de manter o novo peso. Pesquisadores do Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia, revelaram que o número de células adiposas (adipócitos) é definido até os 20 anos. Depois dessa idade, nada é capaz de diminuir essa quantidade – nem a mais espartana das dietas. Quando uma pessoa emagrece, os adipócitos apenas perdem volume, mas continuam lá. Não é só isso. Todos os anos, 10% das células adiposas são renovadas. E as novas têm uma incrível propensão para aumentar de tamanho. Eis aí uma explicação de por que, depois de um período de privações à mesa, é fácil recuperar os quilos perdidos.

Uma pessoa de peso normal tem de 20 a 30 bilhões de células adiposas. Os gordos, de 60 a 80 bilhões. A quantidade de adipócitos acumulada nos primeiros vinte anos de vida é determinada principalmente por dois fatores: genética e hábitos alimentares. A influência da dieta é enorme. Imaginemos alguém programado geneticamente para ter 70 bilhões de células adiposas. Se, na infância e na adolescência, essa pessoa foi acostumada a comer com parcimônia, de preferência alimentos pouco calóricos, ela pode driblar a genética e nunca atingir a quantidade de adipócitos determinada pelos genes. Mas, em geral, ocorre o contrário – come-se muito e mal desde cedo. Não é à toa que 75% das crianças roliças serão adultos obesos.

A puberdade é o período mais propício para a proliferação das células adiposas. Como os jovens nessa fase tendem a comer mais, eles apresentam uma quantidade maior de gordura circulante – o que serve de combustível para a formação de adipócitos. As células adiposas são fundamentais para o desenvolvimento do organismo. Elas estimulam a produção do hormônio responsável por desencadear o processo da puberdade. No entanto, quanto maior o número de células adiposas adquiridas nessa fase, mais árdua será a luta contra a balança no futuro. Depois dos 20 anos, o excesso alimentar faz com que as células adiposas aumentem de volume. Isso se traduz em barrigas salientes e coxas roliças. A descoberta de que 10% dos adipócitos se renovam a cada ano, e de que os novos são mais vorazes do que os antigos, torna esse cenário ainda mais sombrio. "Uma célula jovem, não importa a sua função, é sempre mais eficaz. Como a principal atribuição de uma célula adiposa é acumular gordura, ela o fará com maestria", diz o endocrinologista Alfredo Halpern, pesquisador da Universidade de São Paulo.

Liderada pela cientista Kirsty Spalding, a equipe do Instituto Karolinska analisou o ciclo de vida e morte dos adipócitos de 742 pessoas, homens e mulheres com os mais variados perfis. Em 687 delas, os pesquisadores fizeram biópsias do tecido da região abdominal. Ao compararem esses resultados com estudos similares feitos anteriormente em crianças e jovens, conseguiram definir a idade-limite para a proliferação das células adiposas. Foram também avaliados exemplares de tecido gorduroso de vinte voluntários obesos, submetidos à cirurgia de redução do estômago. As amostras foram colhidas antes da operação e dois anos depois. Apesar do emagrecimento à força e do intervalo de tempo entre uma análise e outra, o número de células adiposas não variou quase nada. Ficou ao redor dos 80 bilhões.

 

 



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