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Cartas
Ronaldo Um
título de uma reportagem jornalística não poderia cair tão
bem quanto "Uma escorregada fenomenal" (7 de maio). Não pelo
aspecto de deboche, que na verdade não há, mas sim pela verdade
que contém o título. Lamento muito pelo Ronaldo, posto que um ídolo
como ele precisa saber se comportar. Pobre por esse fato ele não ficará.
Sua imagem, sim, agora está na maior pobreza. Nos
últimos dias, a cidade do Rio de Janeiro parou para comentar esse caso,
que atingiu seriamente a imagem de um grande jogador. O que será que passou
pela cabeça do "Fenômeno" para se envolver com travestis?
Uma personalidade como ele, com a fama que tem e as excelentes oportunidades que
apareceram em sua vida, deveria ter bom senso e aproveitá-las. Ronaldo
é um ídolo de infância para mim. Um atleta moderno que aliava
força e técnica com a velocidade e um poder de finalização
inquestionável. Alguém como eu procurava ser nas aulas de educação
física, principalmente nas comemorações, em um devaneio infantil.
Ao ver um dos maiores atletas do futebol se degradando de tal maneira, eu me pergunto:
quanto posso confiar em um ídolo? Ronaldo
demonstra continuar sendo um pobre menino rico. "Pobre" de conceitos,
princípios e valores. "Menino", porque continua infantil nas
ações e reações de alguém que, pela idade,
pelas oportunidades e pela vivência, deveria ser um adulto mais centrado,
como muitos que ganharam o tetra e o penta com ele. Se
numa área, cercado de adversários, ele consegue fazer lindos gols,
como não conseguiu safar-se de uma trama provocada por algumas pessoas
de reputação não ilibada? Afinal, como heterossexual assumido,
segundo suas declarações, ele deveria ter tido a competência
de safar-se da confusão na qual se meteu, como o faz numa grande área
que invade por dever de ofício. Pegou muito mal o que ele fez. Não
dá para explicar esse episódio. Dinheiro, fama e amigos influentes
vão livrá-lo de desagradáveis conseqüências que
essa farra com os travestis poderia lhe trazer. Para nós, porém,
ficou a certeza do início de um fim melancólico daquele que já
foi um maravilhoso jogador de futebol, encheu o Brasil de alegria e não
soube administrar sua vida pessoal. Ronaldo,
por ser um grande jogador de futebol em recuperação, em vez de descansar
para acelerar sua volta aos gramados, pareceu não se preocupar com ela,
levando três travestis ao motel, de madrugada. E, depois, o que apanha é
o joelho! Ronaldo
foi, sim, Fenômeno, mas há tempos perdeu o título de ídolo
nacional, assim como seu futebol se distancia cada vez mais do auge. A confusão
em que se meteu foi lamentável e corrobora seu declínio. O assunto
teria sido digno de nota nessa edição? Sim, já que foi exaustivamente
explorado em todos os jornais e programas de TV durante semana. Mas será
que foi mesmo necessário a maior revista do Brasil dar dimensão
de capa a um fato que fez Ronaldo virar motivo de piada de esquina, forçou-o
a se isolar envergonhado, além de ver a noiva e polpudos contratos publicitários
darem adeus? Esses castigos não bastavam a ele? Poxa, VEJA, não
precisava chutar o defunto! Realmente,
foi muito desagradável o episódio de Ronaldo com os travestis. Porém,
acredito que ele vai superá-lo rapidamente e voltará a trazer muita
alegria aos seus numerosos fãs, pois sempre demonstrou ser um homem de
caráter. Fiquei
olhando longamente para a capa e relendo o comentário. Cheguei à
conclusão de que a imprensa, de modo geral, é demasiado compreensiva
com Pelé. Não podemos nos esquecer de que o rei também tem
sua vida povoada por escândalos. E, a meu ver, um mais grave que todos os
do Ronaldo. Não teve a hombridade de reconhecer a filha; só o fez
"debaixo de vara", negando à filha e aos netos o sagrado direito
da descendência. Que rei é esse? Como
pode uma revista como VEJA permitir que se compare nosso Ronaldinho, eterno fenômeno,
a Maradona? Como comparar um atleta a um viciado convicto? Nosso rei Pelé
já deu suas mancadazinhas e nem por isso deixa de ser o maior de todos
os tempos. Partiu
meu coração saber das escolhas que Ronaldo tem feito em sua vida.
Não precisava ser assim! Filho do Brasil que tanta alegria deu ao povo
deste país merece e precisa do nosso apoio! O
escritor Nelson Rodrigues escreveu numa de suas crônicas que, "se todo
mundo soubesse o que as pessoas fazem entre quatro paredes, ninguém cumprimentaria
ninguém". O músico Tom Jobim declarou numa entrevista que "sucesso
no Brasil é ofensa pessoal". Lembrei-me das palavras cáusticas
e precisas desses dois geniais brasileiros, ao analisar o midiático escândalo
sexual envolvendo outro genial brasileiro, o jogador Ronaldo. Não endosso
a errada na qual o craque se meteu, pois quem tem a carreira atrelada ao vigor
físico e à imagem pessoal, se não tem mais o primeiro, tem
de cuidar com zelo redobrado da segunda. Mas nada justifica a execração
que o maior artilheiro das Copas do Mundo, e também melhor jogador do planeta
por três vezes, está sofrendo. Ronaldo
cometeu um erro que somente ele tem de pagar. O problema é que nossa sociedade
hipócrita está tratando o caso como se fosse a primeira e única
vez, escrachando o atleta. Devemos pensar bem antes de condenar as pessoas, pois
poderemos ser as próximas vítimas de nossos erros. E aí,
como fica a situação? Nosso
craque foi vítima de extorsão quando queria apenas se divertir,
e merece a compreensão e a tolerância de todos. Você já
é um vencedor, Ronaldo. Continue fazendo gols.
Simon Schwartzman Brilhante o sociólogo
Simon Schwartzman (Amarelas, 7 de maio), que foi direto ao ponto, com uma avaliação
da universidade pública brasileira feita com a precisão de um raio
laser. Sou um dos privilegiados formados pelo ITA em 1964 e posso ver que, sem
saudosismo, a mesmice e a burocratice da universidade pública puxam o ITA
para baixo, quando deveria ser o contrário. O hermetismo das universidades
públicas, que inibe a busca de parceria com as empresas, tem algumas raras
e honrosas exceções, mas a regra é desanimadora. Já
que o retrato foi tão bem-feito pelo professor Simon Schwartzman, tomara
que a discussão sobre os destinos da universidade pública no Brasil
possam mudar de eixo e seguir os caminhos arejados dos melhores modelos mundiais.
Precisamos ver se o corporativismo deixa, mas isso é outra história.
Não custa sonhar! Concordo
plenamente com a entrevista do professor Simon Schwartzman quando diz que o sistema
de avaliação utilizado pela Capes tem mais de trinta anos e foi
até agora o ponto de inflexão na melhoria da qualidade da pesquisa
produzida no Brasil. Por causa dessa "cobrança de qualidade"
das agências de fomento (leia-se Capes, CNPq, Fapesp etc.), as revistas
científicas brasileiras ganharam ao longo destes anos qualidade e competitividade
jamais vistas. Assim, hoje temos periódicos indexados na maioria das agências
internacionais, o que dá visibilidade e respeitabilidade à pesquisa
produzida no Brasil. O
doutor Schwartzman acabou passando uma visão de que todo o trabalho desenvolvido
na universidade deveria ser aproveitado do ponto de vista prático e empresarial.
Eu gostaria de esclarecer ao leitor que o papel da universidade é, antes
de tudo, formar pessoal de nível superior com a orientação
de professores-pesquisadores que trabalham cada qual na sua área produzindo
conhecimento. A função da universidade também é realizar
pesquisa acadêmica de alto nível, cujos resultados poderão
(ou não) ter aproveitamento empresarial. No meu entender, a atividade principal
da universidade é a formação de profissionais qualificados
e o desenvolvimento de conhecimento nas mais diversas áreas. Do contrário,
não estamos falando de universidade, mas sim de um sistema de prestação
de serviços à empresa. Gostaria
de acrescentar que a preferência do professor universitário em relação
à publicação de trabalhos acadêmicos não é
questão de opção, mas de sobrevivência. A respeito
de se ter bons engenheiros na universidade, trata-se de meta que acontecia em
décadas anteriores, quando profissionais reconhecidos no meio técnico
eram convidados a lecionar. Hoje, a condição para ingressar na universidade
é (de novo) publicar, opção que favorece a contratação
de pós-graduandos, geralmente excelentes alunos recém-formados,
porém ainda sem experiência prática para oferecer serviços
de engenharia. Meu vaticínio é que, a persistir o modelo atual sem
as discussões propostas na entrevista, formaremos excelentes estagiários,
condição que sabiamente já foi percebida pelo mercado de
trabalho, que hoje procura "treinandos", ou, de maneira mais sutil,
"trainees". Achei
um equívoco a declaração desse renomado professor-pesquisador,
sociólogo, ex-presidente do IBGE quando diz que um grande médico
ou um grande químico deveriam ganhar mais que um professor de história.
Como sociólogo-pesquisador, ele deveria saber que a pesquisa empírica
é de muita importância para os estudos da área humana e social.
Por isso, a diferença não poderia ser a área a que pertencem
os profissionais (ciências exatas, biológicas ou humanas), e sim
a relevância de seu trabalho-pesquisa, no qual o mérito é
premiado e a diferença salarial se faria entre um grande médico
e um médico, um grande químico e um químico, um grande historiador
e um historiador. O
sociólogo Simon Schwartzman afirma: "Nunca vi um estudo sério
sobre a transposição do São Francisco". Recomendo-lhe
que acesse o site http://geocities.com/francisco_coutinho.
Grau de investimento no Brasil Com
grande satisfação, li a reportagem "Enfim, um país normal"
(7 de maio). Só a história é capaz de mostrar quem realmente
se preocupa com o desenvolvimento do país. Depois de tantos serviços
mal prestados ao Brasil por parte de equipes econômicas despreparadas, finalmente
podemos começar a vislumbrar um futuro de crescimento sustentado para o
país. Embora sendo criticados por muitos nos dias de hoje, o ex-presidente
Itamar Franco e seu ministro Fernando Henrique Cardoso fizeram com que as sementes
de um país melhor fossem plantadas. Aliás, mesmo enfrentando diversas
crises financeiras, o ex-presidente Fernando Henrique conseguiu manter o caminho
da austeridade e do bom senso. Lula, que menos contribuiu para esse processo,
fazendo apenas o trabalho de seguir os rumos que já vinham sendo trilhados,
é quem colhe os frutos dessa luta contra a instabilidade e a inflação.
Ilan Goldfajn Ótimo o artigo
"O campeonato continua" (7 de maio), de Ilan Goldfajn. A comparação
do Brasil com um time que passou para a primeira divisão é brilhante.
Principalmente por ser de fácil compreensão para o presidente Lula,
que tem grande apreço por tais metáforas.
Reinaldo Azevedo O artigo "O
que eles querem é imprensa nenhuma" (7 de maio), do jornalista Reinaldo
Azevedo, consegue com admirável maestria fazer uma síntese da postura
dessa esquerda, em fase de franca deterioração, representada pelo
Lula e pelo partido dele. No fundo, essas investidas contra a imprensa mal conseguem
disfarçar a já manjada e rançosa pretensão estatizante,
de inspiração gramsciana, de se apossar dos meios de comunicação
como a estratégia-chave da conquista e perpetuação
no poder. Ao
ouvir a fala de Lula sobre o caso Isabella, tive a mesma percepção
de Reinaldo Azevedo. O colunista captou o real sentido das declarações
de Lula, que, sempre tão condescendente e preocupado em que não
se cometam injustiças, insiste em negar as evidências por mais
claras que sejam, pois afinal todos cometem crimes, oops, "erros".
Não
defendo nenhuma censura, não sou petista e muito menos socialista, mas,
como democrata e liberal convicto, também não aprecio o que me parece
não passar de uma exploração comercial ininterrupta e espetaculosa
de dramas privados como se fossem assuntos de indiscutível interesse nacional.
O assassinato cruel de uma menininha pode até chocar e atrair a curiosidade
de toda a sociedade brasileira, mas é coisa bem diferente de uma epidemia
de meningite. Ao
acompanhar, entre estarrecida, perplexa e triste, o caso da pequena Isabella,
acompanhei também, especialmente, as severas críticas ao trabalho
da imprensa e me perguntei: afinal, temos ou não um fato de tal monta
pela sua brutalidade, estupidez, perfídia e merecedor da cobertura que
se deu, até porque queremos justiça? Confesso que, quando
me questionava e lia as críticas severas à mídia e as
afirmações de que as redes de televisão, os jornais e as
revistas estavam se aproveitando do fato para "faturar" audiência
e vender, voltava a me perguntar: quem está com a razão? Essa
inquietação durou até ter lido o artigo sensato, democrático
e lúcido de Reinaldo Azevedo. Pobre povo se depois de tudo ainda estivesse
impedido de fazer certas deduções. Obrigada, Reinaldo, você
conseguiu com sua sensatez equilibrar os meus sentimentos como cidadã e como
ser humano.
André Petry Como baiano, eu me ofendi
com o comentário do professor Antônio Natalino Manta Dantas. A
burrice está em dizer que baiano é burro. Estamos
voltando ao século XIX, quando o determinismo geográfico em vigor
afirmava que as condições naturais influenciavam o intelecto das
pessoas. Além disso, Antônio Natalino, como professor, deveria saber
que o QI não é recomendado para medir a inteligência.
Talvez uma das causas da nota 2 dos alunos de medicina no Enade seja o próprio coordenador,
que tenta eximir-se da culpa ("O QI dos baianos", 7 de maio). O
senhor João Jorge Santos parece não entender nada de liberdade de
expressão. O professor Antônio Natalino Manta Dantas apenas expressou
a sua opinião, nada além disso, mas o presidente do Olodum quer
calá-lo, como fariam os nazistas de Hitler, entrando com uma ação
no Ministério Público. Se continuar assim, logo será proposta
uma cota de batuques do Olodum nos meios de comunicação. Que
me permita a defesa dos baianos junto a nossos queridos patrícios.
Baiano burro nasce morto, já dizia o poeta. Mas, claro, alguns e
não são poucos têm fugido à regra, a exemplo
da nova geração de compositores do chamado "pagode baiano"
(filhote legítimo da axé music). São composições
que, nesse caso, enchem de razão o polêmico professor Antônio
Natalino Dantas. Afinal, o que de sublime há em rimar ioioiô
com ioioiô? Para
aqueles nativos da terra de Jorge Amado, a verdade aflorou irritando os paladinos
da hipocrisia. A declaração do professor Dantas está calcada
em uma vida inteira dedicada ao ensino (técnico de alto nível),
quando chegou à cândida conclusão sobre a inteligência
do baiano médio. Ele sabe que temos baianos brilhantes. Mas sabe também
que a maioria deles é migrante. A discussão verdadeira é:
o ambiente embota o baiano a ponto de empobrecer o seu QI? Fizeram celeuma
das palavras certas num momento sensível da nossa história, no qual
uma das preocupações da sociedade está voltada para
as "cotas racistas" entre outras de grande monta , mas,
ainda, em estágio primitivo de execução. Depreende-se
do desabafo do professor o inconformismo com o tipo do brasileiro que não
se dispõe ao desafio de usar sua capacidade mental. Talvez o baiano
não precise. Observe-se que o livre-arbítrio de um povo
deve ser sagrado. Baianos de QI privilegiado levam a Bahia tão a
sério que... migram.
Aquecimento global Lembro-me de que, numa das primeiras
aulas de história a que assisti no ensino fundamental, a professora ensinou
que a principal função de sua matéria era nos fazer refletir
sobre as falhas cometidas no passado para não repeti-las. Contudo, ao analisarmos
o eminente caos que poderá assolar o nosso único lar, o planeta
Terra, em conseqüência do aquecimento global, e a falta de esforços
significativos de grande parte da população para tentar reverter
o quadro, vemos que de fato não aprendemos nada com os erros de tantas
civilizações passadas ("O planeta tem pressa", 7 de maio). A
única forma de a humanidade colaborar para que o meio ambiente não
venha a sofrer danos irreparáveis é conscientizar-se do controle
da natalidade. Na reportagem, só não foi mencionado que precisamos
urgentemente reduzir a população humana para, no máximo,
1 bilhão de pessoas. Se aplicada agora uma política mundial de um
filho por casal, esse resultado só aparecerá daqui a muitas décadas.
Se nada for feito, até lá, essa omissão vai custar muito
caro para cada um que viver na Terra. Nosso planeta pode abrigar
com boa qualidade de vida até 2 bilhões de pessoas. Já estamos
com 6 bilhões. Se nada for feito, nascerão "por acaso"
mais 3 bilhões até o ano 2050. Pelo amor de Deus, acrescentem a
51ª solução: "Anticoncepcionais gratuitos com orientação
médica para todos os necessitados". Com essa medida, estabilizaremos
a população e diminuiremos o sofrimento já anunciado pelos
cientistas. Hoje temos 1 bilhão de pessoas passando fome e 2 bilhões
sobrevivendo com grave falta de água. Se os governantes e as religiões
ficarem imóveis, o que farão com mais 3 bilhões de pessoas
desesperadas, dentro de algumas décadas?
Datas Quero
expressar a imensa tristeza que senti ao tomar conhecimento do falecimento do
deputado federal Ricardo Izar (Datas, 7 de maio). Lamentavelmente, o país
perde um dos seus mais ilustres parlamentares, que sempre se orientou pela retidão,
lealdade, ética e vida política norteada para o bem do povo. Como
presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, ele manteve o reconhecimento
de seu trabalho junto ao eleitorado e à opinião pública.
Rogamos a Deus que esse modelo de conduta pública e verdadeiro exemplo
de vida sirva de inspiração para outros, perpetuando assim sua incessante
luta pelos direitos do povo. Sobre nota publicada
na seção Datas, na edição de 7 de maio de 2008, o
Ministério da Cultura esclarece que o ministro Gilberto Gil não
anunciou que pretende dar ao chá de ayahuasca a condição
de patrimônio cultural brasileiro. No dia 30 de abril, quando cumpriu agenda
no Acre, o ministro recebeu de lideranças religiosas da comunidade do Alto
Santo pedido para que o uso do chá de ayahuasca por comunidades tradicionais
recebesse esse reconhecimento. Na ocasião, o ministro informou que o pedido
será encaminhado para avaliação de especialistas e técnicos
do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Iphan), cumprindo todas as etapas pertinentes aos processos do gênero.
Claudio de Moura Castro Ao
ler o artigo "Diamantes descartados" (Ponto de vista, 7 de maio), me
perguntei o porquê de tamanho desinteresse pela educação no
Brasil. Talvez seja a impaciência de esperar os benefícios a longo
prazo que a educação traz. É diferente do que ocorre com
o futebol, por exemplo. O interesse nessa área é bem maior porque,
quando um diamante é encontrado, saem ganhando, de imediato, o técnico,
os pais e o atleta. Todos têm em vista um benefício próprio
e a curto prazo. É preciso reverter esse pensamento mesquinho e nocivo,
e propalar incansavelmente que a educação beneficia não só
o indivíduo, mas também o país. Valiosíssima
a exposição do economista Claudio de Moura Castro quando se refere
ao costume do estado brasileiro de fechar os olhos para as mentes talentosas.
Nessa guerra em que se transformou o cambaleante sistema educacional brasileiro
com professores sem incentivo, que lembram eternos enfermeiros estagiários
em enfermarias improvisadas, e alunos que se assemelham a pacientes mutilados
em meio ao caos , é de esperar que alunos mais talentosos, sobretudo
em áreas que possam beneficiar mais o desenvolvimento do país, sejam
postos em último lugar na fila. Parece utopia
no Brasil existirem programas especiais para alunos talentosos, uma vez que não
há programa nem para os alunos comuns.
Josef Fritzl A
reportagem sobre o sádico austríaco Josef Fritzl deixou-me estarrecida
("O monstro do porão", 7 de maio). Não compreendo como
um homem conseguiu fazer o mal que ele fez, por tanto tempo, sem que ninguém
percebesse. Sugiro
ao governo da Áustria que mantenha o senhor Fritzl em prisão domiciliar,
passando o resto dos seus dias no porão de sua casa, nas mesmas condições
em que ele manteve sua família.
Diogo Mainardi Espetacular
o texto de Diogo Mainardi a respeito da elevação do Brasil ao chamado
investment grade grau de investimento ("Eu sou BBB- Você é
BBB-", 7 de maio). O Brasil comemora esse feito, mas se esquece dos problemas
internos que continuam a assolar nossa sociedade, como a violência e a corrupção.
Embora tenha ficado, como brasileiro, um tanto orgulhoso com o nosso "BBB-",
ainda me perturba não poder sair à rua à noite, com medo
de "tomar um tiro na testa" ou ser assaltado na esquina da minha rua.
CORREÇÕES: o nome do deputado estadual e líder do governo na Assembléia Legislativa do Ceará é Nelson Martins, e não Nilton Martins, como informou a reportagem "Isso é que é genro..." (7 de maio). Na tabela "Aumento do número de índios em Manaus", publicada na página 146 da edição passada de VEJA, faltou mencionar a Pastoral Indigenista/CIMI e o pesquisador Roberto Jaramillo Bernal como fonte de dados.
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