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Edição 1 802 - 14 de maio de 2003
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Leia trechos de livros, veja trailers de filmes e ouça as músicas dos CDs recomendados nas últimas semanas por esta coluna na seção multimídia de VEJA on-line.

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LIVROS

Mistério à Americana 2 (tradução de Roberto Muggiati; Record; 444 páginas; 52 reais) – O escritor Lawrence Block, um dos principais expoentes da literatura policial americana na atualidade, é o responsável pela seleção dos vinte contos de mistério que compõem essa antologia. Trata-se de um excelente portfólio do que há de melhor sendo produzido nessa área hoje em dia. No livro, há novatos que são uma grata surpresa – é o caso de Roxana Robinson, autora do conto A Plástica Facial, que tem um certo quê feminista. Um dado curioso é a presença da romancista e ensaísta Joyce Carol Oates. Ela comparece com o violento A Garota com o Olho Roxo, em que a protagonista narra como foi raptada, espancada e estuprada por um criminoso quando tinha 15 anos.

 
Liane Neves
Verissimo: crônicas sobre literatura, música e cinema  

Banquete com os Deuses, de Luis Fernando Verissimo (Objetiva; 226 páginas; 22,90 reais) – Nos últimos três anos, os fãs do gaúcho Luis Fernando Verissimo foram brindados com reedições das crônicas mais divertidas que ele escreveu em sua carreira. Depois de coletâneas recheadas com seus escritos sobre sexo e com as histórias do analista de Bagé, agora chegou a vez das crônicas em que o autor fala sobre música, cinema e literatura. Se normalmente os textos de Verissimo são engraçados, em Banquete com os Deuses revelam-se outras qualidades do autor: a erudição e o gosto pela cultura pop. As 73 crônicas reunidas no livro trazem suas impressões sobre os filmes de Fellini, o jazz de Miles Davis, as peças de Shakespeare e o humor do americano Seinfeld, entre muitos outros temas. Leia trechos do livro.

Sex and the City, de Candace Bushnell (tradução de Celina Cavalcante Falck; Record; 350 páginas; 39 reais) – Nos anos 90, a jornalista americana Candace Bushnell criou uma coluna de sucesso num jornal nova-iorquino, em que narrava as experiências (sexuais, obviamente) de quatro amigas solteiras e para lá de despachadas. A coluna Sex and the City foi o mote da série de TV homônima. Ler os artigos de Candace reunidos nesse lançamento é uma experiência tão engraçada quanto assistir ao programa, exibido no Brasil pelo canal pago Multi-show. A autora, dona de um humor impiedoso, vale-se de um alter ego para assinar seus artigos: a personagem Carrie, interpretada na televisão por Sarah Jessica Parker. E Mr. Big, o homem com quem Carrie tem uma encrenca, seria um famoso editor que foi namorado da jornalista na vida real.

 

VÍDEO

Narc (Estados Unidos, 2002. Flashstar) – O diretor Joe Carnahan é a nova grande descoberta de Hollywood – graças a Tom Cruise, que bancou esse filme. Jason Patric é um policial do departamento de narcóticos que se envolveu mais do que devia com as drogas e está aposentado. Ray Liotta é o detetive truculento que perdeu o parceiro e quer provar que ele foi assassinado por traficantes. Um precisa do outro – mas, com muita sensatez e alguma originalidade, o diretor não desfaz o clima de animosidade entre a dupla, como acontece nesses filmes. Ao contrário, trata de aprofundá-lo, e se sai com um policial pesado e honesto, na linha do clássico Operação França, com o qual divide também o dinamismo visual. Carnahan aproveitou bem sua chance: além de ter dirigido um daqueles cobiçados curtas-metragens da BMW, deve comandar Missão Impossível 3 no ano que vem.

 

DISCOS

Divine Operating System, Supreme Beings of Leisure (Trama) – Quando perguntados sobre o estilo sonoro em que atuam, os integrantes desse grupo baseado em Los Angeles afirmam que fazem uma música "lânguida". Tradução: eles fazem lounge, o gênero de eletrônica bom para ouvir esparramado num sofá, com uma ou outra faixa mais dançante. O grande trunfo da banda é a vocalista Geri Soriano. Ela canta com a impostação da diva jamaicana Grace Jones e com a classe de uma Shirley Bassey – a galesa especialista em interpretar temas de James Bond. Cabe aos DJs e tecladistas do grupo dar um belo fundo musical aos seus trinados, com muitos samplers de soul music dos anos 70. Nesse segundo disco do grupo, canções como Catch Me e Divine são ótimas para embalar uma noite perfeita.

 
Paulo Jares
Baden Powell: treze CDs que mostram como o popular pode ser refinado  

Baden Powell, Baden Powell (Universal) – Na letra de Pra que Discutir com Madame, os autores Janet de Almeida e Haroldo Barbosa apresentavam uma dama da sociedade que repudiava a cultura popular em nome da arte "sofisticada". Pois essa caixa de treze CDs do violonista Baden Powell (1937-2000) mostra que esses dois mundos podem muito bem se encontrar. Baden começou a carreira como instrumentista da orquestra da Rádio Nacional e burilou seu estilo único, de dedilhados precisos e suaves, apresentando-se nas boates cariocas. A caixa reúne os álbuns lançados pelos selos Phillips, Elenco e Forma. Traz grandes gemas como Os Afro-Sambas,de 1966, criados a partir de noitadas ao lado do poeta Vinícius de Moraes, e a deliciosa parceria com o baterista de jazz Jimmy Pratt, lançada no ano seguinte. Ouça músicas.

 

DVD

Marty (Estados Unidos, 1955. Fox) – Sempre recrutado para papéis de durões ou brutamontes, Ernest Borgnine ganhou um Oscar interpretando o açougueiro Marty, um sujeito decente e de bom coração, mas que é feio e não tem sorte com as mulheres. Censurado por sua família italiana pela solteirice, Marty não sabe como explicar que não agüenta mais tantas rejeições amorosas. Numa ida a um salão de baile, ele conhece uma figura ainda mais triste do que ele: Clara (Betsy Blair), uma professora sem charmes visíveis que acaba de ser deixada sozinha por seu par. Condoído, Marty a convida para dançar e acaba tendo a melhor noite de sua vida. Belo roteiro de Paddy Chayefsky (também oscarizado, assim como o filme e a direção de Delbert Mann) e grandes atuações – entre elas a de Esther Minciotti, como a sensível mãe do açougueiro.

   
 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
   
 
   
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