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Edição 1 802 - 14 de maio de 2003
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]


CORRUPÇÃO

Silveirinhas paulistas
A Receita Federal identificou, em São Paulo, um viveiro de corruptos em quase tudo semelhante ao que foi instalado na fiscalização no Rio de Janeiro. A diferença fica por conta da anatomia. Os silveirinhas paulistas têm a boca bem mais larga e mordem com mais força o patrimônio público. As investigações começam em junho.

Lavanderia Brasil
O BC deve anunciar nesta semana um novo arrocho na tentativa de controlar a lavagem de dinheiro no país. Entre as novas normas, uma se destaca. Passará a ser exigida a identificação daquele que depositar em dinheiro vivo acima de 40.000 reais em contas correntes.

 

GOVERNO

Papéis trocados
De Aloizio Mercadante, num acesso de autocrítica na semana passada, revelando seu desconforto com algumas posições intransigentes dos parlamentares tucanos: "Eles estão achando que ser boa oposição é fazer o que o PT fazia".

Pindaíba brasileira 1
A inadimplência do Brasil com a Unesco está chegando ao limite. Se até agosto o governo não pagar pelo menos parte dos 18 milhões de dólares que deve, o Brasil perderá o direito de voto no organismo.

Pindaíba brasileira 2
Aliás, já que o caixa anda tão baixo, não seria melhor que a embaixada brasileira em Paris assumisse a atribuição de representar o país na Unesco? Essa acumulação já é feita por quase todos os países da América Latina.

 

PARTIDOS

Vale tudo
O líder do PP, Pedro Henry, é um parlamentar que, certamente, desconhece o conceito de conflito de interesses. Na semana passada, nomeou Silvia Campos, com um salário de 6.000 reais, para assessorá-lo na liderança do partido na Câmara dos Deputados. Ela é filha do ex-governador de Mato Grosso Júlio Campos – que nesta semana, como conselheiro do TCE, votará as contas de Pedro Henry, ex-presidente da companhia de saneamento de Mato Grosso.

 

Ele continua fugindo de polêmicas

Em conversas com seus assessores mais chegados, Ciro Gomes avaliou que as notícias publicadas nos últimos dias sobre sua possível transferência para o Ministério do Planejamento são intrigas destinadas a minar seu prestígio junto a Lula. Mas ficará quieto, não quer polêmicas. Ciro deve anunciar nesta semana que seu ministério (e não o dos Transportes) tocará a construção da Ferrovia Transnordestina, que ligará Pernambuco ao Ceará. Enquanto isso, não se descuida de suas alianças: reuniu-se com Tasso Jereissati das 6 da noite de segunda-feira até as 2 da madrugada de terça-feira passada.

 

ECONOMIA

Ainda um sem-banco
Naufragou, pelo menos por ora, a tentativa do ex-banqueiro Luiz Cezar Fernandes (ex-Pactual) de voltar ao mercado financeiro. Ele anunciara a criação do banco de investimentos Invixx, mas o negócio gorou. Não obteve a carta patente do BC e seus três sócios lhe deram bye-bye.

Economia de guerra
José Roberto Marinho vendeu seu avião particular, um monomotor Pilatus. Também há pouco mais de um mês, as Organizações Globo se desfizeram de seu último jatinho. A quem interessar possa: a Riana, empresa de aviação das Organizações Globo, está estudando a possibilidade de negociar seu hangar no Aeroporto Santos Dumont.

 

AVIAÇÃO

Será que voa? 1
Vai de vento em popa a articulação do Opportunity para tentar fazer a TransBrasil levantar vôo novamente. Está sendo montado um plano de negócios para a companhia.

Será que voa? 2
No entanto, para que haja a decolagem é necessário o o.k. do Departamento de Aviação Civil (DAC). Neste momento, encaminha-se para o final o inquérito administrativo conduzido pelo DAC que dirá se as concessões das antigas rotas da TransBrasil podem ser reutilizadas pela companhia. Espera-se a decisão final em 20 dias.

 

TUCANOS

FHC e Serra
Em sua última viagem aos EUA, FHC teve uma longa e reservada reunião com José Serra. FHC está mais ativo do que nunca.

Pós-quarentena
Livre da quarentena obrigatória, o ex-ministro Paulo Renato Souza está abrindo uma consultoria em educação. Já tem como clientes a FGV e o Prisa, o maior grupo de mídia da Espanha. Além disso, está com a missão de prospectar negócios no setor de educação para dois megafundos de investimentos americanos. Quanto à política, ele garante que só irá voltar a pensar no assunto a partir de 1º de julho.

 

CINEMA

Zen para inglês ver
Que ninguém se engane com o jeitão zen de Luiz Gushiken: a paz com a turma do cinema nacional foi selada, mas a fiscalização sobre os projetos culturais patrocinados pelas estatais vai ser infernal.

 

CARNAVAL

O Viagra entra na avenida
A Pfizer está excitadíssima com a possibilidade de patrocinar uma escola de samba carioca no Carnaval do ano que vem, a exemplo do que fez a Vale do Rio Doce neste ano. O enredo seria em torno do Viagra. Resta saber se será capaz de levantar a arquibancada.

 

TELEVISÃO

Luz amarela
A média de audiência nas noites de domingo em São Paulo é uma amostra poderosa de como Silvio Santos deve estar com as barbas de molho. Entre janeiro e abril deste ano, o ibope de Gugu e SS entre 18 horas e meia-noite foi de 16%, contra os 25% que a dupla alcançava no mesmo período do ano passado. Enquanto isso, a esquadra da Globo, comandada no horário basicamente por Faustão e pelo Fantástico, passou de 26% para 30%.

 

O poder tirou a inspiração de Gil

Em seus primeiros 130 dias de poder, Gilberto Gil não teve inspiração para compor nenhuma música. Nenhum lampejo de criação, nenhum verso ou melodia novos, apesar de ele andar com o violão para lá e para cá – na semana passada, por exemplo, foi ao Chile com o violão na bagagem. A permanecer esse vazio criativo, um disco de canções inéditas de Gil só mesmo quando acabar sua temporada em Brasília.

 

Colaborou Ronaldo França



 
 

 

 

   
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