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O maior roubo a banco
da história
Filho
de Saddam levou 1 bilhão
de dólares do BC iraquiano horas
antes da invasão americana

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No ocaso
de sua ditadura no Iraque, Saddam Hussein acrescentou um título
espetacular a seu currículo: o de maior ladrão de banco
da história. Na madrugada de 18 de março, horas antes de
cair a primeira bomba americana em Bagdá, ele surrupiou 1 bilhão
de dólares em dinheiro vivo dos cofres do banco central iraquiano.
Não houve tiros, vigias rendidos nem tomada de reféns. O
assalto foi feito de modo quase burocrático e bem dentro do figurino
do regime de terror que imperou no Iraque por duas décadas: Qusai,
o filho caçula do ditador, foi ao banco e apresentou uma ordem
de saque assinada por Saddam. "Quando você recebe uma ordem de Saddam,
não há o que discutir", explicou na semana passada o funcionário
que abriu as portas do cofre. Foram levados 900 milhões em notas
de 100 dólares e 100 milhões em cédulas variadas
de euro. A dinheirama roubada, que equivalia a um quarto das reservas
em moeda forte do Iraque, foi transportada em três caminhões,
e até agora não se tem idéia de onde está
o dinheiro.
AP
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Qusai:
roubo em nome do pai
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Qusai apresentou-se ao banco central acompanhado de quatro altos figurões
do regime, entre eles o ministro das Finanças, Hekmet al-Azawi.
Nada disso daria legalidade ao saque. Nem pelas leis do Iraque, feitas
sob medida para garantir o poder absoluto de Saddam, o presidente tem
o direito de dispor das reservas nacionais em moedas fortes como se fosse
sua conta corrente pessoal. Um presidente pode ordenar uma transferência
de fundos, como um ato administrativo. Já sacar 1 bilhão
de dólares em dinheiro vivo, no meio da madrugada, isso é
impensável, a não ser, claro, para um facínora do
calibre de Saddam Hussein.
O que Saddam
vai fazer com todo esse dinheiro? O temor de Washington é que o
ex-ditador e sua família, que até a sexta-feira passada
continuavam foragidos, queiram usá-lo para financiar ataques armados
às tropas americanas. Al-Azawi, o ministro que acompanhou Qusai
ao banco central, foi preso na semana passada em Bagdá. Ele pode
dar pistas do paradeiro do dinheiro e também da família
do ditador foragido. No mês passado, soldados americanos descobriram
650 milhões de dólares em maços de notas de 100 dólares
em esconderijos perto do palácio presidencial, em Bagdá.
As investigações feitas até agora indicam que não
se trata das mesmas cédulas levadas do banco central. A suspeita
é que os dólares pertenciam a Udai Hussein, o filho mais
velho de Saddam e ao que tudo indica um ladrão tão
portentoso quanto o pai. Udai sempre gostou de ter grande quantidade de
dinheiro vivo a sua disposição. Os valores astronômicos
dão uma mostra de como a família de Saddam enriquecia enquanto
a maioria dos iraquianos passava dificuldade devido ao embargo econômico
em vigor desde a Guerra do Golfo, em 1991. Já foi rastreado mais
de 1,5 bilhão de dólares do ditador deposto em contas espalhadas
por paraísos fiscais. A fortuna pessoal de Saddam foi avaliada
em 2 bilhões de dólares pela revista Forbes
valor que deve ser revisto para cima após o assalto ao banco central
iraquiano.
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