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Edição 1 802 - 14 de maio de 2003
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O maior roubo a banco
da história

Filho de Saddam levou 1 bilhão
de dólares do BC iraquiano horas
antes da invasão americana


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Os especiais Guerra no Iraque e a A Era Saddam Hussein

No ocaso de sua ditadura no Iraque, Saddam Hussein acrescentou um título espetacular a seu currículo: o de maior ladrão de banco da história. Na madrugada de 18 de março, horas antes de cair a primeira bomba americana em Bagdá, ele surrupiou 1 bilhão de dólares em dinheiro vivo dos cofres do banco central iraquiano. Não houve tiros, vigias rendidos nem tomada de reféns. O assalto foi feito de modo quase burocrático e bem dentro do figurino do regime de terror que imperou no Iraque por duas décadas: Qusai, o filho caçula do ditador, foi ao banco e apresentou uma ordem de saque assinada por Saddam. "Quando você recebe uma ordem de Saddam, não há o que discutir", explicou na semana passada o funcionário que abriu as portas do cofre. Foram levados 900 milhões em notas de 100 dólares e 100 milhões em cédulas variadas de euro. A dinheirama roubada, que equivalia a um quarto das reservas em moeda forte do Iraque, foi transportada em três caminhões, e até agora não se tem idéia de onde está o dinheiro.


AP

Qusai: roubo em nome do pai


Qusai apresentou-se ao banco central acompanhado de quatro altos figurões do regime, entre eles o ministro das Finanças, Hekmet al-Azawi. Nada disso daria legalidade ao saque. Nem pelas leis do Iraque, feitas sob medida para garantir o poder absoluto de Saddam, o presidente tem o direito de dispor das reservas nacionais em moedas fortes como se fosse sua conta corrente pessoal. Um presidente pode ordenar uma transferência de fundos, como um ato administrativo. Já sacar 1 bilhão de dólares em dinheiro vivo, no meio da madrugada, isso é impensável, a não ser, claro, para um facínora do calibre de Saddam Hussein.

O que Saddam vai fazer com todo esse dinheiro? O temor de Washington é que o ex-ditador e sua família, que até a sexta-feira passada continuavam foragidos, queiram usá-lo para financiar ataques armados às tropas americanas. Al-Azawi, o ministro que acompanhou Qusai ao banco central, foi preso na semana passada em Bagdá. Ele pode dar pistas do paradeiro do dinheiro e também da família do ditador foragido. No mês passado, soldados americanos descobriram 650 milhões de dólares em maços de notas de 100 dólares em esconderijos perto do palácio presidencial, em Bagdá. As investigações feitas até agora indicam que não se trata das mesmas cédulas levadas do banco central. A suspeita é que os dólares pertenciam a Udai Hussein, o filho mais velho de Saddam – e ao que tudo indica um ladrão tão portentoso quanto o pai. Udai sempre gostou de ter grande quantidade de dinheiro vivo a sua disposição. Os valores astronômicos dão uma mostra de como a família de Saddam enriquecia enquanto a maioria dos iraquianos passava dificuldade devido ao embargo econômico em vigor desde a Guerra do Golfo, em 1991. Já foi rastreado mais de 1,5 bilhão de dólares do ditador deposto em contas espalhadas por paraísos fiscais. A fortuna pessoal de Saddam foi avaliada em 2 bilhões de dólares pela revista Forbes – valor que deve ser revisto para cima após o assalto ao banco central iraquiano.

 
 
   
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