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Edição 1 802 - 14 de maio de 2003
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Genes na balança

DNA ajuda a explicar por que uma
mesma dieta funciona para algumas
pessoas e não para outras

 
Lalo de Almeida
Análise genética vai beneficiar primeiro quem tem disfunção grave no metabolismo

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As dietas são quase tão numerosas quanto impraticáveis e difíceis de seguir por muito tempo. Uma das razões para essa crônica ineficiência dos regimes de perda de peso é o ainda superficial conhecimento da medicina sobre como funcionam exatamente os processos metabólicos do organismo. Mais do que qualquer outra característica humana, com exceção talvez da personalidade, esses processos variam enormemente de uma pessoa para outra. A dieta perfeita seria aquela que respeita integralmente o que os especialistas chamam de "assinatura genética", justamente as particularidades metabólicas de cada indivíduo. Esse é o campo de estudo dos cientistas do Centro de Excelência para o Estudo Genético da Nutrição, na Universidade da Califórnia, campus de Davis, nos Estados Unidos. Os pesquisadores do laboratório californiano estão trabalhando no que poderá vir a ser a primeira "dieta genética" colocada à disposição dos obesos. Eles já estabeleceram interações genéticas entre diversos tipos de alimento e colesterol alto, diabetes, intolerância à lactose e incapacidade de absorção de diversos micronutrientes.

Até hoje a busca de dietas individualizadas não produziu grandes resultados justamente porque elas ignoravam a identidade genética das pessoas. O médico Peter D'Adamo sugeriu em 1996 uma dieta que fez furor por receitar comidas de acordo com o tipo sanguíneo. Anos mais tarde o americano Michael Roizen, da Universidade de Chicago, passou a prescrever dietas de acordo com a idade biológica dos obesos, que nem sempre coincide com a idade que consta na carteira de identidade. Roizen chamou seu regime de dieta da idade verdadeira. Apesar dos cálculos complicados que propunha, essa dieta se resumia, no fundo, à reeducação alimentar.

"Já descobrimos quais são os tipos de gene que tornam certas pessoas incapazes de absorver determinados nutrientes", diz Wasyl Malyj, um dos pesquisadores da Universidade da Califórnia. Com base nessa informação, os cientistas poderão identificar e desativar parte dos genes responsáveis, por exemplo, pela absorção de gorduras danosas para o organismo. Embora a dieta genética pertença ao futuro próximo, aplicações práticas das pesquisas nessa área já existem. Foi graças a esse tipo de estudo que se identificou como age o genestein, uma substância química do grão de soja que é capaz de se ligar a determinadas células e regular sua fabricação de genes. Pessoas diferentes reagem diferentemente ao genestein da soja. Essas variações genéticas explicam por que duas pessoas que seguem a mesma dieta não obtêm os mesmos resultados na balança. Os primeiros beneficiados com a dieta dos genes são as pessoas que sofrem de uma disfunção grave no metabolismo, cerca de 20% da população mundial.

   
 

 

   
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