
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
|
|
Genes na balança
DNA
ajuda a explicar por que uma
mesma dieta funciona para algumas
pessoas e não para outras
Lalo de Almeida
 |
| Análise
genética vai beneficiar primeiro quem tem disfunção
grave no metabolismo |

Veja também |
|
|
|
As dietas
são quase tão numerosas quanto impraticáveis e difíceis
de seguir por muito tempo. Uma das razões para essa crônica
ineficiência dos regimes de perda de peso é o ainda superficial
conhecimento da medicina sobre como funcionam exatamente os processos
metabólicos do organismo. Mais do que qualquer outra característica
humana, com exceção talvez da personalidade, esses processos
variam enormemente de uma pessoa para outra. A dieta perfeita seria aquela
que respeita integralmente o que os especialistas chamam de "assinatura
genética", justamente as particularidades metabólicas de
cada indivíduo. Esse é o campo de estudo dos cientistas
do Centro de Excelência para o Estudo Genético da Nutrição,
na Universidade da Califórnia, campus de Davis, nos Estados Unidos.
Os pesquisadores do laboratório californiano estão trabalhando
no que poderá vir a ser a primeira "dieta genética" colocada
à disposição dos obesos. Eles já estabeleceram
interações genéticas entre diversos tipos de alimento
e colesterol alto, diabetes, intolerância à lactose e incapacidade
de absorção de diversos micronutrientes.
Até
hoje a busca de dietas individualizadas não produziu grandes resultados
justamente porque elas ignoravam a identidade genética das pessoas.
O médico Peter D'Adamo sugeriu em 1996 uma dieta que fez furor
por receitar comidas de acordo com o tipo sanguíneo. Anos mais
tarde o americano Michael Roizen, da Universidade de Chicago, passou a
prescrever dietas de acordo com a idade biológica dos obesos, que
nem sempre coincide com a idade que consta na carteira de identidade.
Roizen chamou seu regime de dieta da idade verdadeira. Apesar dos cálculos
complicados que propunha, essa dieta se resumia, no fundo, à reeducação
alimentar.
"Já
descobrimos quais são os tipos de gene que tornam certas pessoas
incapazes de absorver determinados nutrientes", diz Wasyl Malyj, um dos
pesquisadores da Universidade da Califórnia. Com base nessa informação,
os cientistas poderão identificar e desativar parte dos genes responsáveis,
por exemplo, pela absorção de gorduras danosas para o organismo.
Embora a dieta genética pertença ao futuro próximo,
aplicações práticas das pesquisas nessa área
já existem. Foi graças a esse tipo de estudo que se identificou
como age o genestein, uma substância química do grão
de soja que é capaz de se ligar a determinadas células e
regular sua fabricação de genes. Pessoas diferentes reagem
diferentemente ao genestein da soja. Essas variações genéticas
explicam por que duas pessoas que seguem a mesma dieta não obtêm
os mesmos resultados na balança. Os primeiros beneficiados com
a dieta dos genes são as pessoas que sofrem de uma disfunção
grave no metabolismo, cerca de 20% da população mundial.
|
|
 |
|
 |

|
 |