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Gênios e autistas?
Segundo
pesquisadores ingleses,
Einstein e Newton sofriam de
uma síndrome cerebral
Paula Neiva
AFP
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| Einstein:
sete ternos idênticos e voz monótona |
O alemão Albert Einstein e o inglês Isaac Newton, dois dos
maiores gênios da história da humanidade, provavelmente eram
autistas. É o que diz um artigo publicado no Journal of the
Royal Society of Medicine, uma das mais prestigiosas revistas científicas
da Inglaterra. A hipótese foi formulada por Ioan James, pesquisador
da Universidade de Oxford, e validada pelo psiquiatra Simon Baron-Cohen,
diretor do Centro de Pesquisa em Autismo da Universidade de Cambridge.
De acordo com esses especialistas, que esmiuçaram as biografias
de Einstein e Newton, ambos encaixavam-se no perfil de quem apresenta
um tipo de autismo que acomete principalmente pessoas com inteligência
acima da média a síndrome de Asperger, uma doença
que passou a ser estudada com maior profundidade a partir da década
de 80. Seus portadores não vivem completamente desconectados da
realidade, como ocorre no autismo clássico. Os principais sintomas
da síndrome são obsessão por um assunto, reações
desmedidas de amor e ódio, dificuldade para interpretar sinais
não-verbais, como gestos e olhares, voz monocórdia, rotina
repetitiva e uma grande tendência ao isolamento.
Newton,
que começou a desvendar a lei da gravidade aos 23 anos, era um
sujeito distante, de poucas palavras, e freqüentemente tinha acessos
de mau humor. Desde a infância, quando se apaixonava por um tema,
ele o fazia com tanta intensidade que se impunha longos períodos
de solidão para estudá-lo. Nessas ocasiões, esquecia
até de comer. Os pesquisadores ingleses reconheceram em Newton
outros sinais da síndrome de Asperger. Entre eles, o desleixo com
a aparência e a mania de reescrever até vinte vezes os seus
estudos, sem fazer quase nenhuma alteração de uma cópia
para outra.
No caso
de Einstein, que formulou a teoria da relatividade aos 26 anos, os sintomas
também seriam típicos. Quando criança, ele costumava
repetir a mesma frase durante horas e estava sempre sozinho. Mais tarde,
na Universidade de Princeton, adotou uma rotina curiosa. Fizesse chuva
ou sol, todos os dias, ele e seu único amigo (um matemático
neurótico chamado Kurt Göbel) saíam para passear depois
de se telefonarem pontualmente às 11 horas. Einstein também
tinha uma maneira peculiar de vestir-se. Em seu guarda-roupa, ele mantinha
sete ternos. Todos idênticos. Até sua profunda paixão
por música erudita, dizem os pesquisadores, poderia ter relação
com a síndrome. "A música é uma forma de ficar independente
dos outros", costumava dizer Einstein. Com uma vozinha monótona,
como é próprio dos portadores da tal síndrome. A
hipótese de ele e Newton sofrerem da doença não diminui
em nada a genialidade de ambos. Afinal de contas, como afirmou o próprio
doutor Hans Asperger, um pediatra austríaco, "ao que tudo indica,
para ter sucesso na ciência ou na arte, um pouco de autismo é
essencial".
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