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Edição 1 802 - 14 de maio de 2003
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A aposta das pequenas

Enquanto a Varig e a TAM vivem
um momento difícil, as companhias
regionais tentam lucrar com o setor

José Eduardo Costa

 
Claudio Rossi
Avião da Ocean Air: empresa quer dobrar o número de vôos até o fim do ano

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No momento em que gigantes como Varig e TAM enfrentam uma crise sem precedentes, chama a atenção a decisão de alguns empresários de investir na criação de novas companhias aéreas – todas pequenas. Considerando a fusão Varig e TAM, hoje existem apenas três empresas de grande porte no Brasil. As outras são a Vasp e a Gol. No caso das companhias pequenas, o número é pelo menos cinco vezes maior. Além disso, o Departamento de Aviação Civil analisa o pedido de dez empresários que também desejam trabalhar com companhias aéreas regionais.

As companhias aéreas pequenas operam rotas regionais desprezadas pelas grandes empresas. Elas investem em linhas como Rio de Janeiro–Macaé ou Rio de Janeiro–Parati. Para as gigantes do setor, cumprir um trecho desses é prejuízo garantido em função do corpanzil administrativo dessas companhias e da forma como elas trabalham. Ao modernizarem suas frotas, as grandes empresas foram adquirindo aviões cada vez maiores. Com isso, deixaram de lado os aeroportos pequenos, pois o número de passageiros por vôo acabava não pagando a viagem. As aeronaves menores utilizadas pelas regionais são mais econômicas. Enquanto um Boeing consome cerca de 3.000 litros de combustível por hora de vôo, os aviões de pequeno porte gastam de 700 a 1 000 litros. Isso explica por que uma empresa como a Varig evita investir em rotas de curta distância.

 
Aeronave da Total, empresa que atua em Minas Gerais: regionais investem em rotas esquecidas

Apostar em filões desprezados pela concorrência é a tática da Ocean Air, companhia de táxi aéreo que começou a operar vôos comerciais regulares no fim do ano passado. Criada pelo empresário German Efromovich, representante dos jatinhos Learjet no Brasil, a Ocean está se firmando no mercado. Em menos de cinco meses de funcionamento, as quatro aeronaves Brasília da empresa atendem a dezenove localidades em sete Estados. Recentemente, a companhia adquiriu mais três aeronaves Brasília e três Fokker 50. A intenção é dobrar o número de vôos até o fim do ano. O que impressiona é que, num momento em que as grandes corporações eliminam rotas e se desfazem de suas aeronaves, a Ocean Air segue investindo. Outra regional que tem conseguido bons resultados é a Total, de Minas Gerais. A companhia começou transportando cartas para os Correios, em 1988. Hoje, ela transporta 11.000 passageiros por mês, número que vem subindo a cada ano.

Se nas gigantes cortar custos é cada vez mais importante, nas pequenas a eliminação de despesas é uma questão de sobrevivência. A Team, que opera vôos a partir do Rio de Janeiro para cidades como Angra dos Reis e Búzios, oferece o serviço de bordo em terra. Nos sete aeroportos em que atua, a empresa instalou uma sala vip onde é servido um lanche antes de os passageiros embarcarem. A solução permite economizar com funcionários, dos profissionais de limpeza às aeromoças. Nem todas são bem-sucedidas. Só no ano passado quatro pequenas companhias fecharam as portas, entre elas a Passaredo, que trabalhava com vôos charter.

 
 
   
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