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A virtude do silêncio
Joedson Alves/AE
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| Palocci
e Meirelles: à margem das discussões sobre o dólar |
O governo
do PT está brincando com fogo ao permitir que diversas autoridades
dêem livremente sua opinião sobre taxa de câmbio. Até
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contribuiu para o erro ao
dizer, dias atrás, que o real não deveria valorizar-se muito
para não atrapalhar as exportações. Nas últimas
semanas, Luiz Fernando Furlan, ministro do Desenvolvimento, o senador
Aloizio Mercadante e economistas ligados ao PT vêm arbitrando o
que consideram ser o valor ideal do dólar para o bom funcionamento
da economia brasileira. Na quinta-feira, Mercadante chegou a defender
que o governo utilize ferramentas de controle do capital estrangeiro que
entra no país, um mecanismo com impacto direto sobre o equilíbrio
cambial.
O resultado
dessas declarações é alimentar a especulação
do mercado. Sobre câmbio não se fala, a não ser para
garantir que nada vai mudar, mesmo que isso seja mentira. Essa é
uma lei da qual nenhum governo responsável se afasta. Felizmente,
no caso brasileiro, as autoridades monetárias, Henrique Meirelles,
presidente do Banco Central, e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci,
estão muito bem informadas sobre as virtudes do silêncio
nesse campo.
Existem,
basicamente, três sistemas de câmbio passíveis de adoção
por um país. No mais rígido, o governo fixa o valor da moeda
local em relação ao dólar e o mantém nesse
patamar através de um controle draconiano das transações.
A Argentina o utilizou no governo Menem até o recente colapso que
explodiu sua economia. Num segundo esquema, o governo permite variações
pequenas e controladas. O Brasil utilizou-o no governo FHC, até
o estouro de janeiro de 1999. Por fim, há o câmbio flutuante,
no qual o valor da moeda local varia na sua relação com
o dólar ao sabor das realidades macroeconômicas e das expectativas
do mercado. Esse é o sistema atualmente em uso no Brasil. É
o mais adequado, mas, por definição, nele o câmbio
flutua. Quando autoridades de Brasília sugerem que esse sistema
pode sofrer a pressão do forte dedo governamental, espalha-se desconfiança
no mercado e a flutuação começa a fibrilar. E tudo
que o Brasil não precisa agora é de uma crise de confiança
cambial como a que acompanhou a eleição de Lula.
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