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Home  »  Revistas  »  Edição 2160 / 14 de abril de 2010


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Imagem da Semana

Pé na banda

É esse o destino dos políticos mentirosos no Quirguistão.
Pena que é tão longe, não?


Vilma Gryzinski

Vladimir Pirogov/Reuters

O Quirguistão é um daqueles países que a humanidade em geral só descobre que existem quando alguma coisa ruim acontece. Ramo em que os quirguizes estão se especializando: de cinco em cinco anos, quebram tudo e plantam um pé na banda oriental dos governantes. Os protestos da semana passada seguiram o roteiro: a polícia atirou, depois correu e ato contínuo apanhou, o que selou a sorte do presidente deposto, Kurmanbek Bakiev, que reapareceu no sul do país dizendo que não se considerava derrubado. Infelizmente, para ele, pesava a realidade dos fatos. Nos escombros do Parlamento, um dos vários prédios oficiais detonados na explosão de fúria popular, que deixou também 75 mortos, autoproclamou-se chefe do governo interino uma ex-ministra, Roza Otunbayeva. Não havia certeza se ela tinha cacife para assumir o comando, mas certamente leva jeito para frases de efeito. "Podem chamar isso de revolução, podem chamar de revolta popular", disse. "Seja o que for, é nossa maneira de dizer que queremos justiça e democracia." Bakiev foi eleito depois de levante similar, com promessas parecidas, há cinco anos. No poder, passou a fazer exatamente o oposto. No fim, fez a besteira de aumentar o preço da luz e do gás. O Quirguistão é uma das ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central, habitadas por povos túrquicos e conhecidas pelos nomes que terminam em "stão". Ao contrário dos vizinhos, não tem reservas energéticas e vive de alugar uma base aérea para os Estados Unidos, importantíssima como escala para o Afeganistão, e da ajuda da Rússia. "O que aconteceu não foi um golpe antiamericano", declarou um representante da Casa Branca. Imediatamente, todo mundo tirou a conclusão contrária. Bobagem, foi só raiva de políticos mentirosos.
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