Imagem da Semana
Pé
na banda
É esse o destino dos políticos mentirosos
no Quirguistão.
Pena que é tão longe, não?

Vilma Gryzinski
Vladimir Pirogov/Reuters
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O
Quirguistão é um daqueles países que a humanidade em geral
só descobre que existem quando alguma coisa ruim acontece. Ramo em que
os quirguizes estão se especializando: de cinco em cinco anos, quebram
tudo e plantam um pé na banda oriental dos governantes. Os protestos da
semana passada seguiram o roteiro: a polícia atirou, depois correu e ato
contínuo apanhou, o que selou a sorte do presidente deposto, Kurmanbek
Bakiev, que reapareceu no sul do país dizendo que não se considerava
derrubado. Infelizmente, para ele, pesava a realidade dos fatos. Nos escombros
do Parlamento, um dos vários prédios oficiais detonados na explosão
de fúria popular, que deixou também 75 mortos, autoproclamou-se
chefe do governo interino uma ex-ministra, Roza Otunbayeva. Não havia certeza
se ela tinha cacife para assumir o comando, mas certamente leva jeito para frases
de efeito. "Podem chamar isso de revolução, podem chamar de
revolta popular", disse. "Seja o que for, é nossa maneira de
dizer que queremos justiça e democracia." Bakiev foi eleito depois
de levante similar, com promessas parecidas, há cinco anos. No poder, passou
a fazer exatamente o oposto. No fim, fez a besteira de aumentar o preço
da luz e do gás. O Quirguistão é uma das ex-repúblicas
soviéticas da Ásia Central, habitadas por povos túrquicos
e conhecidas pelos nomes que terminam em "stão". Ao contrário
dos vizinhos, não tem reservas energéticas e vive de alugar uma
base aérea para os Estados Unidos, importantíssima como escala para
o Afeganistão, e da ajuda da Rússia. "O que aconteceu não
foi um golpe antiamericano", declarou um representante da Casa Branca. Imediatamente,
todo mundo tirou a conclusão contrária. Bobagem, foi só raiva
de políticos mentirosos.
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