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• Música: Como a internet mudou a relação dos músicos com seus fãsSociedadeAs mulheres mais odiadas do planetaO esporte mundial de falar mal das modelos
não leva em conta
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Jason Kempin/Gwtty Images![]() |
| ESTÁ
NA DESCRIÇÃO Izabel, 1,78 metro, 55 quilos de perfeição: "Cada profissão tem suas exigências. A da minha é pesar pouco" |
Elas
são magras, lindas, ricas, falam várias línguas e têm
namorados famosos. Quem quer ser como elas? Todas. Quem fala bem delas? Ninguém.
Ao contrário: retratos contemporâneos da beleza e do glamour, as
modelos estão entre as mulheres meninas, em muitos casos
mais tripudiadas do planeta. A bailarina é tão peso-pluma que flutua
no ar? Admirável. A ginasta de 18 anos tem corpo de 12? Exemplar disciplina.
A celebridade voltou ao corpo pré-gravidez um mês depois do parto?
Palmas para ela. A estrela no tapete vermelho comporta no máximo 2 palmos
de cintura? Nunca esteve tão bem. Mas bastou a gaúcha Alessandra
Ambrosio, 29 anos, ser vista numa sessão de fotos com os ossinhos em evidência
para o mundo cair sobre sua cabeça. Foi parar até no programa de
Bill OReilly, popular comentarista da rede americana Fox, que abriu uma
pausa na habitual e divertida sessão de flagelação do governo
Obama para mostrar uma foto "chocante" da "desnutrida" Alessandra.
A comentarista Megyn Kelly, uma das muitas loiras e lindas da Fox, afirmou com
a cara mais séria que a Victorias Secret, a empresa de lingerie que
tem Alessandra como uma das modelos contratadas, não deveria "usá-la"
em anúncios. Nem um único jornalista no mundo ousaria chamar uma
famosa acima do peso de "gorda", "baleia" ou "monte de
banha", mas o jornal inglês Daily Mail, o primeiro a divulgar
as fotos de Alessandra, classificou-a de puro osso e praticamente desfechou uma
campanha mundial de desqualificação da modelo. "Para ser muito
sincera, não estou nem aí para essa polêmica", desdenha
Alessandra, que mede 1,78 metro e pesa 52 quilos "desde sempre". Com
o tipo físico excepcional requerido pela profissão naturalmente
muito alta e muito esguia , a modelo passou por todos os tormentos reservados
às meninas magrinhas. "Quando eu estava na escola, meu apelido era
Somália. Os meninos me arranjavam os nomes mais horrorosos. O sofrimento
só acabou quando me tornei modelo. Aí a magreza se tornou algo útil
e bacana", conta.
The Grosby Group![]() |
| POLÊMICA? TÔ
NEM AÍ Alessandra, 1,78 metro, 52 quilos, numa das fotos tripudiadas: "O sofrimento por ser magrinha só acabou quando me tornei modelo" |
"Isso acontece porque é muito mais fácil apontar defeitos nas meninas do que aturar a beleza e o sucesso delas", fulmina Liliana Gomes, diretora da agência Joy Models. "As pessoas não entendem que a gente não precisa fazer esforço para ser assim. Eu, como todo mundo, às vezes tenho uma semana de trabalho corrido, em que fico sem almoçar direito. A diferença é que perco, fácil, fácil, 3 quilos", diz, com toda a sua insustentável leveza, a piauiense Laís Ribeiro, 19 anos, 1,83 metro e 50 quilos exibidos, ossinho por ossinho, num macacão de Lycra na última semana de moda de São Paulo. "Toda profissão tem suas exigências. A da minha é pesar pouco", resume Izabel Goulart, 25 anos, 1,78 metro, 55 quilos, colega de Alessandra na Victorias Secret e considerada um dos corpos mais perfeitos da categoria peso-leve. Tantas críticas sobre as modelos, não só por serem magras, mas por fumar, não estudar, viver em festas, abusar de substâncias várias e, em certos casos, tropeçar no léxico em vários idiomas, podem ter efeitos devastadores. "Tenho estudos que mostram que, por volta dos 18 anos, elas apresentam níveis de ansiedade e stress maiores do que os notados em vestibulandas", diz o psicólogo Marco Antonio De Tommaso, especializado em atender modelos.
Vista
nos bastidores, a profissão revela, sim, exageros e abusos na obrigatória
manutenção da magreza. Há quase quinze anos na passarela,
a paranaense Isabeli Fontana, 1,77 metro, 55 quilos, diz que a fama de pouco juízo
das modelos "não é à toa", apesar do sempre presente
perigo de generalização. "Muitas fazem, sim, regime de fome,
gostam da noite e tomam um monte de remédios. Mas isso não quer
dizer que todas sejam assim", garante. "As que vomitam e tomam remédio
para emagrecer duram uma ou duas temporadas e somem, porque perdem a aparência
saudável, ficam com cabelo ruim, rosto cheio de olheiras", ensina
Isabel Hickmann, 1,78 metro, 53 quilos, a irmã caçula de Ana, que
estudava publicidade, há um ano resolveu ser modelo e agora, aos 20, faz
tantos desfiles que trancou a faculdade. A maior acusação contra
as modelos é que disseminam um tipo físico totalmente fora dos padrões
que, perseguido por adolescentes na difícil fase da afirmação
social, leva a sofrimento emocional e, em casos extremos, a doenças. Segundo
dados do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim) do
Hospital das Clínicas, em São Paulo, ao longo da vida, entre 0,5%
e 4% das mulheres terão anorexia nervosa, e de 1% a 4,2%, bulimia, ambos
distúrbios contemporâneos cuja complexidade ainda é estudada.
Culpar as modelos pela propagação desses transtornos é tão
injusto quanto atribuir a epidemia mundial de obesidade a... aquela, a famosa,
bem, não vamos falar o nome dela. Todo mundo sabe quem é.
Fotos Marcelo
Soubhia/Ag.Fotosite e Bruno Stuckert/Caraas![]() |
A
INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO DESFILAR Laís (à esq.) e a irmã de Ana, Isabel: criticadas por serem como tantas gostariam de ser |