Panorama
• Imagem da SemanaBrasil
• Rio: Décadas de demagogia e irresponsabilidade produziram a pior tragédia no estadoGeral
• GenteGuia
• Dengue: Os repelentes que funcionamArtes e Espetáculos
• Música: Como a internet mudou a relação dos músicos com seus fãsLeitor
Aviação
"VEJA transcreveu com brilhantismo o estado de
penúria a que se submete Pude
constatar o caos da aviação nacional dentro de um voo da Gol que
deveria ter saí-do de Brasília para Vitória (ES) às
22h48 do domingo de Páscoa. Estava lendo a reportagem de VEJA "Entre
o céu e o inferno" (7 de abril) e o comandante do avião anunciou
que, por causa de um problema técnico, todos os passageiros deveriam voltar
para a sala de embarque. E aguardar mais uma hora. O reparo durou muito mais
tempo. Resultado: não pude comparecer a um compromisso marcado para as
10 horas do dia seguinte. Custei a entender por que a capa
de VEJA me causou inquietação, remetendo-me à adolescência.
Bastaram alguns minutos de busca no Acervo Digital (www.veja.com.br/acervodigital)
para encontrar o motivo na edição de 12 de setembro de 1973 ("Pobres
aeroportos do Brasil"). A capa, na ocasião, deixou-me perplexo com
a abordagem crítica de VEJA, tais os rigores da censura prévia do
regime militar. Se ao longo desses quase 37 anos avanços ocorreram na aviação
brasileira, é inevitável admitir que continuamos, como reafirma
a reportagem da última edição, muito aquém da demanda. Excelente
a reportagem de VEJA sobre a situação dos aeroportos. Infraestrutura
é o grande gargalo do nosso país. Vamos receber pessoas de todo
o mundo para a Copa em 2014 e para a Olimpíada em 2016. VEJA mostrou como
poderão ser as nossas boas-vindas: atrasos, cancelamento de voos, falta
de atendimento e conforto, um desrespeito. Assim, vamos espantar os turistas.
Esse problema não é novo, já foi motivo de diversos alertas,
mas infelizmente o governo federal é inoperante e paquidérmico. Tenho ainda guardada na memória
uma situação, se não constrangedora, engraçada com
certeza, de certo ministro paramentado como se fosse um Rambo, esbravejando aos
quatro cantos da nação que terminaria com o caos que reinava em
nosso sistema aeroportuário. Mas nada aconteceu desde então. Que
decepção! Que atire a primeira pedra quem
nunca teve seu momento "barraco" num aeroporto brasileiro.
Aécio NevesParece que os meus filhos terão um Brasil melhor...
Na semana passada, o promotor Francisco Cembranelli nos fez voltar a acreditar
na Justiça brasileira. Agora, a entrevista com Aécio Neves (Amarelas,
7 de abril) nos deixa convictos de que ainda existem políticos capazes
de mudar a mentalidade mesquinha e interesseira dos administradores públicos
do nosso país. Brilhante a entrevista com Aécio Neves.
Em três páginas, ele disse o muito que precisávamos ouvir
e ler. A memória do brasileiro precisa ser ativada. Valeu, governador! Seu
avô se foi, mas deixou um excelente exemplo de decência, compostura
e ética. As
respostas de Aécio Neves desencadearam em mim um surto de esperança
e crença nos políticos. Mesmo que seja coisa momentânea, essa
sensação é muito boa. Com simplicidade e firmeza, o ex-governador
disse quase tudo o que eu queria ouvir. Agradeço pela entrevista. Aécio
Neves segue a tradição e linhagem dos grandes brasileiros de Minas
Gerais que, por vocação, fizeram da política um meio de levar
adiante os interesses do país, acima de qualquer projeto pessoal.
Ricky Martin "saiu do armário"Acho que Ricky Martin
fará ainda mais sucesso por ter assumido a sua condição de
homossexual ("Perigos da vida loca", 7 de abril). Não
é pelo fato de Ricky Martin ter revelado sua homossexualidade que suas
fãs deixarão de admirá-lo. Ele foi um grande sucesso nos
anos 90 e nada pode mudar isso! No máximo, serão feitos comentários
maldosos, pois o preconceito ainda existe. Resolvi
sair do armário em 1992, ainda estudante universitário. Posso afirmar
que foi a decisão mais certa que tomei em relação à
minha vida profissional. Nunca inventei ser o que não era. Ser homossexual
nunca me atrapalhou em nada. O armário oferece apenas medo e opressão.
Eu fico com Clarice Lispector: "Liberdade é pouco, o que eu quero
ainda não tem nome".
Novas universidades federaisAo
ler uma reportagem como essa ("Pecados pouco originais", 7 de abril),
sinto tristeza por perceber que o nosso dinheiro é administrado de forma
pouco inteligente. Não é novidade que os investimentos em educação
deveriam ser direcionados ao ensino básico e médio, combatendo,
assim, a evasão mencionada na reportagem. Por que não fazê-lo?
Lamentável. A reportagem critica a criação
de universidades públicas, sobretudo aquelas instaladas em regiões
afastadas, como se apenas as desenvolvidas devessem ter acesso a um ensino de
qualidade. Esquece que uma universidade pública pode ser fator catalisador
de desenvolvimento. Será que Campina Grande ou Lavras seriam o que são
se não tivessem suas universidades? Se os ecos dessa reportagem fossem
ouvidos no passado, não existiria a UnB, criada para uma cidade de menos
de 30 000 habitantes há cinquenta anos. A Universidade Federal
do Recôncavo da Bahia foi avaliada em 2009, e o índice geral
de cursos (IGC) atribuído à instituição foi de 3,
numa escala de zero a 5; logo, a UFRB está longe de ser a pior do país.
A universidade possui centros de ensino em outras quatro cidades do Recôncavo,
além do município de Cruz das Almas. Os problemas enfrentados pela
UFRB são inerentes à implantação de qualquer universidade
desse porte. Estamos nos esforçando a cada dia para superá-los.
Ideologia na educaçãoO
jornalista Marcelo Bortoloti escreveu uma reportagem justa, em grande medida,
sobre absurdos que marcam as nossas práticas escolares ("Ideologia
na cartilha", 31 de março). Como eu, por mais de 35 anos, tenho sido
também um crítico das mesmas práticas (posso dizer, inclusive,
que essa crítica tem sido o centro do meu trabalho de educador), sinto-me solidário
com a indignação do referido jornalista. Desejo agradecer a
honra que me concedeu ao haver-me colocado, ao final do seu artigo, na companhia
de filósofos que marcaram a história cultural do Ocidente, tais
como os pré-socráticos, Platão, Aristóteles,
Epicuro, Agostinho (...) e Rubem Alves. Apenas lamento que a coluna na qual nos
colocou seja a que ele deu o título de "Bobagens obrigatórias".
Aviação 2Em relação à reportagem "Entre
o céu e o inferno", a revista ignora as informações
que lhe foram dadas por nós. A Infraero passou por relevantes mudanças
voltadas à reestruturação de sua gestão, alteração
do estatuto social, que pôs fim aos contratos especiais de pessoas que não
eram do quadro orgânico da empresa, e tem sua diretoria executiva toda formada
por empregados da empresa. As irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas
da União e as investigações da Polícia Federal e do
Ministério Público contam com irrestrito apoio da Infraero, que
deseja ver sanados todos os questionamentos a fim de dar continuidade às
últimas gestões, com transparência e eficiência.
Diogo MainardiO artigo "Boletim de Ocorrência" (7
de abril), de Diogo Mainardi, é de uma precisão cirúrgica
quanto ao início desastroso da campanha de Dilma Rousseff. A baderna dos
professores, ou melhor, da truculenta massa de pelegos da Apeoesp, é uma
prévia do que está por vir. Para completar o cenário, os
blogueiros de Dilma e afins, de tão "ingênuos", enxergam
"solidariedade humana" em arremesso de paus e pedras. A
agressão covarde à soldada Erika Canavezi por grevistas paulistas
da CUT/PT é só um aperitivo da disputa eleitoral que se aproxima
entre Dilma Rousseff e José Serra. |