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• Música: Como a internet mudou a relação dos músicos com seus fãsLivrosCriminosos honestosUm romance retrata a cultura da violência de um clã siberiano
A denúncia da opressão foi um tema forte na literatura produzida na finada União Soviética. O dissidente Alexander Soljenitsin (1918-2008) revelou o universo sombrio dos campos de trabalhos forçados em obras como Arquipélago Gulag. Com a queda do comunismo, outros aspectos da vida social nas antigas repúblicas soviéticas começam a ser exorcizados. O crime organizado é um exemplo: a emergência da máfia russa mostra que, contrariando certas ilusões, setenta anos de regime comunista não erradicaram a tendência à transgressão ao contrário, podem tê-la acentuado. Lançado com sucesso na Itália, onde o autor vive, Educação Siberiana (tradução de Eliana Aguiar; Alfaguara; 336 páginas; 54,90 reais), romance de Nicolai Lilin, veterano da guerra da Chechênia e dublê de escritor e tatuador, oferece um retrato realista e brutal de um clã criminoso os urcas, povo de origem siberiana deportado nos tempos do stalinismo para a cidade de Bender, hoje pertencente à Moldávia. Educação Siberiana mistura comentários sobre a cultura criminosa de Bender com cenas de violência extrema pauladas, punhaladas, tiros , que se repetem à exaustão, justificando o provérbio urca que serve de epígrafe ao livro: "Há quem goze a vida, há quem a sofra; para nós, a vida é combate". Embora se apresente como ficção, o poder do livro está em seu caráter de depoimento. Nascido em Bender, em 1980, Lilin foi criado segundo os estranhos códigos urcas. Esse clã que não gosta de ser confundido com a máfia russa impõe uma série de regras de conduta para o "criminoso honesto". Pode-se matar e roubar, mas o estupro é proibido. Presos e suas famílias devem ser amparados. A religião é respeitada, mas o governo e seus agentes são hostilizados. Aclamado pelo jornalista italiano Roberto Saviano autor de Gomorra, a impressionante radiografia da máfia napolitana , o livro de Lilin examina como, em um mundo globalizado, a cultura da violência pode emergir de laços grupais estreitos. A identidade criminosa vincula-se a uma etnia e a suas leis informais. É preciso, porém, não levar Lilin muito ao pé da letra quando ele fala da ética de seu clã a tal "educação siberiana" do título. Bandido, afinal, é bandido. |
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