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Partidos
Montagem sobre fotos de Ricardo Stuckert, Rafael
Neddermeyer/AE, Ana Araujo e Dida Sampaio
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| A
gestão exemplar de Aécio em Minas, a força
de Serra e a competência de Tasso: os presidenciáveis
tucanos ainda sob as asas de FHC |
Com
a crise do governo Lula, FHC volta
à cena política e até faz planos de,
quem sabe, concorrer ao Planalto

Policarpo
Junior
As
idéias do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso estão
de volta ao debate político. Na semana passada, em artigo
publicado por vários jornais, FHC destravou o dique das críticas
ao governo. Acusou a administração petista de sofrer
de "inoperância gerencial", desperdiçar a chance de
extrair vantagens do bom momento da economia mundial e de não
ter projeto de longo prazo para o país. Dois dias depois
da publicação do artigo, o ex-presidente fez uma palestra
em São Paulo e outra em Porto Alegre, nas quais usou mais
artilharia e pediu "valentia moral" ao governo para admitir que
o desenvolvimento do país ainda "vai levar algum tempo".
De imediato, os petistas reagiram. José Genoíno, presidente
do PT, acusou Fernando Henrique de renunciar à nobre condição
de ex-presidente para virar líder da oposição.
Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu vazão
a seu incômodo. Como 2004 é ano eleitoral, disse Lula,
"todo mundo se dá ao luxo de falar o que bem entende". FHC
não partiu para a réplica, mas adorou a reação
dos petistas. "Não precisa nem jogar a isca. Eles já
mordem direto no anzol", festejou, em conversa com um aliado. Adorou
porque as coisas estão indo em harmonia com o novíssimo
Projeto Fênix: o projeto de, quem sabe, se tudo der certo,
voltar ao Palácio do Planalto em 1º de janeiro de 2007.
O Projeto Fênix, assim batizado pelos aliados de FHC, nasceu
há algum tempo e vem sendo mantido sob máxima discrição.
O nome, Fênix, não é apenas uma referência
à ave mitológica que renasce das cinzas, mas também
uma paródia com o código que os seguranças
da Presidência da República usavam para referir-se
ao então presidente Fernando Henrique "águia".
A última reunião para tratar do assunto ocorreu cerca
de três semanas atrás. Foi um jantar no apartamento
de FHC, em São Paulo. À mesa, estava o trio formado
por ex-estrelas do PMDB que trabalharam para o governo tucano: o
ex-assessor especial Moreira Franco, o ex-líder Geddel Vieira
Lima e o ex-ministro Luiz Carlos Santos, que acabou trocando o PMDB
pelo PFL. No jantar, que varou a madrugada, o trio concluiu que
é grave a crise deflagrada pela divulgação
do achaque do ex-assessor Waldomiro Diniz que, na semana
passada, depois de um longo sumiço, foi flagrado fazendo
compras num supermercado de Brasília e, por orientação
de seus advogados, não deu nenhuma declaração
à imprensa. Limitou-se a dizer que confia na Justiça,
velho chavão do réu que quer agradar aos juízes.
Sergio Lima/Folha Imagem
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| Waldomiro
Diniz, que, depois de um longo sumiço, foi flagrado fazendo
compras num supermercado da capital: nada a dizer |
A
crise do governo, na avaliação dos fernandistas, começou
como um resfriado, evoluiu para uma pneumonia e corre o risco de
virar uma infecção generalizada. A única forma
de conter sua escalada, concluíram os convivas, seria apresentar
uma esperança para as eleições de 2006
ou seja, a possibilidade de FHC voltar ao poder. Na opinião
deles, o país até agüentaria um fracasso do governo
Lula, mas a democracia não sustentaria a falta de uma opção
para o seu lugar. O ex-presidente ouviu a conclusão calado
e, depois de refletir um pouco, ponderou: "Não vou fazer
com o Lula o mesmo que o Lula fez comigo", disse, recusando-se a
personificar, desde já, um contraponto ao petismo e ao próprio
Lula. Em seguida, Fernando Henrique prometeu: "Mas não vou
ficar parado". O ex-presidente não explicou o que pretendia
fazer, mas o artigo publicado na imprensa na semana passada tem
todo o jeito de integrar o movimento planejado. E outros artigos
virão, dizem seus aliados.
Quando passou adiante a faixa presidencial, FHC não tinha
a intenção de voltar ao Palácio do Planalto.
Em seus cálculos, o peso da idade não favorecia o
retorno. Achava que Lula governaria por dois mandatos, ficando no
poder até 2010, época em que Fernando Henrique estará
completando 79 anos. A crise no governo Lula, porém, se agigantou
de tal modo que os tucanos perderam a certeza de que Lula ficará
tanto tempo em Brasília. A erosão da popularidade
do presidente tem-se mantido numa velocidade acelerada. Na semana
passada, nova pesquisa do Ibope mostrou que a confiança em
Lula sofreu mais uma queda acentuada, de 7 pontos porcentuais, passando
de 60% para 53%. Com isso, ultrapassou uma barreira simbólica:
é a primeira vez que Lula fica menos popular que seu antecessor
num período equivalente de mandato. Ao completar quinze meses
de governo, em seu primeiro mandato, Fernando Henrique tinha aprovação
de 60% do eleitorado, exatamente 7 pontos a mais que Lula agora.
Para quem, como Lula, se elegeu com um enorme apoio popular e se
manteve nas alturas por meses a fio, trata-se de uma queda preocupante.
Roberto Castro/AE
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Ricardo Stuckert
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| Moreira
Franco (à esq.), Geddel (à dir.)
e Luiz Carlos Santos: o trio está fazendo tudo para ver
FHC de volta ao Planalto |
Nada
disso significa que FHC será candidato, mesmo porque ainda
falta muito tempo até lá. A seus aliados mais fiéis,
o ex-presidente tem dito que não pretende envolver-se numa
disputa eleitoral. Ou seja: se em 2006 as pesquisas mostrarem que
terá de disputar voto a voto para vencer, Fernando Henrique
preferirá manter sua aposentadoria. Mas, se as pesquisas
lhe forem amplamente favoráveis, apontando uma vitória
de goleada, FHC cairia com prazer nos braços do povo. "Uma
pessoa na minha posição, que foi eleita duas vezes,
governou oito anos, não pode entrar na briga de estilingue
da política, não deve ficar se oferecendo de enxerido
para nada", já disse Fernando Henrique. Tanto é que
o trio do Projeto Fênix queria manter seus encontros sob sigilo
para não dar a impressão de uma conspiração.
Moreira Franco até nega a existência do jantar no apartamento
de FHC há três semanas. "Nem sei desse jantar", diz.
Os deputados Geddel Vieira Lima e Luiz Carlos Santos, porém,
não escondem a verdade. Sem saber das negativas de Moreira
Franco, eles confirmaram a VEJA as reuniões periódicas,
o jantar e até a presença de Moreira Franco, que estava
lá, sentado à mesa, dando seus palpites. Moreira Franco
tem suas razões para negar tudo. Ele próprio as explica:
"Pegaria mal eu aparecer articulando a volta de Fernando Henrique
quando eu sou um dos defensores da candidatura própria do
PMDB".
Curiosamente,
os tucanos não têm participado das reuniões
do Projeto Fênix. A explicação para tal ausência
é que, entre os tucanos, há mais candidatos presidenciais
do que eleitores. "No PSDB tem uma fila e eu me coloco no fim dela",
admite o senador Tasso Jereissati, sempre lembrado numa corrida
presidencial. O nome mais cotado no momento é o de José
Serra, eleito presidente nacional do PSDB. Serra perdeu para Lula
no segundo turno do pleito presidencial de 2002, mas, na disputa,
acabou ganhando um balaio de mais de 30 milhões de votos,
o que o credencia para concorrer novamente. Serra é um antigo
aliado de Fernando Henrique e pertence à galeria de seus
amigos mais íntimos, mas também é o maior adversário
da ambição presidencial de Fernando Henrique. Afinal,
neste momento, o ex-presidente é a única figura política
capaz de tirar Serra do páreo entre os tucanos e concorrer
à Presidência com o partido unido. Correndo em faixa
própria, há dois outros nomes de peso. Um é
o governador Geraldo Alckmin, de São Paulo, que já
andou pedindo aos seus correligionários que o convoquem para
debates sobre temas nacionais mesmo que não tenham nenhum
interesse para o seu Estado. O outro é o governador Aécio
Neves, de Minas Gerais, que tem um belo exemplo de gestão
pública no Estado para apresentar ao Brasil como mais uma
de suas credenciais. Aécio é um dos poucos a achar
que o governo petista ainda tem muito a fazer e está longe
de ter entrado numa fase de moribundo.
A exemplo do que fazia quando trabalhava no Palácio do Planalto,
Fernando Henrique tem orientado seus movimentos por pesquisas detalhadas
e abrangentes. Recentemente, ele recebeu uma, encomendada por empresários,
que lhe revelou dois detalhes importantes: que o PMDB é,
na percepção do eleitor, o partido mais estruturado
do país, e que o PFL conseguiu consolidar-se como sigla de
oposição. Fernando Henrique também obteve um
estudo sobre o desemprego. Ficou tão surpreso com os números
que planeja fazer seu próximo artigo à imprensa sobre
o assunto. Os dados são tão catastróficos que,
ao tomar conhecimento deles, o presidente da Federação
das Associações Comerciais do Estado de São
Paulo, Guilherme Afif Domingos, até sugeriu que se espalhassem
pelas capitais do país painéis eletrônicos atualizados
de hora em hora com o número de trabalhadores desempregados.
"O presidente pediu reserva sobre o estudo do desemprego", diz um
interlocutor que teve acesso aos dados. Com seu arsenal de pesquisas,
Fernando Henrique também foi um dos primeiros brasileiros
a saber que a popularidade de Lula estava em queda, conforme revelou
uma pesquisa do Ibope anunciada no fim de março. Tudo isso
mostra que o ex-presidente está longe de viver na aposentadoria
e que a crise do governo Lula serviu como mola propulsora
para recolocá-lo no centro do palco, e bem mais cedo do que
se esperava.
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