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Edição 1999

14 de março de 2007
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CINEMA

 
Fotos divulgação
Ponte para Terabítia: em vez de efeitos, muita imaginação e um bom elenco

Ponte para Terabítia (Bridge to Terabithia, Estados Unidos, 2007. Estréia nesta sexta-feira no país) – A família de Jesse (Josh Hutcherson) tem gente de mais e dinheiro de menos; já Leslie (AnnaSophia Robb) é uma solitária. Juntos, porém, os dois se completam como só as crianças são capazes de fazê-lo – e, no seu refúgio imaginário de Terabítia (na verdade, o bosque nos fundos do quintal), sentem-se livres das pressões escolares e domésticas. A publicidade do filme baseado no clássico infantil da americana Katherine Paterson dá a entender que ele é algo à moda de As Crônicas de Nárnia, com criaturas e efeitos especiais. O que se tem aqui é muito melhor: um pequeno drama que de fato compreende o mundo de seus personagens. Outro ponto a favor é a presença do irresistível Hutcherson, de ABC do Amor, um ator que dispensa a classificação "mirim". Veja cenas.

Um Amor Além do Muro: a vida como um improviso

Um Amor Além do Muro (Der Rote Kakadu, Alemanha, 2006. Desde sexta-feira em cartaz no país) – A despretensão é a chave desse filme do alemão Dominik Graf, sobre um triângulo amoroso que se forma entre jovens de Dresden, em 1961, às vésperas da construção do Muro de Berlim – portanto, logo antes que Leste e Oeste se separassem de vez. Siggi, aspirante a cenógrafo, conhece Luise num bailinho improvisado (e duramente reprimido pela polícia). Mas Luise, que se diz poeta, é casada com Wolle, que é devotado à mulher e, ao mesmo tempo, a todas as outras mulheres que encontra. Em comum, o trio tem a sensação de que sua vida é um improviso ditado pela instabilidade política – uma atmosfera que Graf capta de forma muito palpável e, felizmente, sem rompantes ideológicos.

 

DISCOS

 
Rodrigues: de MPB a Irving Berlin, um talento  

Fake Standards, Rodrigo Rodrigues (Dubas) – Morto em 2005, o cantor paulistano Rodrigo Rodrigues foi um dos artistas mais criativos da música brasileira recente. Ele participou da criação do grupo Música Ligeira, que se especializou em reinventar clássicos do cancioneiro brasileiro. Em 2001, iniciou as gravações de Fake Standards, que chega somente agora ao mercado. Um dos méritos do CD está no repertório bem-cuidado, que tem de Irving Berlin (Let's Face the Music and Dande) a Suzanne Vega (a bossa Caramel). O outro é que Rodrigues sabe cantar em inglês e conhece o significado das letras que interpreta. O toque final fica por conta dos arranjos caprichados de Mario Manga e Fabio Tagliaferri, companheiros de Rodrigues no Música Ligeira.

 

Long Blondes: reciclagem, mas com inspiração  

Someone to Drive You Home, The Long Blondes (Trama) – O quinteto liderado pela vocalista Kate Jackson recicla o que a música inglesa produziu de melhor nos últimos trinta anos. Ele foi formado por cinco moradores da cidade industrial de Sheffield que se trombavam constantemente em livrarias e casas noturnas. O Long Blondes emula a sonoridade pop de bandas como Human League e ABC, e o guitarrista Dorian Long mostra-se um ouvinte atento dos Smiths (em especial dos riffs de guitarra de Johnny Marr). As letras de Kate, por sua vez, transbordam ironia. É o caso de Once and Never Again, em que ela passa uma carraspana na amiga doida para arrumar um namorado. A interpretação da cantora, aliás, é um dos pontos altos do grupo. Ela mostra fôlego e energia nas músicas mais pesadas, e elegância e equilíbrio nas baladas.

 

LIVROS

Fogo Negro, de C.J. Sansom (tradução de Flávia Rössler; Record; 560 páginas; 60 reais) – Formado em história e ex-advogado, o inglês C.J. Sansom faz uma convincente reconstituição da Londres do século XVI em Fogo Negro. Mais importante, o autor também sabe armar uma envolvente trama policial. A história é narrada em primeira pessoa pelo corcunda Matthew Shardlake, advogado e detetive que já estrelava Dissolução, livro de estréia de Sansom. A serviço de Thomas Cromwell, poderoso conselheiro do rei Henrique VIII, Shardlake investiga o assassinato de dois alquimistas que teriam descoberto o segredo do fogo negro, lendária arma utilizada em batalhas navais. Ao mesmo tempo, Shardlake tem doze dias para salvar da execução uma jovem injustamente acusada de assassinato. Leia trecho.

 

Gino Domenico/AP
Paula: redescoberta oportuna  

Desesperados, de Paula Fox (tradução de José Rubens Siqueira; Companhia das Letras; 192 páginas; 35,50 reais) – Aos 83 anos, a americana Paula Fox foi recentemente "redescoberta" em seu país. Livros seus publicados na década de 70 voltaram às livrarias. É o caso de Desesperados, uma arrasadora história de dissolução familiar e social no meio da elite de Nova York. Na introdução que escreveu para o livro, Jonathan Franzen, autor de As Correções, diz que o romance é superior às produções dos contemporâneos mais célebres da autora – John Updike, Saul Bellow e Philip Roth. Exageros à parte, Desesperados é de fato uma narrativa notável no modo como dá significado moral a pequenos gestos: a debacle existencial da protagonista, a rica Sophie Bentwood, começa quando ela é mordida por um gato de rua ao qual ofereceu um pires de leite.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Campinas: Fnac; Rio: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Saraiva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Natal: Laselva; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Fnac, Livrarias Curitiba, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Laselva; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Nobel, Saraiva, Submarino.
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