Liberada a fabricação
de anticoncepcionais genéricos. Olho neles, Anvisa!
Anna
Paula Buchalla
Peter
CadeGety Images
Depois
de dois anos de espera, os laboratórios de remédios genéricos
receberam, na semana passada, a autorização da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) para fabricar os seus primeiros
anticoncepcionais orais. Com a medida, dentro de um prazo de seis meses, chegarão
ao mercado pílulas entre 35% e 50% mais baratas do que as atualmente disponíveis.
De acordo com os técnicos da Anvisa, a demora na liberação
se deveu basicamente ao fato de que não havia no Brasil tecnologia suficiente
para produzir uma cópia fiel dos anticoncepcionais de referência.
Agora, o governo garante que os laboratórios têm condição
de fabricar pílulas genéricas tão seguras quanto as de marca.
A confiança nos anticoncepcionais brasileiros sofreu um grande revés
em 1998. Naquele ano, oito mulheres engravidaram depois de tomar pílulas
da marca Microvlar falsas, feitas de farinha com o rótulo do laboratório
farmacêutico que é líder no mercado de contraceptivos no país.
Como é possível asseverar que a história não se repetirá
com os genéricos? "Depois do episódio infeliz da pílula de
farinha, a Anvisa e a indústria de genéricos tiveram uma preocupação
ainda maior com a liberação", diz Odnir Finotti, vice-presidente
da Pró Genéricos. Ótimo. Mas espera-se que a Anvisa continue
a fiscalizar esses remédios depois que chegarem às prateleiras das
farmácias. Afinal de contas, os efeitos de pílulas falsas estão
longe de ser canceláveis e eles costumam ser bastante caros e barulhentos.