Alemães com
quatro filhos de relação incestuosa pedem à Justiça
reconhecimento como casal
Patrick
e Susan com a filha Nancy: tabu ignorado
Patrick
Stuebing, 29 anos, e Susan Karolewski, 23, vivem num pequeno apartamento nos arredores
de Leipzig, na antiga Alemanha Oriental, e parecem um casal como qualquer outro.
A normalidade é só aparente: Patrick e Susan são irmãos
e amantes. Há seis anos vivem como marido e mulher, têm quatro filhos
e não fazem segredo do relacionamento incestuoso. "Muita gente desaprova,
mas nós não estamos fazendo nada errado", diz Patrick. Na semana
passada, o casal anunciou que apresentará um recurso à Suprema Corte
da Alemanha para que possa constituir legalmente uma família. Pela lei
alemã, o sexo entre irmãos pode ser punido com até três
anos de prisão. No Brasil, o casamento entre irmãos é proibido,
mas não é crime manterem relações sexuais, desde que
sejam maiores de 18 anos.
Réu confesso, Patrick passou dois anos na cadeia, mas não desistiu
da irmã. Sua única providência para evitar novos problemas
com a lei foi submeter-se a uma vasectomia. A idéia foi de seu advogado,
a partir do tortuoso argumento de que, se eles não tiverem mais filhos,
ninguém poderá provar que o casal continua a fazer sexo, apesar
de viver junto. A família está agora incompleta: a Justiça
tirou dos irmãos a guarda de três filhos. Em casa permaneceu o bebê
Sofia, que Susan teve com um homem 27 anos mais velho com quem namorou enquanto
Patrick estava na cadeia.
O incesto é tabu em praticamente todas as sociedades. Há justificativas
biológicas para isso. Pesquisas médicas mostram que há grande
risco de anormalidades genéticas numa criança gerada por parentes
próximos. Quando os pais são irmãos, a probabilidade de algo
sair errado com o bebê chega a 50%. De fato, dois dos filhos de Patrick
e Susan têm retardo mental. "O risco é o mesmo quando pessoas com
doenças hereditárias ou mulheres com mais de 40 anos têm filhos,
e nem por isso elas são proibidas de procriar", argumenta Patrick. Há
nesse relacionamento uma peculiaridade que esquenta ainda mais a controvérsia:
eles são irmãos biológicos, mas não compartilharam
uma criação fraterna. Patrick foi entregue para adoção
ainda bebê. Só aos 18 anos ele encontrou sua mãe biológica
e conheceu Susan. Seis meses depois, a mãe morreu e Patrick passou
a cuidar da irmã. Não demorou para se tornarem amantes e, em 2001,
quando ela tinha 17 anos, tiveram o primeiro filho, Erik. A decisão da
Justiça alemã deve demorar alguns meses.