Com
7 quilos e 3 meses de vida, o filhote de urso-polar chamado Knut, o mais novo
habitante do zoológico de Berlim, tornou-se uma celebridade. O bichinho
ganhou homenagens no festival de cinema berlinense, virou mascote de um time de
hóquei e arrancou declarações derramadas do prefeito. Diariamente
os jornais locais dão notícias sobre seu desenvolvimento. O que
tem Knut de especial, além da fofura explícita? Ele é um
dos raros ursos-polares nascidos em cativeiro. Fazia trinta anos que o zôo
de Berlim tentava a reprodução da espécie, sem sucesso. Além
disso, há três meses os ursos-polares entraram para o rol dos animais
ameaçados de extinção. O aquecimento global vem diminuindo
rapidamente a calota de gelo onde eles vivem, no Ártico. A reprodução
em cativeiro de animais em risco de extinção é sempre celebrada
pelos cientistas e veterinários. Considera-se que essa é a maneira
mais eficiente de garantir a preservação de uma espécie no
planeta. Mas não se trata de um processo fácil. Primeiro, é
preciso reproduzir com a maior fidelidade possível o habitat dos animais.
Com isso, busca-se reduzir o stress provocado pelo confinamento. "O excesso de
cortisol, o hormônio do stress, no organismo pode provocar perda de libido
e redução na produção de espermatozóides",
diz o veterinário Ronaldo Morato, do Centro Nacional de Pesquisa para Conservação
dos Predadores Naturais do Ibama.
Os animais em cativeiro também perdem a capacidade de socialização.
Em vez de se sentirem atraídos um pelo outro, macho e fêmea se estranham
e lutam entre si. Para contornar esse problema, é cada vez mais comum o
uso da inseminação artificial. Nesse processo, os zoólogos
coletam fezes das fêmeas diariamente para monitorar seus níveis hormonais.
Quando a quantidade de estrógeno aumenta, é sinal de que elas estão
no cio e é hora de proceder à inseminação artificial.
Esse processo tem garantido o sucesso da reprodução dos pandas na
China 130 animais da espécie nasceram em cativeiro desde 2000. No
Brasil, o procedimento é realizado em vários zoológicos pela
Universidade Federal do Paraná e pela Universidade de São Paulo
para tentar salvar da extinção os lobos-guarás e as onças-pintadas.
AP
Knut,
o ursinho-polar nascido no zoológico de Berlim: celebridade instantânea
Em
todo o mundo, governos e ONGs investem gordas verbas na conservação
das espécies, financiando pesquisas e programas para salvar animais em
extinção. As espécies contempladas, de modo geral, são
aquelas que despertam encantamento pela beleza, como os pandas, ou pelo porte
monumental, como os rinocerontes. São raros os que se importam com a sorte
dos bichos que despertam repulsa (veja o quadro abaixo). Outros dois exemplos
de animais ameaçados de extinção que se reproduziram em cativeiro
recentemente são o tigre de Sumatra e o orangotango. Os filhotes de ambas
as espécies nasceram no zoológico Taman Safari, na Indonésia,
e curiosamente se tornaram amigos. Na vida selvagem, os tigres são predadores
dos primatas. Nos jardins do zôo indonésio, brincam juntos o dia
inteiro. A amizade, segundo a veterinária Retno Sudarwati, responsável
pelos animais, terá vida curta. "Eles terão de ser separados em
no máximo dois meses, quando o tigre começará a comer carne",
diz ela. O nascimento em cativeiro pode alterar o comportamento mas não
a natureza dos animais.
AFP
DOS
FEIOSOS NINGUÉM QUER SABER
A
estranha criatura ao lado chama-se aye-aye, é um tipo de primata e vive
na ilha de Madagáscar, na África. Ele está ameaçado
de extinção, mas os moradores da ilha não pensam em salvá-lo,
e sim em exterminá-lo. O bicho, tido como um demônio que atrai maus
presságios, é morto sempre que aparece. Um novo projeto da Sociedade
Zoológica de Londres pretende salvar uma série de animais bizarros,
incluindo o aye-aye. É a única chance de o bicho feioso não
sumir de vez do planeta