O segundo
jornal popular do Rio diminui o preço. O primeiro diminui mais ainda
Sandra
Brasil
Oscar
Cabral
Gigi,
a primeira a cortar o preço: "Continuamos com a cara pintada"
Diversas guerras sacodem o Rio de Janeiro, cada uma mais trágica que a
outra, mas de uma a população não reclama: a que fez cair
significativamente o preço dos jornais populares. O primeiro corte foi
de O Dia, anunciado com o previsível estardalhaço na primeira
página na sexta-feira 2: o preço baixou de 1,50 para 1 real nos
dias de semana, e de 2,70 para 2,30 reais nos domingos. Segundo Gigi Carvalho,
a elegante diretora do grupo, a medida foi tomada para reverter nove meses de
queda de vendas e foi acompanhada de muito planejamento. "Fizemos pesquisas e
constatamos que 50 centavos pesam no bolso dos nossos leitores. Então,
adiamos para 2008 os novos investimentos, reduzimos as verbas de marketing e cortamos
o preço", diz. A reação foi imediata e fulminante: no dia
seguinte, o Extra, seu concorrente mais direto (que só é
vendido no Rio, mas, com 265.000 exemplares, está entre as maiores circulações
do país), baixou de preço, de 1,10 real para 90 centavos, 10 menos
que o concorrente.
Populares
e mais populares: o objetivo é atrair quem não lê jornal
Situada a 1 quilômetro de distância do Grupo O Dia, na mesma Rua do
Riachuelo, no Centro do Rio, a direção da Infoglobo, empresa responsável
pelos jornais O Globo, Extra, Expresso e Diário de S.Paulo, afirma,
contra todas as evidências, que vigora a santa paz entre os jornais populares.
"Não há nenhuma guerra de preços", diz Agostinho Vieira,
diretor da Infoglobo. "O preço mais baixo do Extra é uma
promoção de aniversário que vai durar dois meses. Em maio,
volta a ser 1,10 real. Temos um produto melhor e não precisamos baixar
o preço porque O Dia baixou", afirma. De sua trincheira cor-de-rosa,
a cor que a acompanha por toda parte, Gigi (nem pensar em chamá-la pelo
nome de batismo, Ligia), herdeira que nunca havia trabalhado, fazia duas horas
diárias de ginástica e cuidava dos dois filhos (hoje três)
antes de assumir o comando da empresa, há três anos, um depois da
morte do pai, afia as lanças: "A gente nunca sabe o que esperar do lado
de lá. Continuamos com a cara pintada, prontos para a guerra". Numa coisa
os dois grupos concordam: não têm a menor intenção
de baixar o preço de seus tablóides ainda mais populares, voltados
para os públicos C e D o Meia Hora, do Grupo O Dia, e o Expresso,
do Infoglobo, que custam 50 centavos. Lançado em 2005, o Meia Hora
se transformou no principal sucesso de vendas do grupo. "É um jornal de
leitura rápida. Conquistamos um público que não lia", comemora
Gigi, que nessa faixa desfruta situação inversa seu tablóide
vende quatro vezes mais que o concorrente.