O
ex-deputado Roberto Jefferson, o homem-bomba do mensalão, voltou à
cena política. Na semana passada, Jefferson viu um de seus mais próximos
colaboradores, o deputado federal José Múcio, assumir a liderança
do governo Lula na Câmara dos Deputados. É um papel que o próprio
Jefferson já vinha realizando nos bastidores. O homem que delatou a indecorosa
compra de parlamentares pelo governo petista foi visto no mês passado em
Brasília pedindo votos para eleger Arlindo Chinaglia presidente da Câmara
dos Deputados. A única coisa que falta para Jefferson se reintegrar totalmente
à política é reaver o mandato de deputado federal, cassado
em 2005 aquele que ele disse ter sublimado ao decidir entregar os colegas
mensaleiros chefiados pelo ex-ministro José Dirceu. A reaproximação
com o poder parece ter feito o ex-deputado mudar de idéia. Recentemente,
de maneira discretíssima e pouco sublime, Jefferson deflagrou uma ofensiva
para tentar reaver o mandato de deputado. Queixa-se o petebista: "Foi uma cassação
sumária. Fui atropelado".
O interessante é que, ao tentar reconquistar o mandato que sublimou, o
presidente do PTB fica na mesma situação de seu maior desafeto,
o ex-ministro e ex-deputado José Dirceu, a quem já criticou publicamente
por pleitear a anistia. A diferença é que, enquanto Dirceu busca
uma solução política, Jefferson segue por uma trilha jurídica.
No fim de janeiro passado, ele entrou com um processo na 21ª Vara Federal
de Brasília em que requer sua reabilitação política.
O ex-deputado não parece nem um pouco incomodado com a contradição
entre o que declarou e o que busca agora. Disse ele a VEJA: "Não é
isso que importa. A luta judicial é uma coisa minha, justa e solitária".
Nas 43 páginas da ação, os advogados alegam que Jefferson
não teve direito à ampla defesa. Segundo eles, três recursos
foram desprezados. Apesar de ter confessado o recebimento de 4 milhões
de reais de dinheiro sujo do mensalão, Jefferson foi cassado por não
ter provado as denúncias que fez. O ex-deputado também nunca revelou
a quem entregou o dinheiro. Não se sabe se Jefferson vai guardar esse segredo
para sempre. Mas não há dúvida de que ele é a fonte
do poder que o ex-deputado ainda mantém com ou sem mandato.