Eis que, depois
de dois meses de exaustivas negociações, a tão
esperada reforma ministerial do governo Lula desemperrou.
Na semana passada, o presidente formalizou os primeiros convites
para a montagem do novo ministério e, salvo
novo adiamento, a reforma será anunciada ainda nesta
semana. Pelo que se sabe até agora, será um
ministério com poucas mudanças substantivas.
Alguns nomes já estão confirmados, como o de
Tarso Genro para o Ministério da Justiça e do
deputado Geddel Vieira Lima, do PMDB, para a pasta da Integração
Nacional. Outros surgem como surpresas, a exemplo de Walfrido
Mares Guia, que será deslocado para a Coordenação
Política, e de Carlos Lupi, presidente do pequeno PDT,
que deve ocupar o poderoso Ministério da Previdência.
Em contraste com as definições da semana, nada
supera a interminável agonia da ex-prefeita de São
Paulo Marta Suplicy. Seu caso já virou até piada
na praça. Não é para menos. Nas fofocas
da Esplanada, Marta já figurou como ministra da Educação,
das Cidades, do Trabalho e até do Turismo mas
continua mesmo sentada no banco de reservas de Lula.
De cara, os primeiros
convites de Lula já provocaram um terremoto no principal
aliado do Planalto, o PMDB. A indicação de Geddel,
ex-desafeto do PT que, sabe-se lá por que motivos,
se converteu desabridamente ao lulismo, foi interpretada como
uma declaração de apoio ao deputado Michel Temer,
que disputava com o advogado Nelson Jobim o posto de presidente
da sigla. Como a eleição ocorreria dias depois,
o gesto de Lula destruiu a candidatura de Jobim. No xadrez
político do PMDB, que por enquanto está ditando
o ritmo da reforma, Temer é aliado de Geddel, ao passo
que Jobim era o candidato dos senadores do partido, como Renan
Calheiros e José Sarney num tal desenrolar de
armações e complôs que as articulações
do novo ministério rivalizam em semelhança com
as conspirações vistas no Big Brother Brasil.
A nomeação de Geddel doeu mais forte em Renan
e Sarney porque Lula já havia demonstrado preferência
pela candidatura de Jobim. Na terça-feira, dia seguinte
ao encontro de Geddel com Lula, o ex-ministro do STF desistiu
da candidatura alegando "interferência do governo".
A decisão
de Lula, evidentemente, terá um custo. "Sou solidário
a Jobim, política e moralmente", afirmou Renan. "Todos
nos sentimos agora um pouco liberados." Liberados, entenda-se,
para azucrinar a vida do governo no Senado. Como presidente
do Congresso, não é uma tarefa difícil
para Renan que, aliás, não perdeu tempo
na sua nova missão. Um dia depois da desistência
de Jobim, o presidente do Senado usou seu poder e botou na
pauta de votações do plenário projetos
contrários aos interesses do governo, como o que aumenta
a independência das agências reguladoras. Não
bastassem os problemas para domar a crise aberta no PMDB,
Lula também terá de lidar com os contínuos
faniquitos do PT, que teme perder parte das boquinhas nos
ministérios. Seguindo o exemplo do PT, o PSB também
começou a dar chiliques e a reclamar maior espaço
no governo. Diante de tanta choradeira, Lula resolveu inchar
mais um pouquinho o governo e criar especialmente para o partido
a Secretaria de Portos e Aeroportos afinal, 34 ministérios
é pouco para o apetite dos políticos de Brasília.
Alguns não vão escapar do paredão!