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Edição 1999

14 de março de 2007
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Brasil
Big Brother Planalto

Em meio a complôs e brigas que lembram
o reality show, Lula dá início à montagem
do ministério de seu segundo mandato


Diego Escosteguy

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Quadro: Charge que ilustra a matéria

Eis que, depois de dois meses de exaustivas negociações, a tão esperada reforma ministerial do governo Lula desemperrou. Na semana passada, o presidente formalizou os primeiros convites para a montagem do novo ministério – e, salvo novo adiamento, a reforma será anunciada ainda nesta semana. Pelo que se sabe até agora, será um ministério com poucas mudanças substantivas. Alguns nomes já estão confirmados, como o de Tarso Genro para o Ministério da Justiça e do deputado Geddel Vieira Lima, do PMDB, para a pasta da Integração Nacional. Outros surgem como surpresas, a exemplo de Walfrido Mares Guia, que será deslocado para a Coordenação Política, e de Carlos Lupi, presidente do pequeno PDT, que deve ocupar o poderoso Ministério da Previdência. Em contraste com as definições da semana, nada supera a interminável agonia da ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy. Seu caso já virou até piada na praça. Não é para menos. Nas fofocas da Esplanada, Marta já figurou como ministra da Educação, das Cidades, do Trabalho e até do Turismo – mas continua mesmo sentada no banco de reservas de Lula.

De cara, os primeiros convites de Lula já provocaram um terremoto no principal aliado do Planalto, o PMDB. A indicação de Geddel, ex-desafeto do PT que, sabe-se lá por que motivos, se converteu desabridamente ao lulismo, foi interpretada como uma declaração de apoio ao deputado Michel Temer, que disputava com o advogado Nelson Jobim o posto de presidente da sigla. Como a eleição ocorreria dias depois, o gesto de Lula destruiu a candidatura de Jobim. No xadrez político do PMDB, que por enquanto está ditando o ritmo da reforma, Temer é aliado de Geddel, ao passo que Jobim era o candidato dos senadores do partido, como Renan Calheiros e José Sarney – num tal desenrolar de armações e complôs que as articulações do novo ministério rivalizam em semelhança com as conspirações vistas no Big Brother Brasil. A nomeação de Geddel doeu mais forte em Renan e Sarney porque Lula já havia demonstrado preferência pela candidatura de Jobim. Na terça-feira, dia seguinte ao encontro de Geddel com Lula, o ex-ministro do STF desistiu da candidatura alegando "interferência do governo".

A decisão de Lula, evidentemente, terá um custo. "Sou solidário a Jobim, política e moralmente", afirmou Renan. "Todos nos sentimos agora um pouco liberados." Liberados, entenda-se, para azucrinar a vida do governo no Senado. Como presidente do Congresso, não é uma tarefa difícil para Renan – que, aliás, não perdeu tempo na sua nova missão. Um dia depois da desistência de Jobim, o presidente do Senado usou seu poder e botou na pauta de votações do plenário projetos contrários aos interesses do governo, como o que aumenta a independência das agências reguladoras. Não bastassem os problemas para domar a crise aberta no PMDB, Lula também terá de lidar com os contínuos faniquitos do PT, que teme perder parte das boquinhas nos ministérios. Seguindo o exemplo do PT, o PSB também começou a dar chiliques e a reclamar maior espaço no governo. Diante de tanta choradeira, Lula resolveu inchar mais um pouquinho o governo e criar especialmente para o partido a Secretaria de Portos e Aeroportos – afinal, 34 ministérios é pouco para o apetite dos políticos de Brasília. Alguns não vão escapar do paredão!

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