BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 1999

14 de março de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
André Petry
Millôr
Lya Luft
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
Auto-retrato
Veja essa
VEJA.com
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Auto-retrato
Peter Kramer

Divulgação


Autor do best-seller Ouvindo o Prozac, o psiquiatra americano Peter Kramer, de 57 anos, acaba de ter seu quinto livro lançado no Brasil. Em Enfrentando a Depressão (Editora Melhoramentos), Kramer, professor da Universidade Brown, alerta para os perigos envolvidos na glamourização da doença. Ele deu a seguinte entrevista à repórter Anna Paula Buchalla.

EM SEU NOVO LIVRO, O SENHOR DIZ QUE A DEPRESSÃO EXERCE UMA ATRAÇÃO PODEROSA. QUAL É ESSE APELO?
Certos sintomas como o desânimo e a apatia remetem a uma estética decadente que confere certo charme aos doentes. Existem homens que são especialmente atraídos por mulheres depressivas e vice-versa – e esse apelo vai além da simples necessidade de cuidar de alguém. A visão romântica da depressão está profundamente entrelaçada com a visão do amor romântico. É importante, porém, deixar claro que não há nada de bom na depressão. Os depressivos tendem a ter menos contatos sociais, a separar-se mais e a conceber menos filhos.  

É ESTRANHO, PORTANTO, QUE SE EMPRESTE GLAMOUR À DOENÇA.
Pois é: pergunte a uma pessoa se a depressão é uma doença e ela provavelmente responderá que sim. Mas, quando indagamos se a depressão deveria ser erradicada, as respostas costumam ser ambivalentes. Se a pergunta fosse sobre o fim de uma doença como a artrite, ninguém hesitaria em responder que, óbvio, ela deveria ser eliminada. Há, no entanto, muita gente que simplesmente defende a existência da depressão. O motivo para essa defesa é que, para além de uma visão estritamente romântica, ela continua a ser associada a personalidades de grande criatividade e profundidade intelectual – da mesma forma que a tuberculose no século XIX. Trata-se de uma bobagem: as evidências que associam depressão a inventividade são frágeis. Essa associação, aliás, seria mais palpável entre os portadores de distúrbio bipolar e epilepsia – e não se vê ninguém defendendo nenhuma dessas duas doenças. Numa cultura que priorizasse o combate à depressão, a glamourização da doença pareceria, na melhor das hipóteses, lamentável. E, na pior, cruel.  

O SENHOR NÃO ESTÁ EXAGERANDO?
É claro que não. A depressão é uma condição grave, debilitante e associada a anormalidades na anatomia cerebral. Ela é fator de risco para derrames, infartos, distúrbios hormonais e osteoporose. A depressão se manifesta em idades precoces, é recorrente e progressiva – e a cada episódio pode deixar seqüelas graves. Os deprimidos são incapazes de experimentar o prazer, têm sentimentos de culpa, problemas de sono e de apetite, diminuição da memória – tudo isso em um nível altíssimo de perturbação.

COMO O SENHOR AVALIA OS ANTIDEPRESSIVOS SURGIDOS DESDE O LANÇAMENTO DO PROZAC, NO FIM DOS ANOS 80?
Todos os remédios da classe dos inibidores de recaptação de serotonina, da qual o Prozac faz parte, são, em minha opinião, antidepressivos medíocres. Mas eles fazem com que os pacientes se sintam mais confiantes socialmente. Não é pouco, reconheça-se. No tratamento efetivo da depressão, no entanto, vários pacientes respondem muito melhor aos antidepressivos mais antigos – os da classe dos tricíclicos.  

ESTAMOS LONGE DE CONHECER AS CAUSAS DA DEPRESSÃO?
Sim, ainda sabemos pouco sobre ela. Mas houve avanços evidentes nos últimos quinze anos. Até algum tempo atrás, a maior parte das pesquisas em depressão focava nos neurotransmissores, as substâncias químicas que carregam os sinais entre as células nervosas. Agora, a atenção se volta para a saúde individual das células nervosas. Os estudos mostram que a depressão está associada a alterações no funcionamento dessas células. Inclusive já estão sendo investigados remédios capazes de proteger e reparar aquelas que se mostram doentes.

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |