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EXPOSIÇÃO

Vlaminck: cores vibrantes O pintor: auto-retrato

Vlaminck (São Paulo, até 8 de abril) – O pintor francês Maurice de Vlaminck (1876-1958) costuma ser lembrado apenas pelo fato mais reluzente de seu currículo: ainda em início de carreira, foi uma estrela do fauvismo, movimento que sacudiu o mundo das artes no começo do século XX com a força de suas cores e pinceladas. Vlaminck nunca chegaria perto da fama de Matisse, o maior dos fauves e um dos principais nomes da pintura moderna. Sua obra posterior, já em outro rumo, também não causou muito impacto. Mas, como se redescobre nesta mostra no Museu de Arte Brasileira da Faap, era um artista de raro talento, imerecidamente ofuscado pelos gênios fabulosos de sua época. Oitenta telas, na maioria pertencentes a coleções européias, representam suas diversas fases. Há cinco obras do período fauvista, como a bela Natureza-Morta com Compoteira (1906). Há também um auto-retrato e paisagens sob forte influência de Van Gogh e Cézanne. Uma boa surpresa são as cenas de inverno feitas após a I Guerra Mundial, nas quais o contraste do céu carregado de nuvens com a neve é de encher os olhos.

 

DISCO

Reptile, Eric Clapton (WEA) – O inglês Eric Clapton é um guitarrista de duas faces. Nos anos 60, chegou a abandonar sua banda de rock, os Yardbirds, e foi tocar blues em bares enfumaçados, pois não queria ser visto como um artista "comercial". Mais tarde, no entanto, a pressão da conta bancária levou-o a fazer o caminho inverso: voltou a ser pop star. Se essa contradição se tornou uma constante na carreira de Clapton, Reptile é o disco em que ele melhor soube equilibrar-se entre o pop e o blues nos últimos anos. Ao mesmo tempo que sucumbe a releituras de James Taylor (Don't Let Me Be Lonely Tonight) e Stevie Wonder (I Ain't Gonna Stand for It), faz sua guitarra falar mais alto em faixas como a instrumental Son & Sylvia e no blues Superman Inside. A faixa-título tem um sabor especial para os brasileiros: é um rock-bossa, claramente inspirado em João Gilberto. Ouça a faixa Reptile

 

LIVRO

O Enigma do Parque, de Jody Shields (tradução de Terezinha Monteiro Deutsch; Editora Best Seller; 368 páginas; 36 reais) – Ida Bauer, ou Dora, foi paciente de Sigmund Freud. O pai da psicanálise narra seu caso em sua obra. Neste livro, a mesma Dora serve de ponto de partida para uma trama de ficção: o cadáver da moça é encontrado num parque em Viena, e agora cabe a um detetive e sua mulher, cada qual a seu modo, tentar decifrar o caso. Ex-editora do jornal The New York Times, Shields tem o mérito de transpor o caso de Dora para um gênero popular – o thriller – sem deixar de refletir, de maneira sutil, sobre psicanálise. Além disso, ao tecer considerações sobre arte moderna, literatura, medicina, ocultismo e botânica, pinta um convincente retrato da ebulição intelectual de Viena na virada do século XIX para o XX.

 

JUVENIL

Caninos Brancos, de Jack London (tradução de Antivan Guimarães Mendes; Melhoramentos; 237 páginas; 39 reais) – Embora já existisse em português, esse clássico da aventura volta agora numa edição caprichada, parte de uma coleção que traz obras famosas em papel cuchê, com ilustrações coloridas e uma série de notas explicativas. Marco da literatura americana, o livro narra a história de um animal metade lobo, metade cão, que cresce em meio às paisagens geladas do Alasca. Adotado por um sujeito que o maltrata, ele se torna agressivo, até que um jovem o resgata. London fez do romance um estudo sobre como o ambiente influencia aqueles que o habitam. Leia trecho do primeiro capítulo do livro

 

TELEVISÃO

Cinemas do Mundo (segunda a sexta-feira, às 20h30, no GNT. Reapresentações sempre no dia seguinte, às 14h) – Seja pela qualidade, seja pela quantidade, países como Espanha, Austrália, Hong Kong, Índia (o maior produtor mundial de filmes) e Dinamarca (pátria do movimento batizado Dogma) têm hoje um cinema forte e de sotaque muito peculiar. Produzida pela televisão francesa, a série Cinemas do Mundo traça um histórico da produção cinematográfica de cada um desses países e investiga com razoável detalhe o seu panorama atual. No episódio dedicado à Espanha, por exemplo, há entrevistas com o primeiro time de diretores – Carlos Saura, Pedro Almodóvar, Bigas Luna e o jovem prodígio Alejandro Amenábar (do ainda comercialmente inédito no Brasil Abre los Ojos) –, além de raridades como trechos de um filme roteirizado pelo caudilho Francisco Franco e destinado a, claro, enaltecer o fascismo.

 

LITERATURA BRASILEIRA

Minha Mãe Morrendo e O Menino Mentido
Valêncio Xavier
Companhia das Letras;
224 páginas;
29 reais

Em 1998, depois de muitos anos de trabalho "marginal", o paulistano Valêncio Xavier encontrou um espaço no mercado. Uma das maiores editoras brasileiras, a Companhia das Letras, reuniu suas principais obras em um único volume, O Mez da Grippe e Outros Livros, que até mesmo desfrutou de uma rápida passagem pela lista de mais vendidos. Essa nova situação, contudo, não fez com que Xavier mudasse de rumo. Em seu novo livro, Minha Mãe Morrendo e O Menino Mentido, ele segue a desenvolver uma forma peculiaríssima de literatura visual, que mistura recursos da prosa e das artes gráficas.

Dizer que a obra de Xavier é peculiar não equivale a dizer que ela surgiu no vácuo. Pelo contrário. Sua nova visibilidade no mercado ajuda a lembrar a existência de uma pequena mas importante linhagem de autores brasileiros de inclinação vanguardista, que sempre pensaram a literatura em relação com o desenho, a pintura e outras artes plásticas. É uma corrente que passa por nomes como Oswald de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Augusto de Campos. No caso de Xavier, o primeiro é uma referência. Em seu Primeiro Caderno do Aluno de Poesia, por exemplo, Oswald usou versos prosaicos e desenhos canhestros para zombar da poesia oficial de sua época. Em seu novo livro, Xavier zomba do aprendizado de verdades "eternas" em sua infância, desenterrando com ironia ilustrações de cartilhas e catecismos.

Mas talvez se pudesse dizer que Oswald e Xavier compartilham ainda algo mais: a idéia de fazer literatura por meio da colagem de imagens, sejam elas verbais ou visuais. Nos três textos que compõem Minha Mãe Morrendo o repertório para a colagem é dos mais variados: fotos antigas, reclames de jornal, trechos de histórias sobre Lampião, citações de Sade. É preciso ler com atenção para identificar linhas narrativas e um tema dominante (o "despertar da sexualidade"). Mas o trabalho de compor os fragmentos é divertido, e vale a pena.

Carlos Graieb

 


Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Sulina, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Livraria Curitiba, Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Leitura, Siciliano.

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