Furo
aos domingos
Jornalismo
faz subir a audiência
e ganha importância no programa
de Gugu Liberato

Ricardo
Valladares
Sergio Pinheiro

Gugu
e equipe: aposta em temas populares e imagens de helicóptero
|
Na
guerra para aumentar a audiência do programa Domingo
Legal, que comanda no SBT, o apresentador Gugu Liberato
vem usando uma arma eficiente e inesperada: a reportagem.
Eficiente pelos resultados, inesperada porque, desde 1998,
o departamento de jornalismo da emissora de Silvio Santos
opera em regime de fome. Os investimentos são mínimos
e apenas dois telejornais vão ao ar, tarde da noite.
Gugu, no entanto, inverteu a tendência em sua área
e faz questão de se manter abastecido de notícias.
Conserva uma equipe de reportagem ligada diretamente a seu
show de auditório e está colhendo frutos
por isso. Em 36 dos últimos quarenta domingos ele bateu
a concorrência da Globo, freqüentemente graças
a entrevistas e imagens exclusivas ou simplesmente persistentes,
como as da rebelião na Casa de Detenção
de São Paulo, no mês passado. Na ocasião,
o helicóptero do SBT foi mantido no ar por quase oito
horas seguidas, fazendo apenas pousos rápidos para
reabastecimento. Suas câmaras foram as únicas
a flagrar o momento em que dois detentos eram baleados num
dos pátios do Carandiru. Por causa do bom desempenho
desse jornalismo domingueiro, Silvio Santos determinou, na
semana passada, que a reportagem de Gugu deverá continuar
de plantão mesmo depois de acabado o seu programa,
sempre que algum assunto de interesse nacional estiver em
pauta. Enquanto isso, a Globo se agita. A diretora-geral Marluce
Dias da Silva encomendou um projeto para que o programa Domingão
do Faustão passe a ser dirigido pelo núcleo
de jornalismo da emissora carioca. "A proposta está
sendo analisada e teremos uma decisão em no máximo
quinze dias", afirma um executivo da Globo.
Gugu percebeu que havia uma demanda por notícias quentes
no domingo um dia que o senso comum sempre aconselhou
dedicar totalmente ao lazer do telespectador um pouco
por acaso, há cinco anos, quando os integrantes do
grupo musical Mamonas Assassinas morreram num acidente de
avião. Enquanto a Globo exibia videocassetadas e umas
poucas entradas ao vivo sobre a tragédia que estarreceu
a massa, o apresentador optou por concentrar-se nela, usando,
à época, a equipe do programa Aqui Agora.
A audiência quebrou recordes, chegando ao pico de
47 pontos (veja
quadro). Desde então, Gugu vem favorecendo
um estilo peculiar de jornalismo popular, próximo do
que os americanos chamam de "infotainment", ou seja, a mistura
de informação e entretenimento. As reportagens
apresentadas por ele têm lances de arrojo e criatividade,
mas também podem lançar mão de truques
sensacionalistas (a começar pela indefectível
trilha sonora de filme de terror quando o assunto é
crime, e procedimentos duvidosos, como a "pegadinha" com uma
moça crédula na época do "maníaco
do parque".
Um bom exemplo de arrojo ocorreu em março de 1999,
por ocasião do desfecho do seqüestro de Welington
Camargo, irmão dos cantores sertanejos Zezé
Di Camargo e Luciano. Depois da libertação de
Welington, todas as emissoras se postaram diante do hospital
para onde ele havia sido encaminhado, em Goiânia. Mas
só o Domingo Legal conseguiu declarações
da família: sem medo de improvisar, a equipe amarrou
um microfone num rodo para alcançar a janela do quarto
de hospital. No caso da recente rebelião do Carandiru,
a reportagem alternou bons momentos com outros menos equilibrados.
A emissora, por exemplo, abriu o microfone para reclamações
de presos, mas em momento nenhum ouviu o "outro lado", levando
ao ar uma entrevista com um representante do governo estadual.
"Tentamos falar com o secretário de Segurança
Pública, mas não deu", justifica-se Gugu.
O apresentador diz que, nas próximas semanas, deve
abrir mais duas frentes de jornalismo. Comprou um helicóptero
de 600.000 dólares, que
vai alugar ao SBT para incrementar as reportagens. "Vamos
tentar ser mais investigativos e também investir em
pautas voltadas ao consumidor", afirma. Dá para imaginar
o que vem por aí: duas reportagens, sobre fabricantes
de sabão em pó e papel higiênico, já
foram gravadas pela equipe. O diretor desse time é
Wagner Maffezoli, jornalista com 25 anos de carreira. A repórter
titular é Silvana Kieling, que já passou por
redações da Globo, da Bandeirantes e da Record.
"Aqui no SBT pude adotar um estilo mais descontraído",
diz ela, que já idealizou reportagens-show campeãs
de audiência (como aquela em que permaneceu 24 horas
numa penitenciária, fingindo-se de traficante de drogas).
Na retaguarda ficam Rogério Casagrande e Aldair Ramos.
Na semana passada, a equipe ganhou um reforço. O novo
jornalista deverá ficar atento ao que circula na internet.
Seu nome é Fausto Silva Neto. Gugu jura que não
é provocação.
|