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Sinal vermelho

Cartilha combate assédio sexual
no trabalho

Angela Nunes

 
Milton Carello
O limite entre a paquera e o abuso de poder: linha tênue

Quando os astros americanos Michael Douglas e Demi Moore se atracaram no filme Assédio Sexual, em meados dos anos 90, entre suspiros nos lençóis, reuniões de executivos e sessões do tribunal, o tema explosivo do cerco de chefes a subalternos chegou a provocar um clima de histeria em muitas empresas pelo mundo afora. Os brasileiros absorveram a polêmica com serenidade, embora esse tipo de conduta esteja presente aqui e ali, em escala variada, a ponto de motivar a primeira cartilha nacional para enfrentar esse tipo de conduta. A iniciativa é do Sindicato dos Bancários de São Paulo, que aproveitou as comemorações do Dia Internacional da Mulher, na semana passada, para lançar uma campanha nacional de prevenção e combate ao assédio sexual no ambiente de trabalho (leia alguns conselhos no quadro ao lado).

Segundo a diretora da entidade, Ana Tércia Sanches, o limite entre a paquera e aquilo que ultrapassa o aceitável entre profissionais envolve uma relação de poder. "O assédio é uma investida não consentida, em que ocorre uma retaliação quando não atendida", define Ana. "Pode acontecer de mulher para homem ou ter um homossexual na origem, mas a maioria dos casos é mesmo de homem para mulher." De acordo com o advogado Airton Rocha Nóbrega, professor da Universidade Católica de Brasília, em geral os casos nas empresas são abafados ou apurados sem empenho. A pessoa assediada tem medo de se expor e acaba mudando de emprego. Mas, em tese, o assediador pode ser demitido por justa causa. Uma apuração interna demonstra que a firma está preocupada com o assunto e coíbe novas ações. "Se o caso não for resolvido, o atingido pode até entrar com ação por danos morais e pedir indenização", recomenda Nóbrega.

 

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