Geral Estilo

Esta semana

Sumário
Brasil
Internacional
Geral
O sucesso da cachaça no exterior
O efeito Guga
O Ceará atrai turistas com eventos esportivos
Aventureiros em busca de tesouros
Livro conta os truques da babá dos filhos de famosos
Mulheres são maioria entre jovens cientistas
Todo mundo agora é escritor
A lingerie segue a tendência das passarelas
O acordo das vítimas da TAM pode não sair
Novo massacre em escola dos EUA
Criminalidade na Europa preocupa governos
Padre prefeito é acusado de homicídio
A bossa agora é fazer intercâmbio na Nova Zelândia
Já existe consórcio para tudo
A elegância de Jacqueline Kennedy numa exposição
Embaixador brasileiro em Paris salvou judeus
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos


Colunas
Diogo Mainardi
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Para usar
VEJA Recomenda
Literatura brasileira
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

Eternamente chique

A elegância sublime de Jacqueline Kennedy
é celebrada em exposição de museu

Angela Pimenta, de Nova York

 
Slim Aaron/Hulton Getty
Arthur Rickerby/Blackstar
AP
Décadas de bem-vestir: Jackie em jantar de gala nos anos 50, de tailleur e, depois, o culto à simplicidade

Os argentinos apaixonados por tango, quando ouvem Carlos Gardel, costumam dizer que, mesmo morto há 66 anos, ele cada vez canta melhor. Quem gosta de moda, cada vez que revê as fotos de Jacqueline Bouvier Kennedy Onassis, pensa parecido: sete anos depois de sua morte, ela está cada vez mais bem vestida. Resistir ao teste do tempo sem parecer datado ou simplesmente ridículo, como acontece com a maioria dos mortais, é talvez o teste definitivo da elegância. E, em se tratando desse assunto, nunca houve mulher como Jackie – pelo menos nos Estados Unidos (e fora deles apenas a atriz Audrey Hepburn atingiu o mesmo patamar mitológico). Nos menos de três anos de governo do marido John, ela criou e marcou para sempre sua imagem: a primeira-dama bonita, refinada, chiquérrima, impecavelmente vestida mesmo quando estava de calça, camiseta e sandália. Tantas vezes celebrada, essa elegância atemporal ganha agora a mais elevada das homenagens. Inspirado em seu magnífico guarda-roupa, o Metropolitan Museum inaugura em maio a exposição Jacqueline Kennedy: os Anos da Casa Branca, que reúne oitenta trajes que usou durante a campanha e o mandato tragicamente interrompido de Kennedy.

"Jackie foi um dos maiores ícones de toda a história da moda", resume Amish Bowles, editor de moda da revista Vogue, contratado pelo Metropolitan para ser o curador da mostra. "Ela teve, e ainda tem, profunda influência sobre a maneira como toda uma geração gostaria de se vestir e até de se comportar." Com Jackie e seu fabuloso senso de estilo, nos Estados Unidos, finalmente, ".'bom gosto' se tornou bom gosto", como definiu a editora e papisa de moda Diane Vreeland, ela mesma uma das mentoras estéticas da primeira-dama. Jacqueline Kennedy veio ao mundo com o material básico para ser chique: um rosto marcante (que ocultava defeitos, como os olhos separados demais e os dentinhos tortos), seios pequenos, quadris secos, barriga batida e pernas bem torneadas. Tudo lhe caía bem. Nunca mudou a cor do cabelo, usava pouca maquiagem e foi eliminando os acessórios até chegar à perfeição de sua ausência – exceto pelo lenço amarrado sob o queixo e os óculos enormes, que entraram para a história da moda como o tantas vezes ressuscitado modelo Jackie O. (veja quadro).

Fotos Metropolitan Museum of Art
As
Vestido de seda desenhado por Cassini: Jackie brilha em um passeio de barco pelo Lago Pichola, na Índia

Seus costureiros preferidos eram os clássicos – Chanel, Givenchy e Balenciaga. Impossibilitada de encher o armário da Casa Branca com modelos franceses, formou uma parceria criativa com um estilista local, Oleg Cassini, de família de expatriados russos. Imitando daqui, copiando dali, muitas vezes seguindo desenhos da própria Jackie, Cassini produziu para ela tailleurs perfeitos, longos sofisticados, chapéus inesquecíveis – tudo absolutamente simples, seco, sem frufrus. "Gosto de roupas extremamente simples. E detesto estampados", escreveu certa vez à amiga Diane Vreeland.

Menina rica de elegância inata, burilada em viagens e compras em butiques exclusivas, seu estilo ganhou um glamour extraordinário nos anos da Casa Branca. Fez tanto sucesso numa memorável visita à França, com o marido, em 1961, que o presidente disse na volta, apenas meio brincando: "Eu sou o homem que acompanhou Jackie". No ano seguinte, em uma viagem sozinha à Índia, onde teve cada passo seguido e fotografado, explodiu como símbolo encantador de uma nova elegância. Ganhou tanta estatura simbólica que o assassinato de Kennedy, em 1963, costuma evocar imediatamente duas imagens: o presidente tombando no carro conversível e o tailleur cor-de-rosa manchado de sangue usado por Jackie. Nada – nem o casamento argentário com o magnata grego Aristóteles Onassis, nem ter sido fotografada sem roupa por um paparazzo, nem os excessos dos anos 70 – apagou seu brilho. Jacqueline Kennedy simplesmente acrescentou mais um pilar ao conjunto de sua elegância – um sólido e impenetrável silêncio sobre a vida particular – e, nele encerrada, permaneceu bela, refinada e chique até morrer, vítima de câncer, aos 64 anos. Usando, até o fim, óculos enormes, lenço na cabeça e sapatos sem salto.

Marcas registradas

O estilo Jackie Kennedy pôs no vocabulário da moda expressões como o pillbox hat, chapeuzinho redondo como uma caixinha de comprimidos que ela usava sempre – muitas vezes fazendo conjunto com um redingote, vestido com cara de casaco que também celebrizou. Outros itens tipicamente Jackie: o colar de pérolas de três voltas, os óculos escuros enormes, a luvinha branca (fotos abaixo) e o sapato raso e baixo.

 

 
AP
Hulton Getty

 

Copyright 2001
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Curitiba
Veja BH | Veja Fortaleza | Veja Porto Alegre | Veja Recife
Edições especiais | Especiais on-line | Estação Veja
Arquivos | Próxima VEJA | Fale conosco