Eternamente
chique
A
elegância sublime de
Jacqueline Kennedy
é celebrada em exposição de museu
Angela
Pimenta, de Nova York
Slim Aaron/Hulton Getty
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Arthur Rickerby/Blackstar
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AP
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| Décadas
de bem-vestir: Jackie em jantar de gala nos anos 50, de
tailleur e, depois, o culto à simplicidade |
Os
argentinos apaixonados por tango, quando ouvem Carlos Gardel,
costumam dizer que, mesmo morto há 66 anos, ele cada
vez canta melhor. Quem gosta de moda, cada vez que revê
as fotos de Jacqueline Bouvier Kennedy Onassis, pensa parecido:
sete anos depois de sua morte, ela está cada vez mais
bem vestida. Resistir ao teste do tempo sem parecer datado
ou simplesmente ridículo, como acontece com a maioria
dos mortais, é talvez o teste definitivo da elegância.
E, em se tratando desse assunto, nunca houve mulher como Jackie
pelo menos nos Estados Unidos (e fora deles apenas
a atriz Audrey Hepburn atingiu o mesmo patamar mitológico).
Nos menos de três anos de governo do marido John, ela
criou e marcou para sempre sua imagem: a primeira-dama bonita,
refinada, chiquérrima, impecavelmente vestida mesmo
quando estava de calça, camiseta e sandália.
Tantas vezes celebrada, essa elegância atemporal ganha
agora a mais elevada das homenagens. Inspirado em seu magnífico
guarda-roupa, o Metropolitan Museum inaugura em maio a exposição
Jacqueline Kennedy: os Anos da Casa Branca, que reúne
oitenta trajes que usou durante a campanha e o mandato tragicamente
interrompido de Kennedy.
"Jackie
foi um dos maiores ícones de toda a história
da moda", resume Amish Bowles, editor de moda da revista Vogue,
contratado pelo Metropolitan para ser o curador da mostra.
"Ela teve, e ainda tem, profunda influência sobre a
maneira como toda uma geração gostaria de se
vestir e até de se comportar." Com Jackie e seu fabuloso
senso de estilo, nos Estados Unidos, finalmente, ".'bom gosto'
se tornou bom gosto", como definiu a editora e papisa de moda
Diane Vreeland, ela mesma uma das mentoras estéticas
da primeira-dama. Jacqueline Kennedy veio ao mundo com o material
básico para ser chique: um rosto marcante (que ocultava
defeitos, como os olhos separados demais e os dentinhos tortos),
seios pequenos, quadris secos, barriga batida e pernas bem
torneadas. Tudo lhe caía bem. Nunca mudou a cor do
cabelo, usava pouca maquiagem e foi eliminando os acessórios
até chegar à perfeição de sua
ausência exceto pelo lenço amarrado sob
o queixo e os óculos enormes, que entraram para a história
da moda como o tantas vezes ressuscitado modelo Jackie O.
(veja quadro).
Fotos Metropolitan Museum
of Art
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As
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| Vestido
de seda desenhado por Cassini: Jackie brilha em um passeio
de barco pelo Lago Pichola, na Índia |
Seus
costureiros preferidos eram os clássicos Chanel,
Givenchy e Balenciaga. Impossibilitada de encher o armário
da Casa Branca com modelos franceses, formou uma parceria
criativa com um estilista local, Oleg Cassini, de família
de expatriados russos. Imitando daqui, copiando dali, muitas
vezes seguindo desenhos da própria Jackie, Cassini
produziu para ela tailleurs perfeitos, longos sofisticados,
chapéus inesquecíveis tudo absolutamente
simples, seco, sem frufrus. "Gosto de roupas extremamente
simples. E detesto estampados", escreveu certa vez à
amiga Diane Vreeland.
Menina rica de elegância inata, burilada em viagens
e compras em butiques exclusivas, seu estilo ganhou um glamour
extraordinário nos anos da Casa Branca. Fez tanto sucesso
numa memorável visita à França, com o
marido, em 1961, que o presidente disse na volta, apenas meio
brincando: "Eu sou o homem que acompanhou Jackie". No ano
seguinte, em uma viagem sozinha à Índia, onde
teve cada passo seguido e fotografado, explodiu como símbolo
encantador de uma nova elegância. Ganhou tanta estatura
simbólica que o assassinato de Kennedy, em 1963, costuma
evocar imediatamente duas imagens: o presidente tombando no
carro conversível e o tailleur cor-de-rosa manchado
de sangue usado por Jackie. Nada nem o casamento argentário
com o magnata grego Aristóteles Onassis, nem ter sido
fotografada sem roupa por um paparazzo, nem os excessos dos
anos 70 apagou seu brilho. Jacqueline Kennedy simplesmente
acrescentou mais um pilar ao conjunto de sua elegância
um sólido e impenetrável silêncio
sobre a vida particular e, nele encerrada, permaneceu
bela, refinada e chique até morrer, vítima de
câncer, aos 64 anos. Usando, até o fim, óculos
enormes, lenço na cabeça e sapatos sem salto.
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Marcas
registradas
O
estilo Jackie Kennedy pôs no vocabulário
da moda expressões como o pillbox hat,
chapeuzinho redondo como uma caixinha de comprimidos
que ela usava sempre muitas vezes fazendo conjunto
com um redingote, vestido com cara de casaco que também
celebrizou. Outros itens tipicamente Jackie: o colar
de pérolas de três voltas, os óculos
escuros enormes, a luvinha branca (fotos abaixo)
e o sapato raso e baixo.
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