Língua
em outra pátria
Jovens que estudam lá
fora
já são
80 000 e Nova Zelândia
vira atração
Maurício Oliveira
Divulgação
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| A
neozelandesa Auckland: preços baixos, beleza natural e
sotaque britânico puro |
Cada
vez mais brasileiros estão adotando um método
muito eficaz para o estudo de idiomas: a "imersão",
que substitui as aulas tradicionais aqui no Brasil por algumas
semanas em países nos quais são levados a comunicar-se
quase que exclusivamente na língua que desejam aprender.
No ano passado, 80.000 pessoas decidiram fazer um curso além-mar,
de acordo com estimativas da Brazilian Educational & Language
Travel Association (Belta), entidade que congrega 36 empresas
especializadas em intercâmbio educacional. Os Estados
Unidos continuam reinando absolutos na preferência,
não apenas pela enorme variedade de oferta mas também
pela influência cultural que exercem em todo o mundo.
O Canadá, a Inglaterra e a Austrália estão
entre os principais pólos de atração
do idioma de Shakespeare, ao passo que a Espanha lidera o
de Cervantes, embora o Mercosul esteja muito próximo.
Sinal de que a França deixou de exercer o fascínio
de outrora, a pátria de Balzac recebe pouco mais de
100 brazucas por mês (confira
o quadro).
A grande novidade é a atração pela Nova
Zelândia. A procura pelo distante país da Oceania
dobrou desde 1998 e agora ele já aparece entre os que
mais recepcionam intercambistas brasileiros foram 3.600
no ano passado. País com 3,9 milhões de habitantes,
espalhados em um território do tamanho do Estado de
São Paulo, a Nova Zelândia oferece uma série
de atrativos. Por ser uma ex-colônia da Inglaterra que
se manteve isolada do resto do mundo, o idioma chega a ser
mais britânico que aquele que se ouve pelas ruas da
globalizada Londres, coalhada de imigrantes. Além disso,
os preços dos cursos e das acomodações
são muito mais baixos que os da capital inglesa, e
a burocracia para viajar é quase nenhuma. Brasileiros
não precisam de visto para permanência inferior
a três meses. Para entrar, basta ter a passagem de volta
e o dinheiro da estada o equivalente a 1.000 reais
por mês. "De repente, as pessoas descobriram aquele
pedacinho de terra lá embaixo do mapa e a demanda está
explodindo", diz Maria Inez Grasso, diretora da Belta.
A
estudante de relações públicas Beatriz
Lamoneda, 23 anos, acaba de voltar ao Brasil depois de cinco
semanas na capital Wellington. Ela ficou numa casa de família
selecionada pela escola de inglês. As aulas convencionais
de idioma eram à tarde, quando exercitava leitura,
audição e gramática, além de aprender
sobre a cultura neozelandesa, como por exemplo a origem dos
maoris, o povo nativo. Pela manhã e à noite,
praticava muito a conversação com moradores
e colegas de outras nacionalidades. A hospedagem em casa de
família, a homestay, custa em média o
equivalente a 170 reais por semana, com alimentação
incluída. "Eles me trataram como convidada de honra",
conta Beatriz. Quem quiser gastar ainda menos na faixa
de 90 reais por semana pode ficar num albergue e dividir
apartamento com outros estudantes. Beatriz se encaixa no perfil
médio do jovem atraído por cursos rápidos
de idiomas, com duração média de um mês
e meio. Em 70% dos casos, eles têm menos de 25 anos
de idade.
Tudo indica que a Nova Zelândia continuará ganhando
fãs verde-amarelos. O país é um dos que
oferecem melhor qualidade de vida, tem uma natureza exuberante,
temperatura agradável e, contemplado por todo tipo
de acidente geográfico, transformou-se no paraíso
dos esportes radicais. Entre muitas outras invenções
do gênero, foi lá que surgiu o bungee jump, o
vertiginoso esporte em que o praticante pula de uma ponte
ou um penhasco amarrado a um elástico. O risco para
os jovens é ficar por lá, pois há boas
chances de trabalho e o país está especialmente
interessado em imigrantes latino-americanos. "É um
lugar perfeito para viver em família", conta o agrônomo
Márcio Sônego, que acaba de voltar de um doutorado
de quatro anos em Christchurch e planeja uma mudança
em definitivo com a mulher e os três filhos. É
fácil entender tanto entusiasmo. Lá, ele dormia
com as janelas abertas e deixava o dinheiro do leiteiro em
cima do carpete, do lado de fora, sem que ninguém mexesse.
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