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Mancha na batina

Ex-PM mata dois no Paraná e diz
que o
mandante foi o prefeito,
que também é padre

Ricardo Sabbag

Um crime político assustou a população da pequena cidade de Mariluz, no interior do Paraná. Há duas semanas um homem munido de uma pistola 9 milímetros invadiu o escritório do presidente do diretório local do PPS, Carlos Alberto de Carvalho, matando-o, e ao vice-prefeito Aires Domingos. Preso na segunda-feira passada, o autor dos disparos, o ex-policial militar José Lucas Gomes, confessou o crime e revelou o nome do mandante. O homicídio fora encomendado por Adelino Gonçalves, padre da paróquia local e prefeito de Mariluz. Em seu depoimento, Gomes disse também que receberia 20.000 reais pelo crime. Além da confissão, há outras evidências contra Gonçalves. Ao depor, um vizinho do assassino confesso disse que Gomes recebeu a visita do prefeito duas vezes nas últimas semanas. O Monza usado no atentado foi comprado alguns dias antes em Maringá por um de seus assessores.

A primeira reação do padre prefeito após a prisão do assassino foi desaparecer. Por três dias, a polícia o procurou em vão. Na quinta-feira, ele apresentou-se e negou as visitas à casa do assassino e a autoria do crime. Sua situação não é nada fácil. O prefeito também vinha sendo investigado por prática de pedofilia, e a polícia suspeita que essa acusação tenha relação com os homicídios. Eleito pelo PMDB, Adelino Gonçalves havia brigado com o PPS, partido de seu vice, na divisão dos cargos de confiança. Os aliados teriam tentado chantagear o prefeito com fitas de vídeo que comprovariam a pedofilia. As fitas existem, já estão nas mãos do delegado responsável pelo caso e mostram assessores do prefeito tentando subornar o pai de uma suposta vítima para que ele não se manifestasse. Como se apresentou livremente à Justiça, Adelino Gonçalves não teve a prisão preventiva decretada. A polícia agora procura o assessor que comprou o Monza usado no atentado.

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