Até
parece o Brasil
Aumento da criminalidade apavora
Londres e
Paris, duas das cidades
mais ricas do mundo
Um
fenômeno recente registrado em duas das mais ricas capitais
européias vem desafiando uma idéia arraigada
a respeito da criminalidade. Em países pobres, como
o Brasil, é comum apontar o desemprego, a má
distribuição de renda e a miséria como
causas do aumento no número de assaltos, homicídios
e outros crimes. Mas e quando isso acontece em cidades como
Londres e Paris? A criminalidade foi um dos temas de destaque
na campanha eleitoral para a escolha do novo prefeito de Paris,
neste domingo. O índice de homicídios na capital
francesa cresceu 38% no ano passado, uma marca assustadora.
Os ingleses estão enfrentando problema semelhante.
O aumento no número de assassinatos em Londres foi
de 20% em 2000, em comparação com o ano anterior.
Pressionado, na semana passada o governo do primeiro-ministro
Tony Blair anunciou um pacote de medidas que inclui compra
de novos equipamentos para a área de segurança
e regras mais rigorosas na contratação de policiais.
Essas notícias poderiam levar a crer que os europeus
estão experimentando um pouco dos problemas que afligem
as cidades brasileiras. Contudo, as taxas de criminalidade
que apavoram os europeus fariam um paulistano ou um morador
da cidade do Rio de Janeiro sentir-se no mais seguro dos mundos.
Somadas, a população de Londres e a de Paris
equivalem à da cidade de São Paulo, ou seja,
perto de 10 milhões de habitantes. O total de homicídios
registrados nas duas capitais européias, porém,
não passou de 270 no ano passado. Enquanto isso, São
Paulo teve 5.300! No Rio foram
outros 2.600.
Ainda assim, não deixa de ser uma surpresa o avanço
da criminalidade em Paris e Londres. Normalmente, fatores
como a pobreza e a depressão econômica costumam
ser associados ao aumento do crime. Também contribuem
para isso movimentos acelerados de urbanização
e fortes desigualdades sociais. São todas situações
típicas do Brasil, mas nada disso se vê na Europa.
A França foi a economia que mais cresceu entre os quatro
maiores países da União Européia. A taxa
de desemprego, de 9% no ano passado, é a menor registrada
na França desde 1991. E com um detalhe: os benefícios
recebidos por um desempregado francês fariam um trabalhador
brasileiro morrer de inveja. O quadro econômico não
é muito diferente na Inglaterra: desemprego em baixa
e crescimento econômico. No mais, a Europa é
uma sociedade igualitária e urbanizada há décadas.
Em tese, o ambiente é desfavorável ao surgimento
da criminalidade.
Consumo
de drogas –
Por isso, os especialistas estão começando a
levantar outras explicações para o fenômeno.
Uma das principais razões para o crime, apontadas tanto
em Londres como em Paris, é o aumento do consumo de
drogas. Nas duas cidades já se verificou que grande
parte dos chamados crimes de rua, como pequenos furtos e brigas,
é praticada por jovens usuários de drogas. Para
os criminalistas ingleses, outra explicação
pode ser a diminuição do número de policiais
em serviço e uma queda expressiva na taxa de resolução
de crimes.
A
polícia britânica, por sua vez, alega que o aumento
da criminalidade é meramente estatístico, em
decorrência de uma mudança na forma de registro
dos casos. Segundo as autoridades, o processo de notificação
de crimes foi facilitado, o que pode ter estimulado as pessoas
a denunciar mais ocorrências. O debate só começou
e sabe-se muito pouco a respeito. De qualquer forma, as autoridades
brasileiras podem tirar uma lição altamente
esclarecedora a respeito de como os europeus enfrentam o problema:
antes, muito antes que ele vire um desastre.
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