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Por que eles fazem isso?

Nova chacina em escola desafia a
interpretação desse fenômeno
americano

 
Charlie Neuman/AP
Williams, 15 anos, é conduzido à prisão: processado como adulto

Aconteceu de novo. Na semana passada, um garoto de 15 anos, Charles Andrew Williams, abriu fogo contra os colegas numa escola secundária nos arredores de San Diego, na Califórnia. Morreram dois estudantes, de 14 e 17 anos, e treze pessoas ficaram feridas. O fenômeno é tipicamente americano. Estudantes também cometem homicídios nas escolas de outros países – mas só nos Estados Unidos a matança gratuita adquiriu proporções epidêmicas. O adolescente que tirou a vida de um colega e feriu outros quatro a tiros num colégio do interior paulista, na terça-feira passada, atirou para se vingar de uma briga. O crime foi terrível, mas de motivação compreensível. Nas escolas americanas, os assassinatos são indiscriminados e ocorrem por razões bem mais obscuras. Depois de cada nova explosão de violência, psicólogos, educadores e policiais tentam juntar as peças do ocorrido, em uma tentativa quase sempre frustrada de entender o que se passou. Não há, por enquanto, uma explicação completa para esse fenômeno, mas os dados estatísticos ajudam a dar uma idéia do tipo de jovem que, ressentido por alguma razão, se arma e atira em colegas e professores.


Nancee Lewis/AP
Dois mortos e treze feridos: ódio e ressentimento


Williams, o assassino da semana passada, era um jovem franzino. Isso o tinha convertido em alvo fácil das agressões de colegas grandalhões. Dias antes de cometer o crime, foi acusado por outros estudantes de tentativa de estupro da namorada, de 12 anos, e saiu da discussão com o olho roxo. É possível que tenha decidido vingar-se de modo coletivo. No fim de semana que antecedeu ao crime, disse a amigos que levaria uma arma para a escola e atiraria em todo mundo. Ninguém levou a ameaça a sério. Um levantamento feito pelo jornal The New York Times de 100 chacinas, incluindo as cometidas em escolas, mostra que seis em cada dez assassinos fizeram algum tipo de ameaça antes de levar a cabo suas intenções, exatamente como Williams. Armado com um revólver de calibre 22, ele começou a atirar nos colegas que circulavam pelos corredores pouco depois das 9 horas da manhã. Dez minutos depois, entregou-se à polícia sem esboçar reação. Pelas leis do Estado da Califórnia, será julgado como adulto, mas, por ser menor de idade, não poderá ser condenado à morte.

Williams se inclui no perfil traçado pelo jornal americano para assassinos desse tipo. Em todos os casos estudados, os matadores ou se entregaram à polícia ou cometeram suicídio depois das chacinas. A grande maioria é formada por brancos de classe média como ele (71%). Em crimes comuns, apenas 36% pertencem a esse grupo étnico e social. Os homicídios em massa também tendem a acontecer durante o dia (81%), como em San Diego, enquanto a maior parte dos demais ocorre à noite (57%). Um estudo elaborado pelo governo dos Estados Unidos constatou um aumento no número de assassinatos em escolas. Os casos saltaram de dois incidentes por ano no início dos anos 90 para cinco no final da década. Apenas entre 1997 e 1998 houve catorze mortes em chacinas com mais de uma vítima em colégios americanos. Na última semana, além do caso de San Diego, outra menor feriu a bala uma colega de classe no Estado da Pensilvânia. Além de incompreensível, o fenômeno parece também incontrolável.

 

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